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Essa garota me deixou louco

Fazia tempo que eu não passava por aqui. E hoje, acabei postando mais do que nos últimos dois anos. Sério. E eu também aproveitei pra ler todos os comentários. Boa parte deles era gente que estava ajudando outras pessoas. E eu me sinto grato por isso. Porque afinal, esse lugar não é só um exorcismo. Porque existe gente boa no mundo. Porque há solidariedade entre gente que está nessa doença. Fodidos, porém solidários !!!

Dentre os comentários, achei um que me interessou. Ela me ofereceu um ombro amigo. Disse que eu podia adicioná-la, se quisesse companhia. Desabafar. Ela também era uma incompreendida, assim como eu. Ela só queria alguém pra amar. Mas esse alguém se foi. Rápido demais.

E eu fiquei profundamente caído por ela. Apaixonado. Pesquisei seu e-mail no facebook, e fiquei ainda mais apaixonado. Ela é psicóloga. Aparenta ser altamente madura, embora seja nova. Ela linda. Mais que isso, ela é uma mulher lindíssima. Só havia uma foto disponível pra “não amigos”, mas foi suficiente pra eu me apaixonar.

Contudo, ela é uma Vênus, inatingível. Ela mora distante. E é bipolar assim como eu. Ela me deixou profundamente louco. Eu queria adicioná-la no facebook. Não era só beleza, era um desejo intenso de intimidade. Afinidade. Eu pensei que queria muito estudar psicologia. Que queria morar junto com ela. Que queria me acertar com alguém. Que precisava de alguma intimidade. Eu pensei nela no chuveiro. Simples assim. Um banho no chuveiro frio. Erótico. Poético. Não, eu não pensei em sexo. Mentira minha, eu pensei no mais carnal dos sonhos. Mas não tão carnal. Foi mais pra romântico. Poético. Eu desejei aquela mulher, linda. Linda!

Então eu acordei e vi ela era, de fato, uma Vênus. Linda, distante e inatingível. Percebi que o MEL que destilava em seus lábios era muito doce pra mim. Percebi que ela mora longe. E lembrei que eu tenho um histórico de fracassos com relacionamentos à distância. Percebi que ela é psicóloga, e que certamente não iria querer, voluntariamente, um desequilibrado como eu. Percebi que ela era linda, e dificilmente iria me dar bola. Como dizem, ela é muita areia pro meu caminhãozinho.  MUITA!

Lembrei também de um histórico de fracassos com bipolares. Elas me atraem, me atiçam. Mas é muita loucura pra um relacionamento só. Eu me auto-sabotava. Mais que isso, eu tentei fazer dar certo, mas percebi que nós nunca tínhamos o mesmo timing…

Percebi que tudo não passava de um sonho. Olhei mais uma vez a foto dela. E decidi não adicioná-la, com medo de ser rejeitado. Com medo de ser aceito e fazer merda. Com medo de fazê-la sofrer. Com medo de sofrer.

Mas só uma coisa me passou pela cabeça.

Essa garota me deixou louco. Mais do que eu já sou. Perdido. Maluco. Apaixonado…

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Faz de conta

Esse ano foi um ano estranho. Eu senti uma imensa apatia por tudo e por todos. Acho que meu único foco foi trabalhar. De resto, nada foi importante ou legal. Até mesmo os happy hours só foram legais porque era o pessoal do trabalho.

Mas eu conheci uma estagiária do meu trabalho, e houve muita coisa rolando entre nós. No melhor sentido da palavra. Antes que alguém comece a me julgar, quero dizer que eu não ultrapassei a linha do moralmente correto. Não que eu não pudesse, afinal, ela estava estagiando num setor totalmente diferente do meu. Mas, afinal de contas, havia uma diferença enorme de idade entre nós e eu preferi não me permitir ser tentado. Apesar de ser estagiária, ela é uma mulher. Uma mulher linda, inteligente e madura. Mesmo sendo estagiária.

No setor onde ela faz o estágio, eu arrisco dizer que ela é mais madura do que todos os outros. Mesmo que ela seja somente uma estagiária. Na verdade, ela acabou não aguentando estagiar, porque no final das contas ela tinha mais conhecimento e maturidade do que os seus supervisores.

Mas… a história não é sobre trabalho. E eu tenho que dizer, portanto, que nós fizemos uma boa amizade. Nos identificamos à primeira vista. Fomos apresentados por intermédio de um colega em comum, num jantar em um restaurante árabe. E eu percebi que ela não era apenas uma garota que gostava de esfirras. Ela conhecia a culinária árabe. Mais tarde, eu percebi que ela conhecia muito mais que isso. Embora ela fosse de uma família modesta, ela conhecia muito da vida.

Mas… estou divagando de novo. Depois de alguns meses de amizade, eu conheci a família dela, e seus amigos também. Algum tempo depois eu percebi que ela estava dando em cima de mim. Ela estava apaixonada. E eu, felizmente, não fiz merda. Me mantive íntegro e não fiquei com ela (embora ela fosse desejável e eu fantasiasse um pouco com ela). Depois as melhores amigas dela deram em cima de mim. Então eu percebi que todas elas (minha amiga inclusive) não estavam ME querendo (e eu nem sou essas coisas todas). Elas estavam apaixonadas pelo bipolar que existe dentro de mim. O sedutor, o Richard Gere (quem está visitando pela primeira vez, veja o filme Mr. Jones, em que esse ator é bipolar). Ela deu em cima de mim igual o diabo dá em cima do fiel. E eu fugi, igual o diabo foge da cruz. Todos somos maus, não há um anjo sequer, entre nós.

Depois de meses, acabei descobrindo que o pai dela era bipolar (recém diagnosticado). E no fim das contas, ela se apaixonou por mim, porque via em mim o pai dela. Só que diferente. Ela me via maduro, equilibrado, livre. E sem falsa modéstia, eu agia como se fosse equilibrado e normal. Na verdade, aprendi a me esconder dentro de minha casa. Embora eu pareça meio excêntrico, eu acabo passando por normal porque agora aprendi a beber dentro de casa, a me deprimir só nos fins de semana e a viver uma vida bipolar travestida de normalidade.

Enfim… eu vivo num faz de conta.

Mas eu acabei confessando pra ela que eu era bipolar, assim como o pai dela. E por sentir pena no homem, acabei tentando explicá-la que ele não era culpado/culpável por ser bipolar. E ela tentava se reaproximar dele. Mas no final das contas, ela sofreu uma enorme desilusão, sobretudo, porque ele estava num estágio totalmente caótico e desequilibrado. Ele não aceitava o diagnóstico. Ele simplesmente vivia de modo devasso, desorganizado e totalmente livre. E ela cobrava dele alguma maturidade. Ela olhava pra mim, medianamente equilibrado. Ela olhava pra ele, caoticamente perdido. E a comparação era inevitável. E ele certamente perdia pra mim. Seja porque ela ainda estava apaixonada por mim, seja porque ela ainda sentia muito ressentimento dele.

E eu senti pena dele. Porque no final das contas, eu percebi que ela não admitia e não compreendia o que ele passava. Eu mato um leão por dia pra sobreviver. Na verdade, eu mato vários leões por dia pra sobreviver. E quando eu não consigo matar o leão, eu tenho que fugir e me esconder, e torcer pra que o leão procure outra presa. E vez ou outra eu me desequilibro e faço merda. Mas hoje, eu aprendi a esconder a merda debaixo da moita… Porque pior do que fazer merda, é deixar que os outros vejam sua merda… então eu escondo. Eu sofro sozinho. Eu bebo em casa. Eu me deprimo só com minha cama. Eu vou trabalhar deprimido, fingindo que tudo não passa de saudades de minha falecida mãe. Mas no fim das contas, eu apenas torno minha loucura aceitável para a sociedade.

Eu senti pena dele. Porque ela simplesmente fazia de conta que me compreendia. Ela me aceitou apenas porque eu estava normal. Ela não conheceu meu lado sombrio, minha depressão. Ela ainda hoje acha que ele tem um desvio de caráter. Ela não acredita que o pai pode ser dominado por um desequilíbrio químico no cérebro. Ela ainda acha que ele faz merda porque é um cara do mal. E que se eu consigo me manter sóbrio, ela acha que ele também deveria conseguir.

No fim das contas, eu faço de conta que sou normal, mas sou bipolar.

Ela faz de conta que entendeu o que é transtorno bipolar, mas na verdade ela não sabe o que é.

Ele, contudo, é o único que vive no mundo real. Ele vive transtornado por seu transtorno. Sim, fui redundante pra ser mais enfático. Ele é o único autêntico. Ele é o único que experimenta a realidade (embora ele talvez nem se dê conta).

No final das contas, eu não sei como alguém pode se apaixonar por mim. E assim eu me boicoto. Ou me saboto. Eu só me envolvo com gente louca (com quem é virtualmente impossível ter um relacionamento duradouro e sadio). Porque eu morro de medo de foder com a vida de uma mulher que seja realmente normal.

E no final, eu tento fazer de conta que estou bem sozinho… eu tento…

Suor frio

Noite de sábado e eu estou aqui. Suando frio. Não é febre ou nenhuma doença. Apenas sentimentos represados há muito tempo. Muito.

Meus dedos tremem sob o teclado, como se fosse um alcoólatra que passou muito tempo em abstinência e agora volta a beber uma dose do doce veneno, que lhe faz uma pessoa incrível e ao mesmo tempo lhe destrói a vida. Assim eu me sinto em voltar a este blog. Aqui é um lugar onde encontro refúgio, e onde posso afogar minhas mágoas, fantasiar sonhos bons e fugir da realidade. Por outro lado, a fuga é sempre um problema. Seja álcool, sexo, música, seriados, sono ou blog… a fuga é apenas um jeito de postergar o inevitável: a vida é dura, difícil e normalmente não é nada justa, mas ela precisa ser vivida e, ocasionalmente, ela tem recompensas. É como dizia o cantor, tristeza não tem fim, felicidade sim.

Em todo o caso, me entorpecimento é resultado, como já disse, de uma represa de sentimentos. Meu tempo na selva está quase acabando. A selva é um lugar de privação, onde você precisa aprender a viver com quase nada. Mas por bem ou por mal, sei que esse tempo está acabando… Parando de divagar e voltando ao ponto, a selva fez com que eu represasse muitos sentimentos. A dificuldade de acessar a internet, o medo de ser descoberto, o desejo de parecer normal… todas essas coisas me afastaram do blog. Usar internet por aqui acaba sendo um teste de paciência, e um risco (já que ninguém sabe se você está sendo ou não rastreado). Mas meu tempo de selva está prestes a acabar.

O frenesi das minhas mãos é o mesmo da minha mente. Como sempre (isso não é novidade aqui nesse blog), minha mente divaga entre diversos assuntos e eu não sei exatamente como me comportar. A ansiedade (que nesses dias está especialmente aflorada) me devora e eu acabo ficando ainda mais disperso. Quero fazer uma tatoo. Quero comprar um carro novo. Quero uma namorada. Quero mudar, definitivamente, todo o meu cotidiano. Essa dispersão me impede de continuar tentando buscar o equilíbrio. Minha vidinha aparentemente normal já está me deixando entediado. E meus objetivos de “sobriedade”, “normalidade” e “equilíbrio” estão começando a não fazer mais nenhum sentido.

Sim, o tédio está em alta, e tudo o que gostaria era de voltar ao passado, momento em que eu simplesmente era um cara normal e isso me satisfazia. Hoje, contudo, eu quero mais! Quero deixar a mediocridade de lado. Quero abandonar o objetivo da minha vida (que aparentemente é apenas um meio de mostrar para os outros que eu sou capaz) e passar a viver outra vibe. Alucinar. Quero regredir, sabendo que o que mais importa não é andar pra frente, mas andar para o lugar certo.

Se você está voltado na direção do precipício, andar em frente quer dizer a sua morte. Por outro lado, desistir de ir em frente e voltar atrás é sua salvação.

Mas quem se importa? Tudo hoje em dia é uma questão de seguir em frente.

Ainda continuo suando frio. É sinal de que ainda tenho muito o que escrever. Mas não sei se vou conseguir agora. Tudo soa tão desconexo. É o tremor, a crise de abstinência. O desejo de mergulhar fundo, mas com a consciência de que algo está errado. Mas algo é mais forte…

A sorte é que tenho duas doses de whisky e um dvd. Acho que isso irá me fazer relaxar e centrar as ideias. E depois, nada será melhor do que minha cama vazia. Então nessa hora eu observo que seria melhor uma cama cheia, um pouco de intimidade… mas ok, as coisas são como são. Não se pode ter tudo na vida. Então ao whisky…