Aleatoricidades
Duas coisas que adoro são neologismos e eufemismos. Eufemismos pela genialidade que é amenizar o sentido de coisas, sobretudo aquelas “inamenizáveis”. Neologismos porque minha mente, na maioria das vezes é tão doida ao ponto de não saber como descrever o que penso sem que pra isso seja necessário inventar uma palavra nova – mesmo que ela seja derivada (lembro-me, de modo inútil das aulas de português: derivação por regressão) de outra palavra existente. É o meu fantástico mundo de bob particular.
Aliás, por falar em lembranças de coisas inúteis, eu já mencionei que desenhava a tabela periódica em plena aula de Direito Constitucional – e que na época que eu precisei desenhar a tal tabela, eu tirei nota mínima pra aprovação (e olha que consegui pontos extras de um trabalho). Sim, eu detestava química… e lembro até hoje de distribuição eletrônica de linnus paulling e outras merdas que na época que eu precisava eu não consegui aprender.
Sim… hoje minha mente está dispersa. Mas, ou eu vinha escrever as tais aleatoricidades, ou não iria postar por mais uns bons dias. Talvez meses. É que todas as últimas vezes que pensei em postar (e que tive tempo pra isso), quando eu cheguei ao teclado eu travei. E bem… talvez eu fique sem internet por uns bons dias (como já disse, talvez meses). É que arrumei um emprego pra ir pra ffronteira da Venezuela. Serei Funcionário Público… desses administrativos que atendem balcão e dão carimbaço em papéis… mas a grana é até boa. E melhor é a vontade de me livrar do meu mundo atual.
Sobre meu aniversário – que foi há alguns dias atrás, a comemoração, apesar de ter sido “padrão”, me deixou bastante feliz. Saí com a família, dias antes, e fomos comer… Nada demais… no dia eu trabalhei e nada demais. Senti falta de pessoas que estão longe. Mas isso é assim em qualquer data “especial”.
Sobre meu emprego anterior… bem… fiz, em dois meses, o serviço que oito pessoas levaram quatro anos para não conseguir fazer. E o mérito acabou sendo pra quem “supostamente” construiu o caminho. E mesmo gente que estava se opondo à realização (porque imaginava ser desperdício de recursos, afinal, o trabalho parecia impossível) acabou saindo na foto da primeira capa, enquanto eu recebi apenas um agradecimento formal. E ao que tudo indica, nem meu pagamento desse mês eu irei receber (já que estou indo embora). de qualquer modo, isso reforçou um sentimento de “eu posso ir aonde eu quiser”. E isso foi impagável.
E bem… nesses dias eu estou à ponto de surtar. A nomeação para o tal serviço público me pegou de surpresa. Preparar em quinze dias uma mudança internacional é bem complicado pra qualquer um. E ainda tenho que fazer duas páginas de exames… Detalhe: precisava de um laudo psiquiátrico dizendo que eu sou mentalmente são para poder tomar posse. Mas como moro em cidade pequena, de interior, existem apenas três ou quatro psiquiatras. Dois deles já me conhecem e os outros dois só atendem particular (e estão com as agendas lotadas até o próximo mês). Resultado – tive que ir pra outra cidade fazer o exame psiquiátrico. No final o psiquiatra disse que o exame deu normal…
Ao sair do psiquiatra eu simplesmente acabo entrando numa sexshop e comprando um vibrador – mas como algo totalmente sem premeditação e com a maior naturalidade do mundo. Como quem compra pão de queijo na padaria. Deve ter sido o massageador… E de lá acabei passando num desses cinemas pornôs (que eu nunca tinha tido coragem de entrar – o máximo que eu fazia era ir nas cabines individuais de filme). Entrei e fiquei mais prestando atenção nos caras que entravam e saiam, do que no filme em si. Eu até ria da situação… era mais a curiosidade de ver como as pessoas supostamente hétero se comportam em locais assim…
E me supreendi. Fiquei pouco mais que uma hora. Entrou um casal, que mais parecia um cara e uma dessas prostitutas de “dé-rreau-a-chupadinha” e eles ficaram no maior amasso, mas nada demais. Depois mudei de lugar e vi um cara solitário. Ele parecia assistir a um filme tedioso. Nem sequer passava a mão na calça… Mas de repente chegou um garoto, de uns 18 anos, acho, bem bombadão, e sentou ao lado dele… e de repente ele ajoelhou-se e bem… já sabe…
Quando tava quase saindo, sem nada fazer, vi dois caras se pegando numa sala anexa – uma espécie de dark-room. Minha cara de pau foi tamanha que eu simplesmente sentei perto deles e de repente o cara “ativo” veio pra cima de mim. Descobri que na verdade ele queria um outro ativo para traçá-lo (e que ele só estava comendo o outro por falta de opção). Eu de imediato falei que só curtia vouyerismo e ele foi embora (enqanto o outro ficou se masturbando próximo a mim). Quando eu ia me retirando, o cara chega com dois outros e o negócio virou uma suruba infernal… Como ninguém é de ferro (e eu nunca tinha visto uma coisa assim ao vivo), aproveitei pra fazer amor comigo mesmo (lembra do eufemismo, hein?).
Daê hoje passei o dia todo ensaiando ir pra casa. Preciso arrumar minha mala de mudança mas estou até meio deprimido pra voltar pra casa. Ainda estou em outra cidade, na casa de parentes. Terei que voltar, não apenas pra pegar meu passaporte, como pra embarcar no vôo com destino a nova vida. E talvez agora eu resista em voltar pra casa, por medo de ter que deixá-la pela última vez. Durante todo o sofrimendo dos últimos anos, mesmo que aquela cidade tenha sido o inferno, minha casa sempre foi o meu refúgio. Coisa de Canceriano/Geminiano. E então passo o dia dormindo e assistindo House, MD.
Acho que isso é um rebote de transtorno bipolar. Isso tudo. Desde o cine porno até a deprê que me leva para o abuso de séries e camas… Tive que suspender o uso da medicação – porque fatalmente apareceriam no exame de sangue e de urina - e seriam uma celeuma para a minha posse no novo emprego… E sem contar com todo o estresse dos últimos dias – finalização do trabalho no emprego anterior, a demissão, o aniversário (e as lembranças que ele evoca), o golpe no pagamento do meu salário do mês anterior, as providências sobre aluguel da casa, a mudança, os exames, a família…
Bem… hoje aproveitei (os vários dias sem, internet) pra botar a leitura de blogs em dia. Estou devendo atualizar a lista de link’s (e inserir alguns blogs que eu já comecei a ler e retirar outros que desapareceram), mas hoje além de lutar com o pensamento acelerado e doentio, tenho que lutar contra um computador feladaputa que insiste em congelar a digitação de três em três minutos. Já não basta eu não conseguir externalizar com velocidade suficiente o que minha mente pensa… ainda tenho um computador que me atrasa mais ainda…
Bem… é isso. Volto quando puder – se lá na Venezuela tiver internet decente, o que eu acho complicado.
De qualquer forma tento manter contato, mesmo que mensal. Continuem comentando e mandando e-mails.
Bjos e abraços aos leitores (as).
Como manter o equilíbrio em cima da corda bamba?
Essa é a pergunta que tenho me feito nos últimos dias. Estou trabalhando num emprego novo, e isso todos já sabem. O fato novo é que meu trabalho, apesar de ser bastante gratificante, de não ser nada monótono e de me valorizar enquanto profissional, é um trabalho totalmente contrário ao equilíbrio. Meu chefe é um porra-louca da mais alta porra-louquice. Meus horários são uma zona. Meu acesso à dinheiro é relativamente aberto. E eu estou completamente perdido.
Não no emprego, claro. Sou bom no que faço, e o que faço, sei fazer da melhor maneira possível – melhor inclusive do que alguns que já estão há muito tempo no ramo. Estou perdido é com meu transtorno bipolar. Como tenho um chefe altamente megalomaníaco (e desconfio, bipolar ao cubo), todo o meu transtorno contido acaba parecendo brincadeira de criança, perto dele. E infelizmente, acabo sendo estimulado à megalomania – coisa que eu sei não ser nada seguro para mim. É como se estivessem o tempo todo oferecendo álcool a um alcóolatra em recuperação. Só que não sabem que eu sou um bipolar, e por isso me “tentam” o tempo todo. E mais… acham que é normal oferecer álcool às pessoas. Não sabem o risco que corro em ser tentado constantemente.
Ironicamente, tirando o sono perdido (que me faz muita falta), a mudança da rotina “equilibrada” de alimentação, sono, horários de trabalho, viagens, etc… não parecem ter me feito mal (ou ao menos muito mal). Talvez o fim da minha insatisfação profissional tenha maquiado… não sei… mas como já disse, tirando o sono, me sinto tão bem quando poderia me sentir.
Talvez o dinheiro – que realmente parece ser a raiz de muitos dos meus males, para não dizer todos – que hoje tenho (e que deixa de ser uma grande preocupação, afinal) tenha me dado um alívio. Digo… antes se eu atendia qualquer desejo, me endividada. E isso logo parecia ser um forte sintoma do TBH. Agora… gasto, me realizo, e isso nem parece ser tão ruim assim. Ou talvez eu não queria enxergar… mas vou indo.
O maior problema dessa rotina louca é o afastamento dos amigos. Os da internet e os reais. Em uma semana, eu entrei na internet apenas pelo celular, pra checar e-mails. E boa parte das ligações de amigos reais que recebi, foram recusadas por estar em meio à importantes reuniões ou em locais onde o uso do celular não é permitido…
E eu me pergunto, como manter o equilíbrio… Quer dizer… nem sei se estou desequilibrado ou não. Tudo é muito novo – sensações, possibilidades, limitações… Espero que eu consiga lidar com isso tudo.
E pra que o post não se torne tedioso demais… lembrei que comprei um massageador para as costas… E uma noite dessas resolvi tentar outras utilidades – passei nos pés… depois massageei as pernas, e por acaso fui para o baixo-ventre…. De lá o massageador foi para meu pau aquele-lugar-que-não-devo-falar-na-internet-para-ser-politicamente-correto… e bem… pode ser estúpido, mas depois de uns oito minutos… tive um orgasmo que há muito eu não tinha. Eu já havia imaginado uma mulher se masturbando com um negócio daqueles… mas não imaginei que poderia, sendo homem, fazer algo semelhante. E isso me deu idéia do que querer de presente de aniversário – que está quase chegando: quero um grande e forte orgasmo. Ou vários. De preferência que não seja solitário.
Agora… vou indo. Depois deixo mais posts. Ah… continuo lendo os recados, os blogs amigos… mesmo na correria, não esqueço de vocês.
Novo emprego
Tenho gostado bastante do novo emprego, exceto nos raros momentos de tensão – onde toda a equipe quer confrontar o chefe, mas ninguém tem coragem: todos me estimulam, dizem que vão me apoiar, e quando eu começo, todos caem fora. De qualquer forma, estou gostando bastante.
Por outro lado, tenho tido cada vez menos tempo para a internet. Em parte isso é bom, porque a internet já não era mais a mesma coisa. Mas sinto falta de algumas pessoas, que de tão próximas, emocionalmente falando, se tornaram especiais, mesmo estando distantes fisicamente.
Nos últimos dias eu estive em Brasília. E como meu irmão aproveitou pra vir passar férias em minha casa exatamente nesse período de transição para um novo emprego… ele tem me acompanhado em minhas viagens de trabalho. Felizmente ele é super tranquilo, e não estressa com isso.
Bem… eu nem poderia estar aqui, agora. Tenho coisas à fazer. Mas tinha que passar pra dizer que estou com saudades de muitas pessoas, que mesmo sem postar tenho lido os comentários e que não pretendo abandonar o blog.
É isso. Sobre minha saúde mental… depois posto uma notinha.
Fui.
Atenção senhores passageiros do vôo…
Acho que nesses últimos doze dias eu ouvi mais essa frase do que meu próprio nome. Agora estou no aeroporto, prestes a – finalmente – embarcar pra casa. O avião está pelo menos cinquenta minutos atrasado, mas isso vai me dar tempo pra checar e-mails, pagar minhas contas pelo internet banking e postar aqui no blog.
As viagens só me renderam serviço. Aqui, agora. E para o futuro. Só o relatório de prestação de contas me deixará umas duas horas com serviço entediante. E bem… quase não pude passear.
De qualquer modo, valeu muito. Só as paisagens que vi são suficientes para valer à pena. Tirei algumas fotos – poucas, é verdade. Mas as memórias valem muito mais do que tudo. Da minha cidade, para o país. E futuramente, quem sabe, para o mundo.
Mas o maior resultado da viagem foi perceber quanto potencial existe dentro de mim. Foi notar que no passado eu tinha que marcar uma fala de quinze minutos com o presidente da empresa, e me sentir “favorecido” por ser atendido. E me portar como um robô, sempre com as mãos debaixo da mesa e com as maiores formalidades. Sentir medo, de falar algo e ser mal interpretado, de ser mandado embora… E hoje, perceber que eu transito entre pessoas importantes, influentes e muito maiores do que o próprio circulo de relacionamento do presidente de minha empresa. Autoridades nacionais. E ando de cabeça erguida, trato com as autoridades de igual pra igual.
E… bem… As notícias já estão se espalhando pelo meu antigo emprego. O pessoal acha que é só vida boa. E bem… não é vida boa, mas o lado mal do meu ser adora que outros sintam inveja – sobretudo pessoas que nunca me valorizaram ou me deram crédito.
Bem… é isso. Bateria no notebook acabando… e vôo sem nem previsão.
Depois passo aki. Abraços a todos.
Retratos do dia-a-dia
Hoje eu me comovi – pra não dizer que senti pena. Detesto quando vejo alguém passar vergonha. Infelizmente a humanidade não sabe se comportar com alteridade. Até crianças adoram gozar de qualquer coisa. Crianças riem dos colegas que tem o nariz maior, que são altos demais ou baixos demais… cabelos, marcas na pele, etc… tudo é motivo de gozação e exclusão.
Voltando à comoção de hoje. Estou há alguns dias em tour pelo país, fazendo um trabalho de inteligência competitiva. Por isso sumi do mapa (do blog). Desci pra o restaurante do hotel, pra jantar, sentei num canto com melhor visão (como sempre tento fazer). Bem… só pra situar, estou num hotel 4 estrelas – a empresa tá pagando bem, que mal tem. O restaurante era cheio de frescuras, até pra mim, que estou acostumado com formalidades. Havia um buffet de antepastos, frios e talz… 60 reais o quilo. E também haviam as opções à la carte, inclusive com sugestões promocionais. De repente entrou no restaurante um senhor, de calça social, camisa com a gola surrada, chinelos estilo nordestino, também surrado e meio sujo. Parecia bastante com meu pai, versão roceiro. Ele pegou um prato e começou a servir-se no buffet, e fez um prato daqueles “montanhosos”. Quando pesou, a balança mostrou o salgado preço…
O senhor ficou sem saber se deveria desfazer o prato ou seguir em frente… tentou argumentar com o garçom à balança, mas o rapaz nem sequer permitiu que ele esvaziasse o prato. Ao mesmo tempo, cinco ou seis garçons ficaram dando risadas e fazendo comentários inapropriados. Putz… senti raiva. Corri ao encontro do senhor e convidei-o para sentar-se comigo. Conversamos pouco. Ele envergonhado e ocupado com a comida, e eu sem assunto… Então na hora de ir embora, eu propositalmente troquei as comandas (a minha tinha sido um pratinho sugestão do tipo lanchinho)..
Ao passar pelo balcão, eu ralhei com os garçons pela sua indiscrição. Fui formal. Apenas disse algo do tipo: “Vocês não deveriam fazer comentários impróprios deixando clientes desconcertados”. Passei pelo balcão e reclamei com a gerente do hotel.
Ainda estou puto de raiva até agora. Só vim porque precisava mesmo postar isso, antes que resolvesse explodir o restaurante.
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Bem… de resto, estou quase surtando. Dez dias fora de casa estão me matando. Não por saudade ou distância de casa. O foda é que estar sozinho, almoçar sozinho, dormir sozinho… me deprime. E olha que uma das coisas que eu mais gosto é viajar e conhecer lugares novos. Por sorte conheci uma comissária e foi legal. Infelizmente ela me abandonou – e disse que tudo aquilo seria apenas uma aventura de uma só noite. Ingênuo, eu.
No mais, as coisas estão dando certo pra mim. Sinto que estou numa fase de “céu-astral”. E olhe em tese eu deveria estar em inferno astral.
Falei com uma pessoa especial esses dias, que há tempos não falava. Vi que fui citado num blog e fiquei SUPER feliz. E de resto, devo ir pra casa em três ou quatro dias.
Ah…
Adorei os últimos comentários e os novos fãs. Não estou dando conta de responder os comentários, mas tenho lido-os e adorei mesmo.
Bjos e abraços pra todos.
Quebrado por dentro…
Adoro assistir séries. E bem… eu as assisto porque de alguma forma eu me identifico com elas. E serve até como uma forma de terapia: eu assisto, reconheço os personagens, verifico padrões de comportamento com as quais eu me identifico e busco soluções pra os personagens – soluções que na verdade são pra mim. E bem… recentemente a série que tem me causado maior identificação é Grey’s Anatomy, uma série médica.
Me identifico muito com Meredith Grey, uma das personagens principais – e a narradora dos inícios e términos dos episódios. Ela é uma residente de medicina, e filha de um ícone na medicina, Ellis Grey (que ficcionalmente descreveu o Método Grey de Anatomia). No decorrer da série, vemos Meredith conhecendo seu pai, alcóolatra que abandonou o lar, e sua meio-irmã, Lexie. Tem que cuidar de sua mãe, que sofre de Alzhaimer – e que sempre a deixou de lado por causa da medicina, e que por último, cobrou que Meredith fosse “a melhor”. Além disso tem que lidar com “a sombra” da mãe, no hospital; e com o seu chefe, que mais tarde descobre ter sido o motivo da separação de seus pais, o grande amor de sua mãe… e que ele não teve a decência de largar tudo por ela. Conhece um médico mais velho… Derek… e começam a se relacionar, quando percebe que sua vida e seu comportamento são resultado de sua infância: a cobrança de performances, a rejeição da mãe, o abandono do pai, etc…
É uma versão da minha história. Meu pai não era alcóolatra, mas era bruto e não separou de minha mãe, mas vivia mais com a outra família. Minha mãe não era médica, nem criou uma teoria… mas sempre se dedicou mais ao trabalho do que à família (mesmo sob o argumento de sustentar à casa). Eu sempre cresci tendo minhas necessidades emocionais em último plano. E no fim tive que cuidar de minha mãe à despeito de minha própria vida (inclusive desfazendo um noivado). E isso sem contar com a pobreza, os abusos sexuais, a repressão religiosa…
Meredith diz que hoje entende porque seus relacionamentos não costumam dar certo. Porque ela é uma pessoa quebrada por dentro. É como eu cheguei à conclusão que me sinto. Quebrado por dentro. Destruído. Procurando conserto. E talvez nem tudo seja culpa do transtorno bipolar do humor. Nem tudo…
Mas Meredith encontra na terapia e na leitura dos diários de sua mãe uma forma de abstrair essa dor que ela sente. E ajudada por seus amigos e por seu namorado… e até mesmo pelo ex-amante de sua mãe, também seu chefe, ela consegue ir consertando as coisas aos poucos.
E eu… eu vou encontrando cura nos remédios e na terapia. E nos seriados também. Infelizmente não tenho amigos próximos e uma namorada como a personagem de Derek Sheppard pra me acolher. E hoje… hoje eu só queria estar assim, acolhido. Me sentir seguro. Afagado. Importante pra alguém, mas de um jeito tão próximo, tão especial e tão íntimo, que isso fosse suficiente pra suprir tudo. Ok… sei que isso é muito, mas eu tenho o direito de sonhar, non?
…
Mudando de assunto. Escrevi um rascunho de post, mas como ele ficou meio sem contexto, e como eu queria escrever essa reflexão do “quebrado por dentro”, eu acabei desistindo de reformá-lo. Então vou contar aqui mesmo. Estou mudando de emprego.
Seria uma longa história, mas… eu estava no lugar certo, na hora certa, fazendo o que sei fazer de melhor (e que na ocasião era a coisa certa). E a pessoa certa me viu, e pensou que eu fosse a contratação certa pra se fazer. Em menos de duas semanas o que foi uma coincidência passou a ser um contrato de trabalho. Trabalhar metade do que trabalho hoje (e com horários totalmente flexíveis), pra ganhar o triplo do que ganho (e com possibilidade de ascensão e de fazer trabalhos como freela por fora), numa cidade muito melhor do que a minha (e que fica bem próxima). E fazer exatamente o que gosto e que é aquilo em que sou melhor – coisa que minha empresa anterior não havia enxergado. Vou trabalhar diretamente com o Presidente da nova empresa. Terei uma equipe com pelo menos cinco pessoas… enfim… estou super empolgado. O departamento/cargo é uma espécie de inteligência competitiva, só que em uma área mais especializada.
Mas nessas duas semanas estou cansado prá caralho caramba. É que ainda estou no emprego antigo, mas já comecei a trabalhar para o emprego novo (virtualmente) e ainda alguns projetos do emprego antigo pra finalizar e outros pra repassar à outras pessoas.
E bem… confesso que esse momento de transição me assusta um pouco. Deixar uma zona de conforto, onde apesar d’eu não ser reconhecido financeiramente, eu era considerado o melhor no que fazia…. e ir pra um lugar que pela própria natureza é desafiador por sí só, e aonde você ainda não é conhecido e respeitado como profissional… bem… é de fato um pouco assustador. Mas sei que é um desafio necessário. A única forma de não continuar estagnado.
O mais interessante é que o Vice-Presidente de Administração do meu emprego (o velho) disse que ficou surpreso e chateado com a minha saída. Explico: há meses atrás ele me disse que a empresa estava expandindo um Departamento e que me levaria pra lá, para ser o segundo do departamento. O problema é que já tem muito tempo, e eu não poderia perder essa oportunidade nova. Promessas não pagam minhas contas. E além disso, o atual gestor desse departamento me confessou que ganha menos do que a proposta do novo emprego. Falei na cara do VP de Administração que eu estava aberto à negociar minha saída. Ele mudou de assunto, arrumou um compromisso urgente e foi embora.
Confesso que seria mais confortável pra mim continuar nessa empresa. Até mesmo porque mesmo nesse outro departamento, eu já sou respeitado. Mas… como a empresa não está disposta à me valorizar financeiramente de modo adequado… lamento não poder rescusar uma proposta mais interessante (sim, estou sendo um pouco sarcástico… mas só um pouco, ok?)
Bem… é isso… se eu demorar à postar, não se preocupem, não suicidei. Apenas estou abarrotado de trabalho.
É isso.
Insônia
Já passou de duas da manhã, e como diria Ed Motta, “não fiz nada até agora, vô sair fora… mais um dia se passou e eu não posso parar, essa é a hora”. E vou ter que “acordar” às 4h, e matar serviço. É que tenho que ir pra uma cidade X, pra de lá ir pra uma cidade Y (bem ao estilo “do contra”). É como querer ir pro Rio (saindo de São Paulo) e ter que passar em Sorocaba ou Campinas…
Bem… mas eu vim mesmo foi postar sobre a insônia. Maldita insônia de um bipolar em tratamento. Antes, quando eu não tomava os veneninhos, minhas insônias podiam durar dias, mas eu sempre tinha excelentes coisas pra fazer. Naquela época eu conseguia fantasiar coisas sinistras, eu conseguia estudar horas à fio, conseguia ficar assistindo seriado de madrugada, e navegar na net era sempre muito interessante.
Não sei se isso é problema dos remédios ou meu, mas o fato é que até mesmo o sono parece chato. Quer dizer, antes o sono era pouco e escasso, mas eu conseguia sonhar (e ocasionalmente até manipular o tema dos sonhos, retomar sonhos anteriores e continuar, essas coisas). E mesmo que eu não sonhasse, o sono naquela época parecia importante: artigo de luxo, mas que quando eu conseguia dormir, ele era realmente revigorante. Até como fuga ele era muito bom. Eu dormia e esquecia dos problemas. Hoje dormir é apenas mais uma burocracia fisiológica, e sobretudo psicológica (porque se eu não dormir, acabo surtando). O sono não é mais revigorante. E se eu dormir uma hora a mais, depois eu não consigo dormir direito, no outro dia.
Aliás, até a insônia hoje é uma bosta. Eu não consigo estudar, porque me falta capacidade de concentração. Também não consigo ler um livro numa sentada ou assistir seriados, porque fico preocupado que o sono pode me fazer falta. E não só isso, mas eu não consigo me concentrar, minha mente perde o foco. A net… bem, a internet deixou de ser o que era há muito tempo. E meu quarto, que sempre foi minha Nárnia particular (ou seria minha Hogwart’s… ou a cidade dos Elfos, as Terras Médias… sei lá, pode escolher…) agora me parece apenas um cubículo apertado, desorganizado e com as paredes precisando renovar a pintura.
E quando eu penso nisso, é inevitável questionar: Que estabilidade é essa? Será se Erasmo de Rotterdam estaria certo em elogiar a loucura, já que possivelmente ela [a loucura] é que dá aos homens toda alegria e gozo que se pode imaginar?
Digo isso, porque a vida hoje se resume à duas alternativas básicas: fazer um tratamento, que será para o resto da vida, complexo, caro, cheio de efeitos colaterais – e viver uma vida “equilibrada”, que por um lado pode ser menos desastrosa e traumática do que seria sem o tratamento, mas que também certamente será menos alegre, intensa e potencialmente grande; OU largar o tratamento de lado e viver uma vida totalmente desequilibrada, onde você pode ser um gênio, ter super habilidades (algumas delas reais, inclusive, como a capacidade de persuadir, mobilizar, resolver situações complexas como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, etc) – e por outro lado submeter-se à sua própria falta de discernimento, de limites, de auto-crítica, de senso do ridículo (vulgo semancol) e viver sempre em altos e baixos… alguns altos tão altos – mas também alguns baixos tão profundos…
… que no final não sei bem o que escolher. De qualquer modo, serei honesto, visceralmente, talvez. E certamente serei politicamente incorreto, não tenho dúvidas. Hoje vivo entre as duas opções – que parecem totalmente contraditórias e inconciliáveis. Mas eu tento conciliá-las. O equilibrio é sempre o melhor caminho, até mesmo quando uma das opções é o próprio equilíbrio – portanto, não seja sempre equilibrado… hehehehhehe…. (se meu professor de lógica visse isso, estaria surtando).
O fato é que, embora meu psiquiatra recomende a continuidade do tratamento; que meus amigos me questinonem sobre a manutenção da minha medicação (e eu sempre minta, dizendo estar com a medicação “em dias”), que eu mesmo saiba que deixar de tomar a medicação é perigoso e potencialmente danoso (dano de cujo maior afetado serei eu mesmo)… embora eu saiba de tudo isso, não consigo evitar de tomar a medidação. Só pra contextualizar, voltei a tomar a medicação segunda-feira, ok?
O fato é que, inevitavelmente minhas conclusões me impedem de manter esse tratamento sempre. Não conseguiria ter terminado a monografia tomando topiramato e carbolitium. Não conseguiria ser aprovado no exame e no concurso. Não conseguiria dar conta do trabalho, na época da auditoria. Não conseguiria quebrar meus jejuns de sexo. De alguma forma, todas essas coisas são graças à mania. A mania é parte de mim, e eu sou dependente dela. Mesmo que eu tenha “reaprendido” depois da medicação me “emburrecer” (reaprendido à ler, à pensar, à me concentar, à me focar), esse processo bateu num limite. Com a medicação eu só consigo ler até um ponto. Eu só consigo pensar uma coisa de cada vez. E isso pode ser bom até certo ponto. Mas nem sempre.
O foda é que a sociedade acaba cobrando sempre mais. Você precisa produzir mais. Você precisa estudar mais. Você precisa mais…. Agora quando a gente surta e “gasta mais”, eles não estão nem aí pro fato de você ser um bipolar, uma pessoa sem auto-controle, sem capacidades pra administrar suas finanças, etc… Agora se você não puder produzir e trabalhar como um bipolar (em mania), você é demitido. Se você não conseguir cantar mulheres como um bipolar (em mania), você acaba a noite sozinho, num balcão, tomando uma bebida qualquer e se lamentando por não ter ficado em casa. Se você não consegue transar como um bipolar em mania, você provavelmente será trocado por um cara “melhor de cama do que você”, mesmo que seja um bom homem, com boas perspectivas de futuro, fiel, carinhoso e blá blá blá.
E sem contar que meus remédios reduzem as crises de mania, mas não reduzem minha depressão (contextual) e sobretudo não reduzem minhas crises de humor misto (e meu desejo latente de morte). Minha sorte é a covardia…
E meu dilema continua… E pra ser um pouco politicamente correto, eu conheço alguns bipolares que ligaram o foda-se e estão SE fodendo MESMO. E conheço uns poucos que cumprem o tratamento de modo religioso e vivem uma vidinha medíocre, mas pacata, pacífica, traquila e tá-tudo-bem…
E eu?
Eu vou “dormir”, que ainda “tenho uma hora” antes de “ter que acordar”.
Empatia
A empatia é, segundo Hoffman (1981), a resposta afetiva vicária a outras pessoas, ou seja, uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa, e não à própria situação.
O termo foi usado pela primeira vez no início do século XX, pelo filósofo alemão Theodor Lipps (1851-1914), “para indicar a relação entre o artista e o espectador que projeta a si mesmo na obra de arte.” Fonte: Wikipédia
Nunca me canso de experimentar empatia dos leitores desse blog. Aliás, por meio desse blog eu já me meti em confusao, eu já fiquei com um uma garota bipolar (por quem eu me apaixonei e não fui correspondido), eu já conheci pessoas de longe (e outras nem tão longe assim), eu fiz amizades importantes… Me apaixonei algumas vezes (não sou volúvel, sou carente) e aprendi a tentar não me deixar levar pelas carências – fazer amizade sem achar que fulana é a minha alma gêmea… Até contatos profissionais eu fiz no blog – amigos com quem eu posso discutir sobre meu trabalho e até mesmo achar boas soluções – e num movimento de mão-e-contra-mão, dar sugestões…
E nesse final de semana, numa das poucas ocasiões em que eu entrei no msn do blog, conheci uma pessoa muito especial. E ela me disse que nutria um grande carinho por mim. Sei que isso é resultado da empatia. Aliás, eu sempre me surpreendo, porque boa parte dos meus leitores assíduos são muito empáticos comigo. Uns porque são bipolares e sabem exatamente o que eu estou sentindo. Outros, porque mesmo não sendo bipolares, conhecem ou conheceram algum bipolar e podem ver o quão complicado é ser um bipolar. De qualquer modo, eu me espanto mesmo. Me espanto, porque enquanto eu acho que este blog é apenas uma verborragia, uma coisa qualquer, que faz menos sentido do que eu imagine, uma forma terapeutica de falar tudo e não surtar com as pressões… percebo gente que dá valor no que eu falo, que encontra aqui coisas úteis, e até mesmo gente que me admira.
Faz bem pro Ego, não nego (rimou, hein!!!). Mas o que mais me deixa feliz é saber que tem gente (e não poucos) que se importa. Que o mundo não se tornou um lugar propriamente frio e as pessoas não se tornaram totalmente distantes.
Bem… é isso. Tirando isso, não sobra muito. Fim de semana eu tentei estudar (mas não sai da 6º página do livro). Eu cozinhei feijão (Que eu tava com saudade de comer do meu jeito). Eu visitei amigos, eu trabalhei três horas e meia. Eu dormi. E também assisti séries e filmes. Eu fiquei puto de raiva porque algumas das séries que assisto tiveram fim de temporada, outras acabaram definitivamente, e algumas estão em “recesso”. Eu planejei um limpa (faxinão) nas férias, e estou querendo começar a vender minhas coisas (eu ainda não falei aqui no blog, mas estou planejando ir embora, digo, mudar de cidade, de Estado e oxalá de país)…
Sobre esse lance de ir embora… estou apenas esperando o momento certo, que deve chegar até o final do ano. Mas estou tentado ser discreto: quero organizar tudo e só comunicar as pessoas “na hora”. Bem… é que as pessoas com quem convivo certamente tentarão me dissuadir de ir. Mas se eu ficar, elas nunca estarão perto pra me dar apoio. É mais ou menos como gente invejosa – coloca areia nos seus planos, mas não te ajuda a ir pra frente nunca. De qualquer modo, já avisei todo mundo que precisava saber… muito embora as pessoas não acreditem que eu tenha mesmo coragem pra fazer isso. Mas eu farei. E bem… eu sempre gostei de ficar “avisando”, tipo gente que fica dizendo que vai se matar só pra chamar atenção. Mas agora eu não quero atenção…
Bem… é isso. Agora é tudo.
Outro documentário sobre o Transtorno Bipolar do Humor
Vejam outro documentário sobre o Transtorno Bipolar do Humor:
O diferente é ser normal
Tenho um amigo que é juiz criminal. Há uns tempos atrás ele andou fazendo uns cursos de psicologia e psiquiatria forense, já que é natural ele ter que recorrer à psiquiatras para traçar perfis e laudos psiquiátricos de muitos réus. Ele fez o curso apenas para compreender melhor os termos técnicos utilizados na psiquiatria forense… Mas, um dia a gente estava conversando, e ele disse que havia ouvido de um psiquiatra (renomado no Estado), que não existe ninguém que conseguiria ser 100% aprovado num teste psiquiátrico. É mais ou menos o que os médicos dizem sobre a saúde: não existe ninguém 100% saudável, existem pessoas que não foram suficientemente examinadas.
O fato é que grande parte das pessoas, de algum modo, possuem alguma patologia psiquiátrica. A grande diferença é que existem níveis diferentes da patologia, sendo que aqueles que possuem níveis socialmente admitidos são considerados “normais”. Dizem até que a mudança do termo “Psicose Maníaco-Depressiva” foi modificado para “Transtorno Afetivo Bipolar” e mais recentemente para “Transtorno Bipolar do Humor”, não apenas pelo estigma que o nome anterior causava (aquela coisa do politicamente incorreto), mas também porque a difença entre os “normais” e os “doentes” não é a oscilação do humor (bipolaridade) em si mesmo, mas o “transtorno” causador (ou causado) por essa flutuação.
É comum receber novos visitantes aqui no blog que dizem não saber como vieram parar aqui, e que de alguma forma se identificam com o blog e até pensam se não são bipolares. Acho que é por isso que estou escrevendo esse post. É comum termos momentos de alegria excessiva (mania) e outros de momentânea tristeza (depressão), sobretudo se esses comportamentos (ou variações do humor) estão adequadamente ajustadas às situações contextuais da vida cotidiana. Hein? Falei difícil, né? Em outras palavras: é normal ficar super alegre e eufórico quando se passa no vestibular, se ganha um carro e começa a namorar com uma menina muito gata, tudo ao mesmo tempo; asssim como é totalmente normal ficar “pra baixo” quando se perde um familiar, um amigo se muda pra outro Estado ou se é assaltado (e nem precisa juntar tudo ao mesmo tempo).
Estranho é fingir tristeza (e não se sentir exatamente triste) quando alguém muito próximo à você falece; sentir euforia durante quinze dias seguidos, e ficar sem dormir por causa disso; se isolar do mundo, deixar de comer, de sair e de fazer coisas legais exatamente quando você é promovido, ganha um aumento, tem roupas novas no armário, é aceito num grupo legal de pessoas, recebe convites pra estar em todas…
Além dos transtornos, claro. Não ter controle com dinheiro pode ser falta de educação financeira; mas quando você não consegue definitivamente se segurar, mesmo que você seja uma pessoa metódica e controladora (e ainda por cima compra coisas totalmente inúteis só pelo prazer de “comprar”)… bem… isso sim já é um problema (que não precisa ser necessariamente transtorno bipolar do humor, mas pode ser uma compulsão por consumo). Ter medo de dormir numa casa num bairro perigoso, sozinho, é uma coisa normal (e não apenas para mulheres), mas ter medo quando se mora num condomínio super seguro, se está com cinco ou seis pessoas em casa… etc… já beira a paranóia (ou a síndrome do pânico, por exemplo).
Além disso, o blog não é exatamente sobre Transtorno Bipolar do Humor, mas sobre a vida de um bipolar que tenta andar em cima da corda bamba. Aliás, tenho vários post’s onde eu menciono que beber remédio à ponto de não ter oscilações (normais) de humor seria até desequilibrado, já que a vida é feita de altos e baixos, e que o crescimento em geral é resultado da evolução em relação à uma condição de limitação.
Ainda tem a dificuldade de diagnóstico do TBH, porque esse distúrbio químico não pode ser quantificado em exames acessíveis (existem exames que permitem elaborar uma hipótese clínica), e porque boa parte dos sintomas pode ser confundido com outros distúrbios (depressão unipolar, hiperatividade, distúrbio déficit de atenção, transtorno de personalidade limítrofe, também conhecido como borderline, dentre outros).
O fato é que rotulamos pessoas. Se um cara mata alguém de maneira cruel, é psicopata. Se é uma pessoa malcriada (acho que é junto, na nova regra ortográfica) e cheia de “vontades” totalmente loucas (ou se é uma pessoa indecisa, ou ainda tem múltiplas personalidades ou é mal caráter assumida) é bipolar. Se a pessoa se estressa, é síndrome de ansiedade. Se ela sente palpitações e o exame médico não demonstra nada anormal no coração, é pânico.
O outro fato é que todo mundo tem problemas psiquiátricos – uns em uma intensidade tão pequena (ou que culturalmente são tão aceitos socialmente) e outros de uma forma que afeta não somente a própria vida, como a vida dos outros.
Também é fato que existem pessoas que tem os transtornos psiquiátricos e adotam-no como desculpa, fuga das responsabilidades (assim como eu faço, ocasionalmente) e algumas que querem tê-los não apenas por identificação (com outras pessoas), mas por ser o hit da moda.
Bem… com isso não quero desestimular que os leitores apareçam por aqui, bipolares ou não. Quero apenas demonstrar a importância de buscar um diagnóstico equilibrado e, sobretudo, de não identificarem meus comportamentos pessoais com o Transtorno Bipolar do Humor, doença de que sou portador. Assim, espero sinceramente que as pessoas que se identifiquem comigo continuem visitando o blog, mas que não se acreditem bipolar, a menos que se enquadrem em critérios clínicos da doença e, nesse caso, busquem um especialista para diagnóstico. Aos que não chegarem a tal situação, mas que se identificarem com meus dilemas e comportamentos pessoais (com o transtorno bipolar, sem o transtorno ou apesar do transtorno) também serão sempre bem vindos aqui, assim como amigos, parentes e gente que lida com outros bipolares.
E sempre que quiserem interagir, sintam-se à vontade, inclusive pra sugerir post’s, fazer perguntas… E isso vale pra quem não gosta de deixar comentário (por medo de se expor ou por preguiça), mas que fala comigo pelo e-mail desbipolarizando@hotmail.com ou pelo MSN. Só lembrando que deixar o e-mail ao comentar é obrigatório por regras do servidor do blog, mas o e-mail fica visível apenas para mim (e portanto, você pode comentar sob um pseudônimo, e o e-mail é usado apenas se eu quiser responder o comentário via e-mail).
Aos amigos blogueiros, desculpem por não comentar ultimamente, mas tenho os lido sempre.
Bem… é isso.
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