Archive for dezembro \29\UTC 2008|Monthly archive page

Horcrux

Os livros da Série Harry Potter exerceram profunda fascinação em mim, e creio, por diversas situações de identificação com a história. Infância complicada, discriminação de um lado e popularidade de outro… enfim.

Mas um lado negro do livro fala que o vilão se utilizou de magia negra para dividir sua alma e fixá-la em objetos, tornando-se, assim, imortal. Entretanto, nunca mais pode ser completo. Magia negra à parte, as vezes me sinto assim…

Parece que o transtorno bipolar do humor dividiu minha alma em três ou quatro… Um maníaco, um depressivo, um pseudo-equilibrado e um misto. E as vezes penso que a medicação (carbolitium e topiramato) apenas me afasta da minha humanidade. Por outro lado, parece que ficar sem os remédios apenas demonstram quão grande é essa ruptura. E busco em sexo, álcool, comida… fuga… mas essas coisas parecem que não tem o poder de dividir minha alma, mas de dissolvê-la. Quando mais fugaz é um relacionamento com uma mulher, parece que mais minha alma se desintegra. Quando bebo para fugir, parece que minha alma é lavada com água sanitária de tal modo que começa a desbotar e as fibras do tecido a se desgastarem. Quando me entupo de comida ou se filmes… parece que minha alma se evapora.

E como já disse antes, meu desejo é sumir. Desaparecer. Morrer. E se ainda não tive coragem de fazer isso, é por causa da total inabilidade de encontrar um meio 100% eficaz. Pensar no fracasso (até pra morrer) é me causa muita repulsa. Meu desejo de morte não é pra chamar à atenção (tanto é que poucas pessoas sabem desses meus desejos suicídas). Na verdade, meu desejo de morrer é busca de saída, fuga – e por estranho que pareça, a morte me traz esperança. Por isso, tentar cortar os pulsos, tomar remédios e outras coisas do tipo me causam receio de não morrer (como várias pessoas que conheço) e ainda ter que ouvir um “coitadinho” ou um catequese religiosa dizendo algo como “se você fizer isso de novo vai pro inferno”.

Entretanto, apesar disso tudo, tenho esperanças. Talvez eu encontre um forma de colar os pedaços da minha alma. Talvez eu aprenda a tingí-la com coisas que realmente façam bem ao coração, sem desbotarem-na. Não existe aprendizado sem manchas… Mas quando o aprendizado chega, as coisas tomam novas perspectivas. É isso que espero pra 2009. Que minhas perspectivas sejam mais elevadas. Que as realizações sejam menos “promissoras” e tragam mais “realização interna”. Que façam bem ao coração. Novos horizontes. Novos problemas. Novas sensações. Anonimidade. Distância de tudo o que me faz mal. Do passado.

Enquanto isso, tento não romper minha alma novamente e criar mais horcruxes.

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nada de retrospectivas

Geralmente final de ano é tempo de retrospectivas, revisões, balanços. Eu até dei uma fuçada no blog pra ver posts do ano… Mas não estou a fim de retrospectivas. Sei que errei em muita coisa, e acertei em mais tantas. Mas… o que são planos perto do destino? Fazemos os planos mas todas as variáveis (ou pelo menos a maioria delas) não podem ser controladas por nós mesmos. E  muita coisa boa e não planejada acontece, sem fazermos o mínimo esforço.

Minha virada de natal foi mais frustrante que o ocasional. Eu criei expectativas em relação a uma pessoa – e abri mão de várias coisas por ela… e ela simplesmente foi egoísta. E isso apenas comprovou algo que eu já sabia, mas por ser uma pessoa que acredita no melhor dar pessoas, não quis pensar ser verdade. Mas é. O fato é que eu me coloquei na situação (mesmo inconscientemente) e aprendi a lição (eu acho).

P.s.: detesto ser plano B.

Apesar disso, fui raptado pra ir a uma ceia, que eu nem queria ir e fui apenas por educação e amizade. Mas tava tudo ótimo – foi informal, não teve blá blá blá de natal, os parentes de minha amiga (que eu sempre achei entediantes) me surpreenderam e a comida estava excelente !!!

Pra finalizar o post, apenas um plano para 2009. Sair dessa fase da minha vida e ir para a próxima. Ir embora. Deixar o velho sair e entrar o novo. Mudar. Conhecer lugares e pessoas… sei, era apenas 1 plano. E de fato é: sair dessa fase e ir pra próxima. E seja como Deus quiser.

Inatingível !

Hoje bebi pra comemorar minha formatura (que não será propriamente uma formatura… mas uma colação de grau simples). Ganhei duas garrafas de tequila josé cuervo e uma de preparado para marguerita… e me enfiei nelas (digo, enfiei-as em mim).

Mas… bebi pensando nela. A inatingível. Ela está distante de mim, e ainda faz pouco caso… manda recadinhos de “estou fazendo favor”… e eu fico me consumindo, não apenas porque ela está longe, mas – sobretudo – porque ela é totalmente impossível. Queria poder beijar-lhe a boca, nem que fosse apenas por um instante. Aliás, acho que se eu tivesse ela na cama, não faria sexo com ela, mas apenas a beijaria. Coisas do coração. Pra mim, ela é mais amor do que paixão. Mais desejo afetivo do que carnal. Mas ela tem os próprios problemas… e provavelmente ela acharia que eu desejo-a por causa do TBH. Como diria Djavan, “lhe devoraria a qualquer preço, porque te ignoro ou te conheço, quando chove ou quando faz frio…”

E mesmo que ela não acredite em mim… eu sumi pra tentar tirá-la da cabeça. Não funcionou. Mas ainda assim permaneço resoluto em continuar “desaparecido”. Talvez um dia funcione. E vou dormir sonhando com ela.

inspiração

Hoje acordei inspirado. Mas não tive tempo de anotar, e as coisas se volatilizaram. Ainda assim, alguns trechos daquilo que pensei surgem-me à cabeça durante o dia, como flash backs de coisas que fazem parte da minha história.

Tentei rever os mais visitados posts do blog, e percebi que sempre tem haver com topiramato, carbolitium e medicação. Mas os tópicos mais comentados são aqueles que dizem respeito às loucuras ocorridas em momentos de flutuação do humor.

Talvez seja isso mesmo: todos se preocupam com a medicação, e fazem dela um monstro de sete cabeças, sobretudo no início, quando estão descobrindo a doença e aprendendo mais sobre o tratamento… mas somente muito tempo depois, e depois de se aprofundar, é que se percebe que a medicação talvez seja o menor dos problemas.

Acordar com um “sentimento” de esperança totalmente renovada e forte, como se houvesse tido uma experiência espiritual (religiosa ou não), como se pudesse prever o futuro, o ao menos andar montado nas costas do sucesso…. e ao meio dia imaginar-se como aquele que ganhou (ou que com certeza vai ganhar) na mega sena, mas logo em seguida perceber que tudo não passou de uma inexplicável confusão mental, que a vida parece sem sal e sem cor, que os amigos se afastaram porque você sempre esteve um nível acima (ou vários) quando se trata de insanidade… e pensar que o melhor mesmo é deixar de viver – isso sim, é um problema muito superior à tratamentos, remédios ou efeitos colaterais. E ainda que estes últimos se somem aos primeiros e tudo seja totalmente interligado, eles se tornam infinitamente menores quando comparados no todo.

Trancos e Barrancos Hoje. TBH. Transtorno Bipolar do Humor. TBH.

E mesmo sonhando que os mistérios do mundo aparecem nítidos na minha frente, coisa que “normais” não conseguem ver… ainda assim a infelicidade, a carência, a miserabilidade humana… tudo isso ainda me afeta – talvez até mais que aos demais. Talvez os “poderes” sejam diretamente proporcionais às “dores”…

E sendo feliz, acabo triste. E mesmo na tristeza profunda, reluto em desaparecer, porque ainda me resta uma esperança de felicidade… e vou vivendo.

E o vazio continua

Ontem cheguei em casa cedo. O dia inteiro foi chuvoso, e minha esperança de que a chuva permanecesse até de noite foi concretizada. Ao chegar em casa percebi que não havia nada fácil de comer, e que gastaria no mínimo trinta minutos para preparar algo decente. Desisti.

Pensei em sair e comer algo na rua, mas como já havia tirado os sapatos e metade da roupa, a preguiça foi mais forte e eu resolvi ficar em casa. Tomei o carbolitium e o topiramato, na esperança de que este segundo me saciasse a fome – que mais parecia uma “vontade de comer”, e não fome propriamente dita.

Tomei um rápido banho, com a água pelando de quente, e corri pra cama – querendo aproveitar a chuva. Mas ainda era cedo demais pra dormir. Pensei em começar a ler um e-book. Desisti ao fazer uma busca de cinco minutos e não encontrar nada interessante. Fui navegar no orkut e ler e-mails – e percebi que ultimamente tenho recebido poucos e-mails e scraaps, e as comunidades que eu sempre participei estão chatas demais – e acho que em virtude do meu afastamento as pessoas também esqueceram de mim…

Fui ler blogs. Mas eles não parecem mais os mesmos. Aliás, acho que meu gosto é que está ficando mais seletivo (chato). Os blogs que se salvam são de pessoas que não postam com frequêcia (e eu praticamente já havia lido tudo). Resolvi ir assistir seriado americano. Desisti nos primeiros cinco minutos de Battlestar Galactica. Tentei assistir Private Pratice e também não suportei… Fringe, Merlin, Rome, Six Feet Under e Dirty, Sexy Money eu nem tentei…

Entrei em offline no msn e no skype e não vi ninguém com quem eu quisesse falar. Entrei onine no msn secreto, e também não encontrei nada… Ninguém me encontrou também. Deixei o pc ligado, baixando porcarias… e fui dormir. Torci pra sonhar coisas boas… mas quanto mais eu projetava sonhos, mais eu lembrada de “pesadelos”. Tentava sonhar com “ganhar na mega sena”, mas logo me lembrava de minha colocação profissional no mercado de trabalho. Tentei sonhar com uma linda mulher que gostasse de mim (e nem tinha pensado em sexo), mas logo lembrei de alguns dos aspectos mais negativos de ex-namoradas e ex-rolos. Tentei mentalizar em uma viagem a um lugar paradisíaco, e só consegui lembrar que não vou ter férias agora.

Tendo desistido de sonhar, virei pra um lado da cama e simplesmente pensei coisas entediantes (sobretudo em trabalho) e logo dormi. Mas como era de se esperar, acordei perto de uma hora da manhã. Os downloads estavam concluídos… O MSN tinha reentrado offline e até percebi pessoas interessantes online (em plena semana, nas altas da madrugada – e gente que aparentemente trabalha… Fiquei com receio de começar a conversar e amanhecer o dia – e durante o dia eu ter sono por ter dormido pouco e mal.

Fui até a cozinha e fiz um chá de camomila bem forte e adoçado. Bebi rápido, tomei outro banho quente pra “amolecer o corpo” e ver se pegava no sono “no tranco”. Era tarde demais pra pensar em tomar rivotril. Deitei e rolei até mais ou menos quatro e meia, quando a chuva engrossou, e eu consegui dormir pelo barulho.

Nesse meio tempo fiquei pensando… quão vazias as coisas estão. Até coisas que me faziam feliz como ficar em casa, tomar banho, ler um livro, orkutar e ver seriados estão me deixando deprê. E olha que minha medicação está mais em dia do que nunca. Só me resta blogar.

Descompressão…

Hoje pude respirar – eu acho… No trabalho os dias tem sido semi-infernais – e isso em virtude de muita pressão, muito serviço e da perspectiva de não poder tirar férias agora… talvez em abril ou maio…(interrompi a escrita deste post pra discutir situações com meu chefe…)

Também recebi uma visita surpresa… Meu pai e minha madrasta. Eles simplesmente chegaram sem avisar e eu quase surtei. Pra ter idéia, ou eu tomei uma dose dobrada de topiramato inadvertidamente (não, isso não ocorreu – eu conferi a quantidade de comprimidos) ou eu tive todos os efeitos colaterais juntos e da forma mais severa. Tive que voltar para casa: eu tinha tremores fortes, suores, calafrios, nauseas, tonturas e ainda fiquei achando que tinha esquecido de tudo e que estava dentro de uma série de humor (eu ria e chorava, instantaneamente, devido a coisas tolas). Fui pra casa e tive que me trancar pra não ter que “discutir relação” com meu pai – que aliás não discute… se impõe.

Tive problemas bancários, problemas com meu carro, problemas nas instalações elétricas de casa… Enfim, essa semana foi o caos. Ao mesmo tempo, começo a me desesperar com a descompressão. Descompressão do término do curso. Vazio. Sentimento de estar desempregado (o que é mais dolorido quando se tem um emprego onde você é expremido até o sumo e não é reconhecido). Sentimento de não ter o que fazer… Fico tonto e nauseado, emocionalmente falando, só de pensar nisso.

Bem… ao menos tenho tido a oportunidade de dormir mais e melhor. De ouvir música de noite (o que só conseguia fazer caso negligenciasse o sono). Posso ver televisão à cabo e assistir filmes durante a semana. E também ler com mais paciência, calma e atenção livros sobre assuntos diversificados. Uma hora noturna tem rendido mais que o dia todo… mas ainda me sinto vazio – profissionalmente falando.

É definitivamente paradoxal. Praticamente inexplicável. Incompreensível para quem vê de fora. Mas é assim, exatamente assim que eu me sinto. Como alguém que está há horas dentro de um avião apertado e já não aguenta mais tal clausura – e tem que fazer um pouso rápido: descomprimido.

Loucura mais importante que as coisas mais importantes…

Quinta, 04/12 – Saí do trabalho totalmente desnorteado. No dia seguinte iria apresentar monografia e sequer tinha terminado o meu roteiro de apresentação… Resolvi ir a um barzinho que fica num centro comercial – e serve chopp Heinneken. Liguei pra um amigo, porque queria beber e precisava de compania. Passei na casa dele e fomos. Lá chegando, ele disse que não iria beber. Disse que precisava dar umas voltas e me deixou sozinho. Bebi ainda mais depressa. Quando ele retornou, quase duas horas depois, eu já estava alto. Ele sentou e ficou me atiçando para cantar uma garota na mesa da frente, que aliás usava aliança de noivado e estava com uma amiga que ele queria chegar junto. Ele faz isso, porque sabe que eu sou bom em chegar nas meninas (ou, pelo menos, tenho menos timidez e sou muito mais seguro que ele). Disse que eu não iria e desafiei-o. Depois ele desistiu, e eu usei psicologia reversa – disse que sabia que ele não teria coragem. Na verdade, eu sabia que ele não teria chance. Já tinha observado que a garota não estava nem minimamente aberta. Mas esse meu amigo é péssimo para interpretar sinais (e subentendeu que a menina estava olhando pra ele – quando na verdade pareciam estar esperando alguém, e olhavam sempre na direção da entrada, que ficava no mesmo rumo da nossa mesa). Final da história… meu amigo foi, ficou meia hora lá, e não conseguiu nada além de causar risos na “noiva” e constrangimento na que ele havia escolhido. Eu tomei muitas mais e fui pra casa dirigindo – pois o amigo-da-onça resolveu outra coisa…

Sexta, 05/12– Dia da apresentação da monografia. Desde três da madrugada (após passar o efeito do álcool) eu tive pesadelos. Ou então me via conjecturando milhares de coisas que poderiam acontecer na banca – notadamente as mais absurdas e estranhas.Levantei às 6, e preparei o final do roteiro. Mandei por e-mail pra uma amiga (que iria me assistir) imprimir – já que os cartuchos da minha impressora ressecaram por falta de uso, e eu nunc resolvi comprar novos. Cheguei quarenta minutos antes, na faculdade, e quase tive um ataque. A banca atrasou meia hora. Minha orientadora chegou, mas desapareceu pelas salas da faculdade. E a sorte é que quando ela foi ao meu encontro, o resto da banca ainda estava fazendo outras coisas. Apenas a amiga dos impressos e a Laura apareceram – ao menos elas são amigas importantes pra mim. Quando comecei a apresentação, achei que não iria terminar – minha voz tremia e eu me estranhav (já que não sou tímido, e tenho até facilidade de falar em público). Mas no decorrer da apresentação fui me soltando. Consegui utilizar o tempo adequadamente. E nas arguições, senti-me melhor que nunca. Consegui tirar nota máxima. Pensei em comemorar, indo almoçar num lugar bem legal. Nenhum dos amigos teve disponibilidade. Fui almoçar sozinho, num butequinho mais sem graça do mundo. A comida tava gostosa. E depois trabalhei a tarde toda… De noite tive uma reunião importante (fui convidado pra uma tarefa que apesar de ser sempre próximo do que já faço, oficialmente é mais delicada… aliás, foram três seguidas, as reuniões. Domingo trabalharei o dia todo.

Hoje, 06/12 – Último dia de aula (prova). Tive uma confusão pra conseguir convencer algumas pessoas pra gente sair depois da prova, juntos… nem consegui fazê-los almoçar comigo. Cheguei em casa e dormi até agora.

Mas o que eu não posso deixar de falar é que definitivamente sou louco. Desde a quinta-feira estou planejando abrir um post. Só contei tudo isso pra o post não ficar tão ridículo. Uma coisa se fixou na minha cabeça (que preciso contar nesse post… aliás, que queria contar nesse post… mas não tinha coragem) e apesar de ser “loucura”, me pareceu mais importante que a desfeita-do-amigo-na-quinta, que a monografia-na-sexta e que o final-do-meu-curso-no-sábado.

Não queria, nem precisava contar nenhuma dessas coisas, aqui. Mas o que vou falar em seguida está me atormentando e eu preciso contar. É que talvez eu não tenha coragem de admitir pra ninguém em público – e as coisas que contei, apesar de serem importantes, são todas públicas…

Então… não vou fazer drama e suspense:

Eu uso a escova de dentes da minha mãe, desde que ela morreu, a quatro anos atrás. Eu escovo meus dentes com uma escova normal, e no final eu escovo com a da minha mãe… de leve pra conservar  escova intacta. E já fazem mais de quatro anos que ela se foi. E faço isso todos os dias (primeira escovação). Eu consegui doar roupas dela. Eu não me lembro de ter porta-retratos ou fotos dela no trabalho (em casa eu tenho) ou no orkut (e olha que eu até penso as vezes, mas sempre dá preguiça de escanear ou acontece algo e eu esqueço). Mas inconscientemente eu ainda uso a escova de dentes que era dela. E só na sexta-feira, durante o banho pré-mono eu percebi há quanto tempo (e com que constância) eu faço isso. Eu até levo a escova pra viagens (escondida, claro).

Eu estou resistindo os evento de formatura. Quero os parentes o mais longe possível.  formatura era algo meu e da minha mãe. E só agora, no penúltimo dia de aula, no dia da monografia… é que eu percebo que além da formatura, eu tenho uma ligação higiênico-bucal com minha mãe. Será se eu tenho um trauma na fase oral da minha infância e não consigo lembrar? Mas o pior é que sempre identifiquei todas as conexões que tenho com minha mãe, e elas nunca duraram mais que um ano…

Acho que isso nem Freud explica…

o que faço se o caos acabar?

Esse é um questionamento que tenho me feito recentemente. Minha vida, ultimamente, gira em torno de tentar administrar o caos. Se ele acabar, acho que tudo vai ficar vazio… tédio.

Hoje, apesar de estar super atarefado (novidade) senti uma vontade quase invencível de vir postar. Ainda tenho lido os blogs favoritos, tenho tentado responder aos comments (mesmo estando atrasado), mas deixei de postar há bastante tempo. Hoje eu senti necessidade.

Nada mudou. A conclusão do curso ainda me assusta. Estou cada vez mais viciado em séries de TV, que uso como fuga da realidade. Continuo tendo problemas sérios em administrar minha relação com a família. Continuo semi-anti-social. E… enfim, o TBH continua me fazendo oscilar – uns dias mais, outros menos.

Percebi que não fui feito pra relacionamentos próximos. Ou me exponho demais e sofro por ser rejeitado, ou vejo de modo clínico demais e rejeito as pessoas porque elas estão muito distantes. Talvez, eu ainda não tenha encontrado “a pessoa compatível”. O fato é que estou me desencanando – viverei sozinho, e o que vier é lucro.

E apesar de cotinuar o mesmo, estou aprendendo a construir um mundo interior de pacificação. Estou aprendendo a encarar as coisas ruins como se fossem insignificantes – e demorando menos tempo pra me desapegar das coisas ruins, e mais tempo pra largar as coisas boas… É uma nova perspectiva. Entendi que se o caos acabar, entrarei em tédio e monotonia. Que enquanto houver caos, coisas boas, por mínimas que sejam, terão um valor grande.

Mudando de assunto… natal chegando, começo a entrar no clima de melancolia típico da época – que aliás eu amo. Já começo a ouvir músicas natalinas e minha árvore de natal está montada. A única coisa que detesto é ver as pessoas sendo hipócritas e o desejo delas de que eu passe o natal “em família”… Meus melhores natais foram sozinho, em casa, vendo filme, tomando umas cervejas e comendo frango frito (já é a terceira vez que faço isso). Ano que vem espero poder passar o natal numa cidade distante, com pessoas totalmente estranhas…

Estou pensando em escrever poesias bipolares… acho q não tenho vocação, mas tenho sentido vontade. Sou bom para escrever, mas geralmente textos técnico-científicos e histórias de ficção. Talvez eu use o blog pra escrever um romance bipolar… Mas insisto em pensar em poesias bipolares, tórridas, censuradas, sem nexo, sujas… Vou amadurecer a idéia.

Essa semana devo terminar tudo relacionado à faculdade. Agora só me restará escrever.

Obrigado a todos por continuar visitando e frequentando. Beijos aos leitores(as) assíduos(as).