Archive for março \30\UTC 2008|Monthly archive page

curtas do fim de semana…

Curta nº 1 – sexta-feira de travessuras: de manhã não tive atividade no escritório, ia pra uma audiência. Esta foi desmarcada pois a parte não compareceu e voltei pra casa pra dormir. Depois eu fiz umas travessuras gostosas (quem sabe um dia obtenha permissão pra narrá-las aqui) e com um teor de humor no meio delas, e depois fui trabalhar de tarde. De noite matei aula pra fazer mais travessuras.

Curta nº 2 –  sábado os destinos profissionais da gente se deciciu… pelo menos pelos próximos dois anos… resta saber (amanhã) o que vai acontecer. A nova diretoria da empresa foi eleita. Agora vamos ver como o clima amanhecerá nesta segunda.

Curta nº 3 – abri o jogo com o colega que estou dividindo apartamento e contei pra ele que sou bipolar. Expliquei-lhe sobre a doença… no início ele aparentou estar preocupado, mas pensei que se estamos num período de teste, ele precisa saber a verdade para poder decidir sobre sua permanência. Mas depois ele conversou com uns amigos nossos e ficou mais tranquilo (ao saber que estou estabilizado – e que mesmo em mania não costumo ser “perigoso para terceiros”).

Curta nº 4 – estou apaixonado por uma TBH (que possivelmente encontra-se em estágio de mania). Não sei se deveria estar falando isso aqui… mas como esse blog é anônimo e é um diário, não poderia deixar de registrar minha memória sobre isso. Estou preocupado com ela. Sinto-me impotente em não poder ajudá-la: gostaria de fazer mais… sinto em não conseguir acompanhar-lhe em sua “mania” e compreendo sua mania. Realmente gosto dela. E desconfio que ela goste de mim… e vou lhe dar todo tempo e apoio que ela precisar.  Vou curtir da forma como for possível. Sem pressões. Sem cobranças.

Curta nº 5 – Alguns amigos me decepcionaram… outros me surpreendem a cada dia… a vida é assim mesmo, não?

Curta nº 6 – Acho que estou gripando… sinto dores por todo o corpo, dor de cabeça, e sintomas de rinite alérgica. Não sei se é um resfriado ou uma gripe alérgica. Espero que passe logo. Nada pior que começar a semana doente.

Curta nº 7 – Precisava ter mexido na monografia, mas não consegui novamente. Me sinto um inútil sempre que penso nisso. Consegui ganhar prazo, mas o prazo está passando e eu não consigo fazer nada. O que farei? Putz, encontro-me num beco sem saída.

Seria culpa deles (os pais)?

Eu li o post do Bipo e fiquei pensando se seria culpa deles (os pais) …

É que compartilho de um sentimento semelhante em relação aos meus pais. Penso que meu pai tolhiu toda a minha genialidade em função de padrões que ele elegeu “bons” para si mesmo. Me deu quase nada, e amor definitivamente foi uma coisa que não recebi. Pode até ter amor em relação a mim – não estou negando esse sentimento – mas nunca demonstrou de forma alguma, ao menos de uma forma inteligível.

Minha mãe, por outro lado, sempre foi a provedora. E isso a afastou de mim. Além disso, ela acabou me submetendo a coisas diametralmente opostas daquilo que eu necessitava, em nome de “me preparar para encarar a vida”.

Entretanto, a minha genialidade precoce sempre foi tolhida. Inicialmente eu deveria ficar quieto, deixar de fazer o que precisava… não podia dar trabalho – e isso porque mamãe estava cansada e o pai estúpido iria apelar: ele “precisava” ver o jornal em paz.

Depois, colégio para superdotados era coisa para loucos, então eu deveria me contentar com a classe normal, e sobretudo,  não deveria ficar fazendo perguntas à frente da classe.

Eu ao invés de estudar ciências humanas, filosofia, psicologia e as coisas que eu gostava…  tinha que estudar piano, judô… Ao invés de continuar na natação, tinha que ir pro futebol… Em vez de fazer o que queria, tinha que fazer aquilo que meus pais desejavam.

Tudo isso me tornou preguiçoso, reprimido, contido…

O sentimento que eu tenho é semelhante ao do Bipo: sou muito menos do que deveria ser. Quando ele pergunta no post dele “Você já teve a consciência plena que poderia fazer algo maior do que si mesmo?” eu penso comigo mesmo: a culpa foi dos meus pais, que retardaram todo o potencial que havia em mim – e me tornaram um preguiçoso.

Se hoje sem estudar, ou estudando muito pouco (e tendo muita preguiça de estudar), eu consigo tirar boas notas e ser um aluno acima da média… Se sem muito esforço (e sem ter estudado especificamente pra área), eu sou muito bom no que faço aqui no trabalho… eu me pergunto se eu fosse diligente, esforçado e metódico. Seria um gênio completo !!!

Não que eu tenha desejo de aparecer – fama ou sucesso… A questão é saber que há um potencial enorme dentro de mim que é desperdiçado. E o pior é que eu não consigo reverter isso.

Entretanto, eu me pergunto: se eu não consigo reverter, seria culpa dos meus pais? Afinal… se eles fizeram isso comigo, hoje (que eles não me dominam mais), eu deveria ter a capacidade de mudar, ao menos lentamente, essa situação !!!

=================== Fim de post

Abrindo um post script: acho que estou apaixonado !!! suspiros

Resposta a um blog-amigo:

Em resposta a esse post, do Bipo, e que fala dentre outras coisas sobre afastar pessoas da própria vida, escrevi isso, que transcrevo aqui, por achar importante/relevante:

Bipo,

Antigamente eu achava que esse tipo de coisa era fobia social…

Hoje começo a perceber que muito disso pode (e deve) ser instinto de preservação: tem gente que é melhor ficar longe…

São os vampiros que se disfarçam de “amigos”, mas na verdade estão próximos de você, por um desses motivos:

1) Por inveja daquilo que você representa socialmente, mesmo que sua vida não seja aquilo que aparentemente demonstra;

2) Por te ver “na merda” e achar que estando perto de você, a merdinha de vida deles será “menos ruim”;

3) Pra sugar você: emocionalmente, financeiramente, intelectualmente, pra aproveitar dos seus relacionamentos, sua influência social ou qualquer outra forma de vampirismo/parasitismo.

Nesse caso, acho que o melhor é cortar relações com esse tipo de gente mesmo !!!

coisas ruins… e coisas boas !!!

A vida da gente é sempre um ciclo de coisas boas e coisas ruins. Na verdade, mesmo as coisas ruins tem aspectos bons (são sempre pedagógicos, por assim dizer), e até as boas coisas tem seus lados “não tão bons assim”.

Cada dia que passa começo a ter maior convicção que o crescimento e amadurecimento são como um balão cheio por uma bomba de pressão, daquelas à manivela. Se a manivela estiver só em cima, não há crescimento. Se ela fica só embaixo tampouco. O que faz o balão encher é exatamente a oscilação entre altos e baixos.

Ontem mesmo, o dia foi baixa… trabalhei feito um condenado, com direito a apenas quinze minutos de almoço. Resolvi matar aula pra estudar e descansar (já percebi que isso nunca dá certo). Chegando em casa, cansado e com fome, resolvi fazer jantar… Mas então, percebo que faltou água. E pra variar, apenas no bloco onde moro. O síndico não estava, tive que ir atrás (junto com outros moradores) pra tentar descobrir o que havia acontecido… por fim… nada de água, nada de descansar, tampouco estudar. Sorte que fui tomar banho na casa de um amigo vizinho, que solidário, ofereceu-me tal oportunidade.

Entretanto, hoje fiquei super contente ao falar com uma das leitoras do blog. E no meio do bate-papo, descobri, por acaso, que ela é da mesma cidade que eu. Até então, já havia procurado (em algumas comunidades do orkut) alguém daqui, mas sempre em vão. O melhor é que estudamos na mesma universidade. E ela ainda por cima é super gente boa… temos muitas semelhanças…

Enfim, acho que será uma excelente oportunidade de amizade próxima. Finalmente alguém que me entende (e ao mesmo tempo está perto de mim, afinal meus amigos bipolares estão todos distantes).

O fato é que, por incrível que pareça, isso renovou minha esperança de que “dias melhores virão”. Estou empolgado com a nova amizade. Acho que será uma boa experiência, tanto pra mim, como para ela. E no final das contas, acho que isso é a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos !!!

Ambas as coisas – a falta d’água e a descoberta da nova-amiga – são coisas “aparentemente” simples, mas que para um Bipolar tem poder de morte ou de vida… e estão me fazendo crescer, assim como a bomba-de-ar.

Confessionário…parte 1

Participo de uma comunidade de Transtorno Bipolar do Humor no orkut. Na verdade, eu não participo, só leio… E tem um cara lá que criou um tópico que eu gosto muito (apesar de nunca ter tido coragem de participar). Chama-se “confessando”.

Trata-se de uma espécie de confessionário onde as pessoas confessam coisas loucas… desde hábitos nojentos até performances sexuais… últimamente virou um divertido chat, com confissões mais quanto ao “humor atual” e aos desejos suicidas… mesmo assim, é divertido. Resolvi aderir aqui no blog, por ser meio anônimo… Então vamos lá:

– Confesso que estou torcendo pra dar certo o lance de dividir apto e que inicialmente estou gostando do colega;

– Confesso que fiquei puto porque algumas pessoas que sabem sobre minha bissexualidade acharam que eu estava com segundas intenções nessa coisa de dividir apartamento.  E na verdade não tem absolutamente nada haver, tanto é que o cara nem sequer vai saber sobre isso. Ele será meu colega de apartamento, não meu amigo.

– Confesso que na verdade minha bisexualidade era mais curiosidade, mas hoje tenho desejado e pensado somente em mulher, com raríssimas excessões.

– Confesso que estou estranhando algumas atitudes minhas. Antigamente, meus horários de almoço eram uma oportunidade de libertação: eu simplesmente queria sair e ir pra o lugar mais longe possível do meu serviço. De uns meses pra cá, tenho pedido comida pelo delivery e almoçado todos os dias na minha sala. O pior é que eu estranho: não sei se é cansaço físico de sair, ou uma diminuição da “mania” (que possivelmente seria o motivo do desejo exacerbado de sair de lá).

– Confesso que adoro receber novos leitores do blog. E que meu EGO agradece a visita e os comentários… mas confesso que apesar de ter lido todos os blogs que estão linkados aqui, eu nunca comento… preguiça, talvez, ou falta do que falar.

– Confesso que escrever já foi mais fácil. Agora tem sido estranho… sinto vontade de escrever, mas quando chego no computador, parece que as idéias somem.

– Confesso que as vezes tento parecer mais inteligente do que efetivamente sou. E que as vezes também tento parecer mais burro… E que ultimamente tenho gostado de futilidades… por incrível que pareça, tenho percebido que futilidades podem dar mais prazer do que coisas “cult”.

Chega !!! Se criar coragem, posto mais confissões: agora vou dormir.

Espero que seja absolvido de todas as culpas, sem ter que cumprir penitência alguma… ter transtorno bipolar do humor já é penitência suficiente… hehehheheheh

Novidades

Bem… novidades… parece que as coisas estão um pouco melhores nessa semana…  Diria que estou num momento de paz em meio à tormenta. Algo como estar num barco, em meio à uma forte tempestade, e dormir… Ou um avião caindo, e você simplesmente tem a certeza de que tudo é apenas uma “simulação” para observar a reação das pessoas, e sabe que nada de errado vai acontecer.

Novidade é que a partir de amanhã terei um colega dividindo apartamento. Demorou, mas finalmente resolvi decidir isso. Por alguns motivos: estava me tornando uma pessoa isolada, egoísta… precisava pausar essa situação e revertê-la. Isso ficou bem claro para o futuro “roommate”: meu maior medo é aprender a viver sozinho de uma forma tão irreversível que no futuro não consiga casar, ter filhos e me torne uma pessoa solitária e ranzinza.

Além disso,  dividir as despesas da casa também é outro motivo preponderante. Reduzir as despesas será excelente…

Mas o que achei melhor, foi ter tomado a decisão sozinho, sem pressão de familia, pai… Claro que duas pessoas muito importantes pra mim foram preponderantes. Mas foram apenas conselhos. Uma foi minha amiga Laura: no momento de pressão para dar uma resposta rápida, ela me socorreu (aliás, ela sempre me socorre) e me trouxe clareza e serenidade pra decidir. Outra foi o mediador entre mim e o novo-colega, que apesar de ter defendido mais o outro, em geral foi muito sábio em nos ajudar.

O fato é que fizemos um “contrato”, e teremos um mês e dez dias pra testar a novidade. No contrato constam áreas permitidas, proibidas, despesas comuns, despesas individualizadas, regras básicas de conduta… enfim…

Agora vamos ver no que dá. Ainda não contei sobre o TBH. Nem sei se vale a pena mencionar, ainda. Mas será inevitável, caso dê certo, afinal… viver sob o mesmo teto e não conhecer as flutuações de humor, meu coquetel de remédios, minha fobia-social e outras coisas… seria impossível. Talvez é melhor saber logo no início do que se assustar…rsrsrsr

Bem… é isso. Espero que meu humor não mude tão rápido a ponto de assustar o colega…

recaída moderada ou necessidade urgente?

São 23h34 de domingo, quando começo a escrever esse blog. Agora, estou me perguntando se o final de semana foi uma recaída moderada num estágio de quase-mania (um pouco mais que uma hipomania, eu diria) ou se foi uma necessidade urgente de imprimir algum tipo de prazer a minha vida monótona e chata…

Sábado de manhã tive aula… apresentação de trabalho. Havia uma possibilidade de sair pra uma grande cidade próxima, num almoço “arranjado” em que eu havia funcionado como cupido. Mas a coisa não deu certo. Entretanto, aproveitei a ocasião para sair com a garota para quem estava arrumando o encontro e tomamos todas enquanto lavavam nossos  carros…

Cheguei em casa, comi um mcdonalds e dormi até a hora de um churrasco que havia sido marcado na noite anterior… E antes, aproveitei pra ir fazer compras no supermercado: há muito tempo as compras não eram uma oportunidade tão prazeroza e divertida como aquele dia.

Depois do churrasco, fui na casa de uns amigos, tomar chimarrão, mas não me demorei por lá. Recebi uma sms pra entrar na net, de uma amiga-rolo que está me enrolando… não sabe se caga ou se desocupa a moita…  se quer, se não quer… indecisa… Entrei na net, mas ao contrário do previsível, não entrei no msn oficial. Fui falar com uma amiga do msn deste blog e foi muito bom conversar com ela… aproveitei pra ler os blogs atrasados.

Achei que domingo seria tédio total. Acordei 8h30, apesar de ter ido dormir quase 4h. Levantei, fiz um café (raridade…) voltei pra cama e dormi até 13h. Resolvi ir pra cidade vizinha, de ônibus mesmo… Sempre vou de carro, mas hoje queria observar. Também porque seria mais barato.

Lá almocei, às 15h, no Habbib’s, e depois peguei duas sessões seguidas de cinema. O primeiro foi o drama “O som do coração”, que mais fazia o gênero romance… história de um garoto abandonado pelos pais, que por meio da música reencontra-os.  Durante o filme, percebe-se que o casal se separarou por culpa do avô-materno do menino; e que a mãe não sabia que seu filho estava vivo… Apesar de ser meio água-com-açucar, o filme me emocionou bastante… também gostei muito pela parte musical.

O segundo uma comédi, que não recordo o nome (e nem fiz questão de buscar na net), mas que não rendeu muitos risos… nota 6.  De lá voltei pra casa, peguei o carro e comprei pizza. No caminho de volta, li toda uma revista que comprei (há tempos não lia uma revista ou jornal, ou qualquer coisa diferente de literatura relacionada à trabalho ou faculdade). Assisti Marília entrevistando uma juíza e a cineasta/documentarista Maria Algusta Ramos, quanto ao documentário Juízo (dela também o excelente Justiça). E assisti boa parte do especial 15 anos deManhattan Connection.

Agora estou me perguntando… o que foi isso? Será se estou prestes a entrar numa nova crise de mania? Ou isso é natural, e o que fiz foi apenas quebrar o ciclo de depressão e monotonia da vida estressante que tenho vivido?

Sinto falta da psicoterapia. Tempo é um problema. Dinheiro é um problema ainda maior. Orgulho também é um problema…

Sinto falta da minha ex-namorada. Tempo, dinheiro e orgulho continuam sendo problemas.

Sinto falta de alguns amigos do Estado vizinho (e até mesmo de alguns familiares)… os problemas: idem.

O blog tá ficando repetitivo, desculpe. Tempo, dinheiro e orgulho são meus piores problemas agora. Hoje eu liguei o foda-se pra o tempo (deveria ter estudado, monografado, descansado…), pra o dinheiro (deveria ter economizado) e pra o orgulho (deveria dizer que estou “equilibrado”, que não preciso de nenhuma dessas trivialidades pra ser feliz…) e fui feliz, ao menos por um instante.

Vale a pena estar “equilibrado” e ser infeliz? Melhor seria estar feliz, mesmo sendo desequilibrado? São perguntas que eu não tenho (e nem sei se terei) resposta.

letargia

do Lat. lethargia

subst. fem.: 1) estado mórbido em que as funções da vida estão atenuadas por forma tal que parece estarem suspensas;
 
figur.: 2) sono profundo; 3) estado de apatia moral ou intelectual; 4) estado de insensibilidade característico do chamado transe mediúnico.
 
 
É bem assim que ando me sentindo ultimamente… parece que o botão do foda-se ficou ligado por tanto tempo que quando tento desligar a mente ficou apática. Quinta-feira vence o prazo para entrega do segundo capítulo da minha monografia, eu ainda não escrevi nada, minha orientadora já me ligou pressionando, e eu simplesmente não estou preocupado.
 
Minha chefe me passou zilhões de coisas pra fazer, alguns prazos venceram ontem, outros vencem hoje… e eu estou fazendo o serviço na medida das minhas possibilidades. Sei que a CR (comida de rabo  chamada à responsabilidade) será grande, mas eu nem ligo.
 
Boa parte das minhas contas começam a vencer, meu saldo bancário será suficiente para pagar somente 70% delas, talvez eu nem consiga comprar toda minha medicação, vou entrar outro mês no cheque especial e no cartão de crédito… e pela primeira vez (sem estar em mania) eu não estou dando a mínima.
 
Meu pai me ligou semana passada, me ligou essa semana… e disse que vai me ligar hoje ou amanhã… está me enchendo o saco até. Fazendo as cobranças de sempre… chantagens emocionais, os dramas baratos de sempre: e por mais que eu me importe, eu não estou nem aí.
 
O problema é que apesar de não estar preocupado, não ligar, não dar a mínima e não estar nem ai, meu corpo e minha mente sentem todo o peso e estresse do momento. Por isso acho que a palavra letargia é adequada: a apatia é moral e intelectual, apesar do físico se abater profundamente.
 
Há uma latência de emoções reprimidas e altamente contidas… mas elas não conseguem se manifestar… talvez por desistência, revolta ou cansaço. Não consigo explicar. Como diria Chicó (personagem do Auto da Compadecida), “só sei que foi assim”. Só sei explicar que tem sido assim comigo.
 
Até quando terei que suportar pressões de todos os lados? Até quando as pessoas só virão em minha direção com cobranças? E até quando eu aceitarei tudo calado?
 
Enquanto isso… sigo na minha letargia !!! 
 
 
 
 

Me deixa… uma canção desbipolarizante !!!

Dia desses estava conversando com uma amiga sobre o quanto eu gosto de releituras. Como eu gosto de grandes clássicos do cinema reinterpretados. Gosto de peças clássicas com novas roupagens. E muito me agrada músicas reinventadas. Mesmo coisas radicalmente diferentes (como por exemplo Hero, interpretada por Mariah Carey e Pavarotti).

Esse post será uma releitura excelente do grupo Chicas da música Me deixa, dO Rappa (composição do Marcelo Yuka). Mas ao invés de colocar toda a íntegra da música (que eu ouvi umas trocentas vezes só essa semana), eu vou colocar umas reflexões… a letra me tocou… os acordes do xilofone me sensibilizaram até a alma… os agudos da vocalista me arrepiaram todos os pelos. A música é um orgasmo auditivo almático.

 

“Pode avisar, pode avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar” 2x

Não é isso que a gente sente quando está deprimido? Em maior ou menor grau, tudo o que se quer, é ficar em casa – doente ou não – sonhando. E o sonho pode ser com dias melhores ou com o gosto do amargo e da morte. Mas assim são os dias de um bipolar em crise (e digo ao menos por mim mesmo): desculpas e avisos, geralmente por intermédio de terceiros, para ter um motivo para deixar de lado as responsabilidades do “mundo real”. Sonho… sonho… fantasia… subterfugios, vida paralela, virtualidade, fuga…

“Com o novo enredo outro dia de folia
Com o novo enredo outro dia de folia”

Mas então eis que em menos de um passe de mágica, numa fração de segundos, a vida muda. E de fato, tudo parece ser uma nova história, um novo enredo. Chega a mania, e tudo passa a ser um novo dia de folia: eis que tudo é festa. E geralmente é festa em dobro. Festa e festa de novo. E de novo. E desmedidamente. Folia. Até que então:

“Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí
Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí”

Você fica tão maníaco, que chega ao extremo da loucura. Perde todos os limites. E quando não explode, tenta se explodir por si só. Suas condutas são auto-destrutivas. E se não o faz, muitas vezes não faz por orgulho. No meu caso, nunca tentei me matar porque não conseguia suportar imaginar o olhar de pena de ninguém… não poderia deixar ninguém ver meus pedaços por aí.

“Me deixa que hoje eu to de
Bobeira, bobeira
Me deixa que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira”

Ai eu sentia fobia social ou necessidade extrema de me desvencilhar de responsabilidades e cobranças, fossem elas afetivas, sociais, financeiras, emocionais, paternas ou quaisquer outras… só queria ficar de bobeira…

Mas então eu comecei a fazer o tratamento. E tudo mudou:

“Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero
E mais justo comigo
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero e
Mais justo comigo
Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo,
Pra cantar “

Eu não preciso mais sair daqui pra desafiar o mundo. Não preciso provar nada para ninguém. Aprender a reconhecer e aceitar as próprias limitações tem me feito um homem mais justo e mais sincero comigo mesmo. E todas essas coisas tem redundado em um sentimento de segurança, domínio próprio, elevação do meu sentimento de auto-estima… então os homens podem vir, não vão me abalar. Eu não sinto mais medo de viver, nem de ser feliz, nem de lutar por meus sonhos. Amadureci. Como diz a música, não se trata de coragem, mas de auto-conhecimento. De ter instrumentos para ir em frente. Segurança para caminhar.

Me deixa, hoje eu estou de bobeira… agora não por fuga da responsabilidade, mas por um sentimento de libertação que provém de dentro. Estou de bobeira por saber que muito das coisas daqui são passageiras. Por aprender a valorizar outras coisas… vou cantar… ser feliz… me preocupar com coisas mais importantes…

Hoje eu sou um homem mais sincero e mais justo comigo !

Cada dia é um novo enfrentamento !

Este post vem sendo escrito já há cinco dias… e ficou “maturando” no rascunho… e ainda acho que está incompleto… e cada dia eu escrevo um pouco… deleto um monte… e no outro dia é um novo enfrentamento. Mas se eu não o postar, chegará um dia que ele estará gigante (ou que deletarei de vez), impossível de ler, e ainda assim estará incompleto.

Cada dia é um novo enfrentamento, e isso é um dos fatos mais duros de lidar dentro dessa nova fase da vida, após o diagnóstico do transtorno bipolar do humor.E não é fácil admitir o estigma. A partir de agora sou o portador de uma desordem psiquiátrica incurável. Assim: verdade crua e fria.

Por outro lado, muitos dias também  revelam grandes descobertas. Essa semana mesmo consegui enfrentar meu pai. Olho para trás (no dia que escrevi minha carta de suicídio, uma espécie de testamento sentimental para meu pai: quem sabe um dia eu a poste aqui) e vejo quanto progresso eu fiz. Mas não sem ter que enfrentar uma série de medos e temores.

Penso que cada dia fico mais profundo. Cada dia me conscientizo mais da complexidade da situação. E ao mesmo tempo que chego tão próximo do limite da insanidade e do desespero, chego tão perto da compreensão da humanidade – e isso me faz cada vez mais tolerante com as pessoas, cada vez mais compreensivo com o próximo, e sobretudo comigo mesmo. E ao invés de me flagelar, reconheço a dependência, a necessidade, a fraqueza, a insignificância que existe em mim…

Dependo do outro, dependo da natureza, dependo do equilíbrio sistêmico,  dependo das conspirações universais, dependo da deidade, dependo… e cada dia que passa vai sendo um novo enfrentamento.

Tenho que enfrentar a minha imagem no espelho. Tenho que enfrentar a minha imagem interior. Tenho que enfrentar a imagem que os outros fazem de mim. Tenho que enfrentar as complexas conspirações da vida ao meu redor… as danças químicas do meu cérebro !!!

(post incompleto… mas vou postá-lo para não perder e não ficar um longo tempo sem postar…)