ressurgindo… talvez…

Bem… como é de conhecimento dos que acompanham o blog, andei bastante sumido nos últimos meses. E isso se deveu a uma série de fatores: falta de tempo, falta de internet que preste, falta de assunto e até mesmo falta de ânimo pra postar.

Peço desculpas aos fãs e aqueles que comentaram sem ser respondidos…

E bem… hoje eu voltei a acessar o blog. Percebi que muitos dos blogs que eu lia desapareceram. Outros continuam, mas eu acho que não faço mais parte da vida deles. E quanto a mim… conceitualmente continuo o mesmo.

Não me sinto mais um bipolar. Abandonei os remédios (bem… eu não aconselho ninguém a fazer isso), meramente por uma questão logistica: a cidade onde estou morando agora é um ovo (de codorna, daqueles bem pequenos), não existe psiquiatra, não tem remédio nas farmácias (só o lítio…) e bem… se eu falar com um clínico geral, minha fama vai se espalhar pela cidade…

De qualquer modo, acho que estou relativamente controlado. Aliás, acredito que boa parte dos meus problemas ocorreram devido a falta de dinheiro e à proximidade da família manipuladora. Hoje sou outro. Consigo trabalhar melhor, viajando mais e conhecendo o mundo eu me valorizo melhor como pessoa, e estou aproveitando melhor as pequenas coisas da vida.

São três da manhã e eu acabo de chegar da balada: estou sóbrio, voltei com dinheiro e aproveitei a balada. Isso é um milagre pra um bipolar – que normalmente gasta muito, chega no OUTRO dia e se sente o todo-poderoso. Também não tenho mais sentido depressão. E o que ainda me persegue (mas de leve) é um desejo suicida… mas está algo mais leve, controlado e é algo que não me aflige e nem aparece como uma fixação permanente… é algo que vem e passa rápido.

Agora o que mais tem me inquietado é a dificuldade de fazer amigos nessa cidadezinha pequena e longínqua (é assim mesmo que se escreve ?!?!)

As pessoas de fora se focam em ir embora. E assim acabam se isolando e vivendo um sonho distante de deixar a cidade (em geral, são funcionários públicos como eu, que vieram pra cá obrigados por um Edital para entrada no serviço público ou vieram transferidos compulsoriamente, como é o meu caso).

Os nativos… em geral são pessoas de mente pequena, tacanhos, que se divertem com humor baixo e vulgar, adoram ficar trêbados e são felizes na mediocridade. E bem… boa parte das amizades que tenho hoje, desconfio, são apenas pessoas interessadas em ter status. É que aqui, qualquer pessoa que ganhe mais de R$ 1.000,00 é da alta sociedade…

E tenho amigos(as) que vivem junto (aproveitando as baladas, as entradas, as bebidas…) e que agem com outras pessoas como se elas fossem importunantes… mas quando nós não estamos juntos, esses amigos(as) se rendem aos “importunantes” só pra aproveitarem-se do que o status e o dinheiro podem comprar…. E eu fico pensando se eu não estou sendo usado do mesmo modo…

Triste. Mais que ser usado, é ver como as pessoas podem ser tão pequenas e medíocres. E mesmo que você tente fazer elas crescerem… elas preferem ficar onde estão. É mais confortável.

Esse é meu desabafo de hoje.

Agora eu tenho que ir, dormir. Amanhã é um novo dia.

Abraços e beijos a quem continua me seguindo.

Fui.

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4 comments so far

  1. Mali on

    Não é só vc que tem problemas com uma internetinha rsrsr.
    Mas fico feliz de saber noticias suas. Fico feliz em saber que vc sabe seu valor. E por mais que no dia a dia seja mais fácil viver no comodismo, nesse limbo, vc sabe o que quer.
    Fique bem. Sempre

    Bjss

  2. Maria Luiza on

    Você escreve notavelmente bem. Não é nem que escreva com correção, você faz coisa mais difícil: escreve com graça, encanto.

    Sou, entre outras coisas, claro, bipolar. Convivo com este fato há 36 anos (tenho 60). Estarei sempre lendo o seu blog, fique certo. Mas uma coisa me assustou: você parece estar se sentido meio que “ex-bipolar” e, meu amigo, lamentavelmente isso não existe. Se você tem realmente a doença, se ficar sem remédios pode ter um acesso a qualquer momento.

    Não sei da gravidade da sua doença. Em 1996 eu, depois de passar 16 anos equilibrada resolvi me dar uma trégua, me considerar desbipolarizada, e me vi de novo (como em 1976, 1978 e 1980) numa clínica, tomando sossega-leão, sendo amarrada na cama.

    Não, meu amigo, essa não me pega mais. Parar os remédios, nunca mais. O preço pode ser alto demais.

    Um grande abraço, e continue escrevendo para todos nós.

    Maria Luiza

  3. Tatiana on

    Simplesmente fantástico seu blog, mas de fato preocupante o fato de vc ter parado o tratamento de uma doença que tem apenas controle e não a cura. Espero que vc fique bem. Fiquei especialmente intrigada com o fato de sem estar medicado vc conseguir ir numa balada e voltar com dinheiro e sóbrio. Eu mesmo medicada não consigo isso e fico realmente me sentindo um lixo humando por conta disso.

    Bjs

  4. Nathalia on

    Concordo plenamente com o comentario da Maria Luiza. Apesar de eu ser um pouco critica voce com certeza escreve com muita graca e encanto, o que me motivou a estar aqui.
    Conheci o blog ontem pela primeira vez ao fazer uma busca sobre medicamentos no google, sem fazer muitas pesquisas achei o seu blog. Bom, eu nao gosto de falar o que seja certo ou nao ate porque quando estamos deprimidos nada que alguem fale muda nossas atitudes.
    Algumas vezes ja parei o remedio por me achar otima, maravilhosa,curada!! Mas nao tem cura! A cura ‘e o tratamento, a medicacao. Hoje sei que quando paramos de tomar remedio ‘e a falta que o subconsciente tem da fase maniaca; eu me sinto a diva..rs mas isso ‘e apenas ilusao para depois voltar ‘a depressao dando continuidade assim ao nosso ciclo.. Quero que voce fique bem! Ja usei quase todos os medicamentos, para conhecer o melhor para o meu organismo, e continuarei.. e isso porque eu quero ficar bem hoje e amanha. Milhoes de beijos.


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