Um post, dois temas…

Bem… como o título diz, esse será um post com dois temas. Pura preguiça de escrever dois posts. Aliás… se eu fizesse dois, poderia programar a data da postagem… assim, os leitores achariam que eu “voltei”. Mas como minha honestidade e minha preguiça me impedem… será apenas um post, com dois temas (vários, na verdade… como todo bipolar, a mente divaga e não é possível se centrar em uma única coisa… enfim… dois temas principais e vários temas “secundários”).

Tema 1 – O blog, o “retorno”, os comentários, as visitas, minha vida, conjecturas diversas sobre esse lugar…

Em primeiro lugar, eu confesso que estou surpreso com tudo o que vi hoje. Abandonei o blog há meses, e ainda tenho várias visitas diárias. Tem gente que volta, na esperança de achar um post novo (confesso: eu ainda volto em alguns blogs favoritos abandonados, na esperança de ver novas postagens). Tem gente nova chegando. Tem post que os comentários viraram bate-papo, ou, pelo menos, uma sala de estar, um lugar de ajuda mútua…

Como sabem… eu “abandonei” o blog por obra da vida. Primeiro porque resolvi abandonar minha bipolaridade… hahahah… parece piada, mas eu queria esquecer um pouco isso, embora a rotina não me permita. O segundo motivo eu não quero revelar de modo objetivo, pra não me expor, mas, em síntese, é que na minha atual situação, não dá pra ficar entrando na net com frequencia e, quando dá, é difícil poder acessar o blog e postar (imagine que eu seja um militar na selva, ou passei pra um concurso pra juiz ou promotor no meio do nada, ou virei policial na fronteira, ou virei agente secreto da abin e todas as minhas conexões estão rastreadas… entrei pra um reallity show no méxico e não dá pra ficar entrando na internet… ou estou no alasca, onde a internet só funciona quando tem sol, ou simplesmente casei e a mulher é ciumenta demais, possessiva, e ainda por cima é analista de sistemas e não é seguro acessar a internet em casa…). Imagine o que quiser. Em todo o caso, tenho lido os comentários sempre que possível. Infelizmente, não tenho podido responder… mas espero que os vários visitantes tenham achado os endereços de e-mail uns dos outros, e haja interação saudável.

O fato é que continuo bipolar, continuo sozinho (não, eu não me casei, ok?), continuo com dilemas existenciais e… embora a vida hoje esteja muito melhor do que era no passado, ainda preciso vir ao blog, desabafar (mesmo que não possa fazê-lo com  frequencia e facilidade que eu gostaria).

Além do mais, percebi que há uma ilusão no início do tratamento: quando a gente se assume, as pessoas sabem que somos bipolares… as coisas melhoram. É verdade que quando eu berrei pra todo mundo ao meu redor que eu era bipolar, teve gente que achou exagero, outros que ficaram chocados, e outros que finalmente pararam pra me ouvir. E na época, eu senti, realmente, um verdadeiro alívio. Parece que tudo, naquela hora, tinha explicação e eu não era exatamente a pessoa mais desequilibrada do mundo, mas apenas uma pessoa tentando lutar contra a sua própria condição/enfermidade.

Só que a sociedade ainda é muito hipócrita e eu ainda não havia me dado conta disso. Ok, eu havia sim. Mas eu achei que se eu mostrasse pra todo mundo quem eu realmente era, a hipocrisia iria continuar, mas eu me sentiria mais leve. Eu me senti. Mas só por um tempo. Depois eu vi que a “leveza” tinha um preço alto: eu nunca mais conseguiria ser o mesmo, no conceito das pessoas. Eu nunca mais conseguiria promoções. Nunca mais conseguiria indicações pra empregos melhores. Nunca mais conseguiria um relacionamento “normal”. Nunca mais as pessoas confiariam que eu sou capaz de me manter sob controle, equilibrado…  Então eu fiz o óbvio: pedi demissão, mudei de casa, de carro, de amigos… Não mudei de família, mas me afastei deles… mudei de psiquiatra, de psicóloga. Mudei de farmácia. Mudei até mesmo os caminhos que uso pra chegar em casa. E comecei uma nova vida… onde as pessoas não sabem quem eu sou.

Não é porque a gente se assume gay, bipolar ou qualquer outra coisa (e alguns até tem orgulho disso) que a vida fica mais fácil. E em alguns casos, ninguém precisa ficar sabendo… Ora… eu não pergunto sobre a vida sexual dos meus colegas de trabalho (se ele faz, o que faz, com quem faz, o que usa etc)… eles não precisam saber da minha. Também não peço pra ver o exame cardiológico ou a taxa de glicemia dos colegas… ninguém precisa ver o meu eletro encefalograma e nem saber qual é a minha litemia. E a menos que você seja um gay famoso ou um bipolar famoso (isso só pra exemplificar), você ainda vai precisar se “ajustar” à sociedade pra viver razoavelmnte bem. Quando um ator global aparece no rock in rio bêbado ou drogado… ele vira hit nas redes sociais… Sim, hoje é dia de rock, bebê !!! Quando um ator faz uma tatuagem mega-ultra-escalafobética… é sinal de personalidade, e ele fica mais famoso. Se o jogador de futebol engorda um pouco, mas faz gol… ninguém nem tá ai com os quilinhos extras… Se você é nordestino e é cantor… você é fodão. Mas se você é gay, nordestino, negro, tem tatuagem, ou fica bêbado constantemente e, ainda por cima, não é rico ou famoso, se cuide: você vai sofrer discriminação, preconceito, isolamento…

E essa história me faz chegar ao segundo tema:

Tema 2 – A carência afetiva…

Eu sei, caro leitor, cara leitora, que esse é um assunto batido. Mas o fato é que estamos todos carentes. Vocês vem aqui pra buscar um lugar aonde possam se identificar, aonde podem ser vocês mesmos… Alguns dariam tudo pra receber uma resposta minha (grandes merdas… embora possa parecer que eu sou um cara legal, cult, com um blog bacana… sou um merdinha igual a todo mundo) e outros(as) pra ter o meu e-mail pessoal. Recebo muitos comentários com gente pedindo pra conversar. E se eu pudesse, eu conversaria com cada um, por horas… Mas a questão não é essa.

A questão é que eu sou assim com alguns blogs que eu curto e, daria tudo, pra ser visto ou notado. Esse é um fenômeno que se agigantou com o crescimento das redes sociais. No entanto, temos cada vez menos amigos reais, mais gente invejando a gente e mais vazio. Carência agora é uma questão mais profunda.

Temos amigos, mas eles não suprem nossa carência. Vamos pra balada, mas no outro dia continuamos com um vazio. Tem igreja que diz que se você for pra missa, pra sessão ou pro culto, você não vai mais ficar vazio… mas você fica. Porque ninguém te entende como você gostaria. Ninguém te dá tudo o que você precisa. E mesmo que você se esforçe pra dar o que as pessoas querem, elas nunca lhe retribuem à altura.

E olha… confesso… estou desesperado pra casar. Mas me sinto cada vez mais gordo, cada vez mais feio… Embora eu saiba que sou um “partidão”, me sinto cada vez mais inseguro. E isso sem contar que eu estou com cada vez menos libido e… malditos remédios !!! Mas não acho nenhuma louca que seja suficientemente equilibrada e que não queira só o meu dinheiro, ou que não seja sexualmente insaciável. E que aceite minha bipolaridade e minha vida atual (só pra ficar claro: não sou traficante de drogas, de armas, de pessoas, de órgãos… não sou criminoso de qualquer espécie, ok?).

Bem…  e sei que você se sente, também, de alguma forma carente. E mais que isso, de alguma forma inapropriado(a). Mais gordo, mais magro, mais sem dinheiro, mais sem saco… do que o que realmente é.

Isso só nos afasta ainda mais dos outros…

Bem. É isso. Ainda tinha muito o que falar, mas agora preciso ir. Meu tempo acabou.

Beijos a todos os leitores e leitoras. Não percam a esperança de que eu volte. Eu voltarei… só não sei quando.

Desbipolarizando.

Anúncios

6 comments so far

  1. M_ali on

    Pode demorar mas chega! Chega a hora de ler e esquecer tempos de um silêncio imperial.
    Parabéns pelo poder da síntese!
    Queria eu ter o poder de organizar, retratar – e ainda pincelar tudo com esse humor único.
    Pode não ser fácil – nunca é.
    Pode ser complicado – sempre é.
    Mas ser um (a) bom (boa) partido (a??) rsrs pode ser a solução, ser traficante, gay, morador do Alasca, bipolar, carente, bêbado, astro do rock,tatuado (a)… também pode ser,
    Mas também… pode ser que não.
    Keep going!!!
    .

  2. betty´s on

    Bem…bom te ler de novo por aqui!! Penso, que a única coisa que, talvéz, tenhamos de real seja nossa loucura. Concordo contigo, quando fala das fases, “quando nos aceitamos..etc”, pura merda!! Somos o que somos e ninguém pode comersurar o que se passa em nossa mente!!! Seja bem vindo de volta ao nosso louco mundo real!!

  3. Patricia on

    só conheci seu blog hj, qdo pelo visto vc deu uma abandonada… obrigada, vc sintetizou meus pensamentos… 🙂 salvou uma alma do inferno…

  4. Veneno Bipolar on

    Estou lendo seu blog, já li vários posts e tenho gostado muito.
    Tive diagnóstico há 3 anos, mas neguei, neguei. Agora após uma crise não pude mais negar, e blogueira viciada, decidi tentar desabafar aqui na net. Desabafar e aprender com outros blogueiros.
    Obrigada!

  5. Hugo on

    Oi, acompanho seu blog sempre que posso. Você sumiu, como anda a vida? os tratamentos? Me identifiquei muito com sua história, sou bipolar, há um ano me assumi para minha família, as coisas só pioraram pra mim depois que assumi ser gay, eu achava ser esse meu problema, mas não, a bipolaridade sempre me acompanhou.
    hugo natal-rn

  6. Fabiana on

    Gostei do Blog….simples assim!!! Bj.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: