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Frustração

Eu sempre me lasco quando crio expectativas em torno de qualquer coisa. Foi assim com o fato de estar “formado”. Também foi assim depois da notícia da aprovação num exame importante para minha profissão.

Recebi o resultado do exame na semana passada, mas achei que não tinha “entendido” direito a dimensão das coisas porque estava numa semana decisiva na empresa onde trabalho – estávamos recebendo uma visita de auditoria, mas daquelas pior que corregedoria ou auditoria meramente contábil, fiscal ou administrativa – e eu estava dentre um dos responsáveis pelo processo. Achei que depois que os auditores fossem embora, eu iria “cair a ficha”.

No final de semana, recebi um convite da minha família, que mora em outro Estado, para ir comemorar com eles… pensei que naquele momento eu iria compreender, extravasar, etc… Engano total. A comemoração foi ir pra um restaurante (que eles vão sempre) e almoçar… sem surpresas, sem ovações, sem emoções, sem presente, nada. Foi na verdade um almoço de domingo com cinco pessoas. Se soubesse, não teria perdido a viagem de 6 horas. Não que eu desejasse um presente, mas imaginei que teria mais gente, que teria uma sessão de fotos, umas coisas assim…

Na verdade eu nunca tive nada do tipo, nem quando passei no vestibular, nem formatura, e nem agora, ao passar nesse exame. É como um exame desses pra virar operador da bolsa de valores – que você só trabalha se passar no exame; que o exame é difícil, que todo mundo morre de medo e nunca acha que está preparado. É como o exame da OAB, pra ser advogado. Mesmo estilo, mesmo nível, mesmo desespero.

Mas… enquanto passo no exame, tudo continua igual – minha empresa me parabenizou, mas nem sequer vestígios de promoção. E não posso virar “corretor da bolsa de valores” sem estar numa empresa; bem como não posso abrir minha própria empresa – ao menos por enquanto.

Talvez essa frustração seja coisa de gente mal amado… Aliás, sei que pior seria não ter sido aprovado, mas parece que se isso tivesse acontecido seria mais natural do que não estar contente agora. Coisas de bipolar. Mesmo tomando a medicação (e tendo um certo equilíbrio no humor), é inevitável chegar à conclusão dupla: 1) que minha frustração me ronda constantemente; 2) que o que normalmente deveria dar ânimo e alegria às pessoas, em mim só faz cócecas, momentaneamente.

Enquanto isso meu pai se regozija com os amigos, ostentando que o filho é “advogado” (pra não usar a figura do corretor na bolsa de valores de novo) graças à ele – quando na verdade o único apoio que ele me deu foi o desejo de não me tornar igual a ele, e em virtude disso, de estudar.

É… cansei de gente que goza com o pau dos outros tira vantagem com as condições/sucessos alheias(os). Cansei de estar frustrado. Cansei dessa merda de TBH (que no início parece a chave pra explicar todos os meus defeitos, mas que agora é apenas mais um farto que infelizmente não vai sumir nunca). Cansei…

Ando cansado !!!

Um post, quatro temas

1) O que muita gente não sabe sobre mim.

É comum que alguém sempre descubra algo novo em mim, muito embora eu não tenha mudado muito: talvez evoluído em umas áreas, involuido em outras, mas nada de grandes mudanças. Não sei se isso é resultado da minha multiplicidade de personalidades (ou pelo menos pelas diferentes partes de mim que eu exponho dentro dos diferentes grupos sociais), mas até eu mesmo acabo me assustando com tais “novidades”. Até mesmo no blog, onde eu costumo contar muitas coisas “top secret”, sempre aparece gente falando que não sabia de A ou B sobre mim. É comum.

2) Sobre o meu momento crítico de trabalho.

Estou quase surtando. Muito trabalho. É que receberemos algo pior que uma auditoria… Isso à partir de quarta-feira. E todas as previsões que fiz se cumpriram, mesmo que ninguém tenha me ouvido. No final das contas, sobra pra mim. E se não quiser, tenho a opção de ser mandado embora mesmo em meio à crise… Sei que logo meu tempo trabalhando aqui irá acabar. Já não aguento mais. Mas, por enquanto, preciso segurar as pontas. Ainda não é o melhor momento para a ruptura.

3) Sobre as pessoas.

Hoje ví a mãe de uma garota que era minha amiga, mas que tomamos rumos diferentes. Ela nem me reconheceu. Pensei muito em pessoas do meu passado, que mesmo morando na mesma cidade perderam o contato comigo. E eu com eles… sei que é um caminho de mão dupla. Sei também que muitas das “amizades” são apenas conveniências momentâneas (essa garota pegava carona comigo, pra ir pro trabalho de manhã e pra voltar da faculdade de noite, e depois ela mudou de trabalho, de faculdade, de telefone e certamente de “amigos”). E sobretudo, sei que é uma via de mão dupla… ela se afastou, eu não procurei… Mas, acho que eu me constranjo muito em procurar as pessoas. Tento uma vez, se não consigo esqueço… E muitas vezes elas acham que fui eu quem me afastei, que eu não me importava, que esqueci… triste isso.

4) Desejos

Esses dias ando tendo muitos desejos. Desejos de comer coisas. Desejo de comer pessoas. Desejo de fazer coisas… Ok, todo mundo tem desejos. Mas ultimamente tenho tido uma avalanche deles, e todos ao mesmo tempo. O que fazer com o desejo, sobretudo com aqueles que dificilmente poderão ser saciados ???

Por fim… agradeço aos visitantes (os “veteranos” e os “calouros”), e peço desculpas por não ter podido responder os comentários e atualizar o post. Espero que em breve eu possa fazê-lo com mais frequência. Por outro lado, tenho tido condições (eu preciso, pra tentar manter a sanidade em níveis aceitáveis) ler os blogs que gosto. Bem… é isso. Deixa eu voltar pra o engenho…

Ser ignorado

Uma das coisas que mais me deixam chateado é quando sou ignorado. E ultimamente isso tem sido frequente.

No trabalho, todas as vezes que eu faço alertas sobre situações, prazos, etc… Ninguém me escuta. Acham que eu sou precipitado, que sou dramático ou que não estou olhando a situação de todos os ângulos. É preciso vir uma consultaria externa, cobrar algo em torno de 100 a 180 vezes mais o que eu ganho, trabalhar 20 vezes menos, utilizar os meus dados (e o meu trabalho) pra dizer a mesma coisa que eu – aí todo mundo escuta, porque é “a consultoria”. Ou então é necessário chegar às vésperas do prazo de conclusão do serviço e perceber que nem metade do serviço está pronto – nesses casos como eu sempre “dou um jeito”, sobra pra mim.

É a mesma coisa na vida pessoal. Se dou conselhos, as pessoas esperam quebrar a cara para dizer que eu tinha razão. Se pedem ajuda e eu ofereço, algumas delas sequer consideram receber a minha ajuda – e isso por diversos motivos, desde o orgulho próprio, passando pelo receio de “ficar me devendo uma” ou pelo argumento de que “eu sou muito atarefado, não preciso de alguma coisa a mais pra me preocupar”, e terminando na “simples ignorada”, daquelas que a pessoa simplesmente nem se dá ao trabalho de responder, agradecer ou se manifestar.

O pior, é que se fosse apenas “ignorar” e pronto. Seria fácil. Bastava eu passar a ficar calado, me afastar das pessoas ou coisas do gênero. O problema é que na maioria das vezes que me ignoram, eu de alguma forma sofro as consequências: ou eu preciso dar uma solução para o problema, ou preciso trabalhar para por o serviço dentro do prazo, ou tenho que ouvir as lamentações das pessoas, por não terem seguido meus conselhos.

OK. Sei que nem sempre estou certo. Mas como diria a personagem da novela (ou seria de um programa de humor), eu só falo quando eu tenho certeza. Quer dizer… quando tenho dúvidas, eu faço comentários, mas sempre deixano explícito que aquela é uma previsão, uma opinião… Agora quando eu falo sério, geralmente eu pensei bastante no assunto, de modo que a minha opinião/conselho pode não ser o melhor, mas é uma alternativa mais viável do que o caminho que estão se propondo a seguir – ou seja, nunca é algo arriscado, perigoso  ou “a pior alternativa” de todas…

Acho que sempre fazem isso comigo porque eu nunca digo “eu avisei”. Mas estou mudando. Agora estou esfregando na cara das pessoas – ou elas aprendem, ou não me manifesto mais. Estou aprendendo a dizer “sinto muito, não posso ajudar nessa tarefa pois isso não é trabalho meu”, ou “eu só faço aquilo o que é possível, e como eu havia dito anteriormente, o prazo não  é possível”.

É como uma colega, que tem milhões de problemas. Todos eles inventados e mantidos por si mesma. Ela vive em torno dos problemas e vive se lamentando por eles. OK, não sou insensível – alguns dos problemas são realmente sérios… mas ela os mantém. E se vitimiza. E eu já tenho mostrado pra ela que não concordo com isso, e que não vou ficar alimentando a vitimização dela. Ofereço ajuda, mas ofereço apenas uma vez. Mostro pra ela que se ela não quiser ser ajudada, eu não vou ficar com a consciência pesada por isso (é que ela costuma se vitimizar e colocar as pessoas ao redor com a consciência pesada, ou por serem felizes e dar conta dos próprios problemas, ou por não ajudá-la…)

Ou eu aprendo a dizer não. Ou eu me fodo. Carregar todos os problemas (dos outros) sozinho definitivamente não vai resolver, eu vou me expor e me queimar a minha imagem por tentar ajudar e não conseguir o melhor (porque não ouviram meus conselhos, e minha ajuda acaba sendo “remendo”), e ainda vou me estressar, me cansar e causar danos permanentes à minha saúde mental.

Chega do pensamento bipolar maníaco de “que eu sou especial, eu posso mudar o mundo”. OK, talvez eu até possa mudar o mundo – mas sem que pra isso eu tenha que carregá-lo nas costas ou que me matar por isso.

Altruísmo, ciúmes, e outras divagações…

Dia desses estava assistinto ao episódios 504 de .F.R.I.E.N.D.S. (Aquele em que a Phoebe odeia o PBS – PBS é uma espécie de Teleton ou Criança Esperança), e um dos temas do episódio era o altruísmo. Joey disse para Phoebe que não existem ações realmente altruístas, e que qualquer ação sempre tem uma segunda ou terceira intenção… E Phoebe passa o episódio todo tentando provar que pode agir de modo altruísta, mesmo em detrimento de si mesma. Mas no momento em que ela fica feliz em ter agido de forma “altruísta”, ela percebe que o fato de agir com altruísmo para ficar feliz, elimina o altruísmo…

Rigores à parte, mesmo que o altruísmo 100% puro não exista, devemos sempre buscar aumentar constantemente o percentual de altruísmo em nossas ações. Se temos uma ação no mínimo 50% altruísta, creio que ela será benéfica. Bem… Phoebe e Joey diriam que se é apenas 50% altruísta, nem sequer é altruísta… O fato é que para mim o altruísmo não se foca em “não me agradar, não me fazer bem, não pensar em mim”, mas se foca no outro. No momento em que passamos a olhar para o outro e servi-lo, mesmo que isso nos faça bem, já vejo o altruísmo configurado.

Bem… isso tudo pra dizer que sumi, porque fui cuidar de um amigo que fez uma cirurgia de vesícula, dormi no hospital com ele de sexta pra sábado, fiquei sábado todo lá (num calor do inferno, diga-se de passagem), depois que ele teve alta ajudei em casa (com jantar, seus filhos, etc…) enquanto a esposa dele estava trabalhando o dia todo.

Apesar de cansado, sinto-me feliz de ter ajudado. Aliás, ele é um amigo que, se precisasse, dormiria até a semana toda no hospital com ele. E bem… altruísta ou não (não preciso me exibir aqui), pensei que eu devo fazer mais vezes coisas desse tipo.

Bem… e o que o ciúmes tem haver com isso? Aliás, acabo de ficar na dúvida de ciúmes ou ciumes (conforme, talvez, a nova ortografia). O fato é que ultimamente percebo que ando carente, e isso me faz ficar ciumento, coisa que não sou em regra. Não é um ciume doentio, e disso eu tenho certeza: eu em geral nem sequer chego a demonstrar que estou com ciumes. Eu não dou crises, não armo barracos, não fico mais possessivo. Ao menos isso. Tá certo que tenho  motivos pra ter ciumes de algumas pessoas… aquele ciume básico, do tipo “é porque eu me importo com você”.

Mas olha que eu tow ficando chateado. Tem gente que eu tenho tratado como prioridade, mas acabo recebendo tratamento secundário. As vezes deixo de descansar pra entrar na net pra conversar… e algumas pessoas saem da net exatamente na hora que eu entro, pra ir fazer as coisas mais “non sense”. O foda é que depois, se eu fico sem aparecer na net, ficam dizendo que eu abandonei, que eu desapareci…

Ou… passo o dia no trabalho com o MSN ligado. E nem sempre posso falar… Daê tem amigos que só falam comigo nas horas erradas, e dizem que eu sou orgulhoso. Ou amigos que nunca falam comigo, e quando eu falo com eles escuto um “você nunca fala comigo”. E o pior é que isso não é apenas para amigos virtuais, mas também pra amigos reais em que o contato é mais difícil.

Mesma coisa com os amigos reais… tem um amigo que eu tow dando um gelo. Ele me chamava sempre pra sair com ele (cinema, almoçar, etc). Só que tudo sempre é na hora que ele pode… eu tinha que me adaptar – e olha que eu sou funcionário que “bate ponto” e ele é profissional liberal. Ele pedia pra eu sair mais cedo do trabalho pra ir na sessão X do cinema. Ou me chamava pra almoçar (num lugar longe do meu trabalho, com trânsito) e atrasava uma hora (me fazendo atrasar até duas horas no horário de voltar pro trabalho)… Agora que comecei a dizer “não posso”, ouço falas do tipo “só fulano que é seu amigo” (isso porque me viu fazendo compras pra o amigo-lá-de-cima-da-cirurgia no Carrefour do Shopping – já que era domingo e era o supermercado aberto mais próximo da minha casa) e ficou dando chilique (já que eu disse pra ele que não estou podendo sair porque estou sem tempo, o que não é mentira)…

Isso é que é foda. O fulano-da-cirurgia sempre esteve pra me ajudar, inclusive nas horas difíceis… Esse outro amigo sequer me visitou ou me ligou, mesmo sabendo que eu tinha fraturado o pé, pra ser apenas um exemplo. E o fulano tava viajando, mas pediu pra esposa fazer compras e levar na minha casa… Agora, quando vou ajudar o fulano, que está numa situação de saúde… o tal amigo fica dando crise de “não é meu amigo”. Foda-se…

Podem me questionar… como um cara desses ainda tem amigos assim?

Eu tenho várias teses sobre isso. Talvez a carência me torne uma pessoa não seletiva. Mas… todos os meus amigos tem partes boas e ruins, e eu tento lidar com isso – muito embora eu dificilmente tenha saco pra lidar com as cobranças exageradas. Talvez a falta de “um melhor amigo” daqueles que você pode contar TUDO, pode conversar sobre tudo, pode ser você mesmo sem reservas… talvez essa seja a melhor tese.

É que acabo escalonando minhas amizades. Grupo A me conhece muito bem como profissional. Grupo B me acolhe como uma pessoa “família”. Grupo C é o grupo dos amigos do mesmo curso, com objetivos de vida semelhantes… O Grupo A reprime meu desejo de diversão inconsequente. O Grupo B me reprime minhas aspirações profissionais. O Grupo C não conhece nada sobre o “outro lado” da minha vida. E assim vai.

E os poucos amigos que “sabem tudo” da minha vida… São virtuais. Estão longe. Podem até dizer que se importam, mas ocasionalmente nem lembram de mim. Não estão perto quando eu preciso. E aliás, muitas vezes quando vou desabafar, ou contar… fica parecendo que estou me fazendo de coitado… ou que os amigos estão ficando entediados.

Amigo bom é o blog. Que eu só vejo quando quero, não me faz cobranças, e me aceita como eu sou… e posso escrever o que eu quiser, que ele não me julga… hauhauhauhauh (bela ilusão, como se os leitores não me julgassem).

Fascínio vouyer

Acredito que de uma forma ou de outra, todos têm um lado vouyer. Eu tenho… não relacionado à pornografia. Aliás, vouyerismo erótico é uma das fantasias que ficam no final da lista, pra mim. Mas acho que qualquer fixação em ler blogs, acompanhar seriados e até assistir novela é uma espécie de vouyerismo.

Me preferido são blogs. Muito embora eu não leia muitos, mas gosto de ler, sobretudo os anônimos. Tenho uns cinco ou seis que leio com frequência. Mesmo que versem apenas sobre “o dia-a-dia”, sobre coisas básicas do cotidiano… eu gosto de saber o que acontece com algumas dessas pessoas. Tem blog que já acompanho há quase cinco anos. Ou mais… Acho que é a mesma coisa com os leitores daqui.

Eu nem sou inteligente, nem escrevo coisas cult… Eu ultimamente nem tenho falado muito sobre o Transtorno Bipolar do Humor, tema principal do blog. Mas ainda assim tenho visitantes frequentes. Mesmo que não deixem recados, alguns deles eu consigo traçar o IP e pressupor que são sempre os mesmos (os IP’s não são fixos, mas costumam vir sempre de um mesmo provedor). Outros escrevem e-mails quando eu fico tempos sem escrever, ou falam no MSN que leram e não tiveram tempo/saco/paciência/vontade/costume de comentar. Eu entendo, porque também leio blogs, e tem blog q eu leio há dois anos e nunca fiz um comentário.

Outra coisa é o tal Reality Show… Ok, eu não assisto. Mas por dois motivos: falta de tempo e conhecimento de que, na maioria das vezes, o negócio é manipulado. Se não é manipulado durante a seleção das personagens, é manipulado durante as provas, ou durante a edição. Ou com  a mudança/surgimento repentina(o) das regras. Mas… reality show é uma coisa legal. Conhecer pessoas diferentes, novas… Conviver com elas, mas sem que elas te percebam. Conhecer… é um verdadeiro laboratório psico-antropológico. Tá… não estou falando desses reality shows estilo Big Brother Brasil com uma série de personagens selecionados principalmente por seu físico, sua capacidade barraqueira, sua orientação sexual, religiosa ou polítiva divergente da maioria…

E bem… confesso que não sei que teria coragem de participar de um desses programas. Uma coisa é ser totalmente aberto e transparente num blog anônimo, onde a “moral social” não está tão presente. Outra coisa é ser exposto para pessoas que irão de julgar – e mais que isso (julgar, podem fazer no blog também), que irão determinar suas relações sociais com base nisso (trabalho, carreira, oportunidades, etc…)

É. Bem que o Brasil poderia ter um Reality Show menos midiático, mais imparcial, menos manipulado. Enquanto isso continuarei lendo blogs. E escrevendo.

Direito de Resposta.

“É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo” (art. 5º,V da CF)

Saudade

Hoje senti uma saudade enorme. Senti falta da minha mãe – coisa que sinto constantemente, mas que hoje chegou a doer. Senti falta de uma amiga que foi pra Europa. Tentei falar com ela, mas não consegui. Senti falta de uma paixão platônica, que ainda hoje eu tento superar, mas que busco ao menos a amizade – uma vez que ela é casada. Liguei pra ela (no final, conto uma cena tragi-cômica sobre o assunto).

Senti falta do passado. Cheguei em casa, preparei jantar (como fazia quando ainda morava com minha mãe). Um dos pratos preferidos pra ela comer de noite: omelete. Simples, só queijo, temperos e nada mais pra recheio. Arroz branco, soltinho, com muito alho e cebola, desses que a gente come até puro. Jantei à mesa – como há muito tempo não fazia.

Senti falta de dias mais tranquilos. Tomei um banho demorado, daqueles que não costumo tomar nunca durante à semana – tanto por economia de água, e sei que o meio ambiente agradece (moro em condomínio, portanto pago o mesmo tanto, use ou não, porque aqui não existe relógios individuais), como porque sempre chego tão cansado que até banhos demorados me custam caro… Mas, tomei-o hoje. Peguei um sabonete novo, daqueles de bebê. Toalha limpa também, daquelas mais velhas, que ficam macias pelo uso.

Senti falta da vida pobre, porém alegre e sem problemas, da minha infância, onde eu sequer imaginava que a vida adulta teria tanta complexidade. Consegui entender porque minha mãe sempre chegava cansada do trabalho e não podia brincar comigo por muito tempo. E ao deitar na cama, com roupa de cama trocada, lembrei de como eu era feliz e não sabia, e de como coisas pequenas naquela época pareciam não ter importância.

Senti falta de um abraço de alguém especial. Quem quer que fosse. Apenas um abraço.

Saudade….

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Sobre a história trági-cômica, ei-la:

Hoje cedo emprestei meu carregador de celular para uma amiga, que chamarei de Monique, do departamento ao lado. Ela, como sempre, pega e nunca lembra de devolver – mas quase nunca eu preciso. Hoje, precisei e ela já havia ido embora, trancou o carregador dentro de sua gaveta – dava para ver um pedacinho do fio que beirava uma das frestas laterais da gaveta.

Precisava do carregador pois minha bateria tava quase no fim, e eu queria ligar pra amizade-ex-amor-platônico (que aqui vou chamar de Ella).

Então fiz a maior cena ante a estagiária do setor da Monique. Estávamos na copa, ela lanchando e eu sentado, tomando café. Chinguei-a de todos os nomes possíveis e disse que ia ligar pra ela e dizer tudo na cara dela. A estagiária me desafiou… Eu liguei duas vezes, mas Monique não atendia. Resolvi então ligar pra Ella, indendentemente de haver bateria suficiente ou não, de precisar do celular mais tarde ou não… apenas liguei.

Quando ela atendeu, eu derreti. Falei, provavelmente, com a voz mais melosa do mundo algo do tipo: “Oi… tudo bem… Liguei só pra dizer que estava com saudade”.

A estagiária, que pensou que eu falava com Monique (e não com Ella), voou em mim e começou a gritar, histérica: “Mentira, é mentira dele, não acredita”.

E eu sem saber se falava com a Ella ou com a Estagiária. Falava “não é a Monique, não é a Monique” e a estagiária tão histérica e desbocada não se dava conta… A Ella, por sua vez, não entendia nada do outro lado (porque achava, talvez, que eu estivesse falando “Não é a Monique” pra ela)… imagine o baby, da família dinossauro, falando pra um amor platônico algo do tipo “não é a mamãe, não é a mamãe”….

Tive, então que explicar tudo pra Ella. Só então a histagiária (mistura de histérica com estagiária) percebeu que eu não estava falando com a Monique, e sim com outra mulher…

A Ella, nem sei se entendeu direito a história, mas sei que logo logo ela vai ver isso por aqui. A histagiária ficou morrendo de vergonha (estagiário só faz m£r#@ mesmo…). E depois eu liguei pra Monique pra contar. Foi só risada… Até o povo do meu departamento riu até se acabar…. kkkkkkkk

Bem… é isso.

Braquicardia de vida.

Na verdade, o termo correto em português é Bradicardia (com a letra “d”). Entretanto, a maioria das traduções (legendas) de filmes e seriados americanos (sobretudo os médicos) erroneamente falam em Braquicardia. Que seja. Essa palavra nada mais é do que o oposto da Taquicardia, ou seja, é a redução dos batimentos do coração, enquanto a taquicardia é a sua aceleração.

É isso que tenho sentido em minha vida. Meu coração se desacelerando. Não literalmente, claro – claro do meu coração como metáfora para minhas emoções, meus sentimentos. Mas… parece que elas estão se desfalecendo. Reduzindo a intensidade. Tudo parece sem gosto, sem sal…

Não sei se é uma fase psicológica, se é uma fase material, ou o que seja. O fato é que parece que meu coração pulsa cada vez mais lento. Mesmo as fases de mania não me dão sensação de taquicardia – a euforia da mania não me causa mais sensações emocionais, mas apenas euforia “física”. Sinto falta de sono (ou disposição, que não são necessariamente a mesma coisa), meu cérebro costuma trabalhar mais rápido e exigir pagamentos altos em troca (como consumo excessivo, sobretudo de doces, carboidratos e talvez, álcool – o que aliás tenho reduzido consideravelmente após a confusão que tive quando fui embebedado; mas também consumo de coisas materiais, como desejo de comprar coisas novas, mesmo que elas provavelmente sejam inúteis).

Antigamente, quando eu tinha fases de euforia, tudo parecia mais emocional. Eu me sentia uma pessoa melhor, capaz de mudar as coisas ao meu redor, capaz de mobilizar pessoas, sentia a auto-estima ir lá em cima… sentia, sentia, sentia…

Hoje eu só sinto que estou produzindo mais, como se fosse uma máquina. Mas isso não me gera sequer o sentimento de que sou bom ou melhor. Isso não me gera o sentimento de ser insubstituível, não me eleva a estima… sou apenas uma máquina mais possante que a média – mas que consome mais combustível, mais óleo, mais pneus – e que pode ser potencialmente mais perigosa, se envolvendo em acidentes mais sérios no percurso da vida.

E talvez isso nem seja um mal. Talvez seja apenas a consciência da doença existindo apesar de mim. Talvez minhas emoções estão domadas pra não sentir mais, mesmo quando a mente desequilibrada gera ilusões e age de modo totalmente anormal.

Talvez isso seja o maior mal. Quando a mania, mesmo que desordenadamente, me faz capaz de ser “além da mediocridade”, eu não me sinto mais uma pessoa capaz de usar isso para o bem, de fazer um mundo melhor, mesmo que fosse apenas pra o mundo-ao-meu-redor.

Não sei. E isso é fato. Dúvida. Outro fato.

Mas a certeza de que estou bradicardíaco, essa me mata. Mesmo que aparentemente seja menos ruim ser bradicardíaco do que taquicardíaco… ainda assim é uma anomalia.

Se alguém por aí souber como mudar, please… avisa, ok?

ps: obrigado pela audiência e possivelmente por estarem indicando o blog. Nos últimos dias o blog tem recebido o dobro de visitas normais.

Pessimismo

Ah… esqueci de falar:

Hoje estou caindo de sono por não dormir direito há quase uma semana; meu carnaval foi uma merda total (tentei estudar, mas nem isso “rendeu” muito); minha boca está cheia de aftas, meu estômago dói como se eu tivesse levado uns cinco chutes, minhas costas doem como nunca; hoje que eu estava precisando mesmo fazer fisioterapia, eles ligaram desmarcando.

A prova ontem foi uma bosta; não consegui dormir bem por isso (sim, eu sei que estou me repetindo), pensei que ao vir trabalhar encontraria apoio, mas minha chefe não está de muito bom humor, e eu nem estou muito à fim de trabalhar, os colegas de trabalho continuam frios e distantes (ninguém sequer perguntou como tinha sido a prova); o café sempre tá mais ou menos, mas hoje, que eu preciso dele… ele está uma porcaria; uma das minhas melhores amigas (que trabalha num setor próximo ao meu) está totamente borocochô porque o filho reprovou, outra delas está mal porque brigou com o marido e não aguenta mais ser tratada como um animalzinho de estimação (que ganha tudo que o dinheiro pode dar, que também recebe carinho e atenção, mas que é tratada como “coisa”)… Nem a internet tem coisas interessantes pra fazer.

Não costumo ser tão pessimista e sempre tento ver as coisas sob uma perspectiva melhor… Mas hoje… “hoje eu só quero que o dia termine bem”. Porque se ficar pior: FUDEU !!!

Paguei a língua.

Esse post será mais do que um simples post. Será uma confissão. Paguei minha língua. Aliás, isso nem é uma coisa tão estranha assim. Vivo tomando cuidado pra não falar coisas de modo categórico, exatamente porque sei que é muito fácil acontecer d’eu ter que pagar minha língua. Fato.

Desde que descobri que tinha Transtorno Bipolar do Humor, achei no carbolitium e no topiramato boa parte da solução dos meus problemas. Abracei o tratamento e mesmo os primeiros resultados já me pareciam melhores do que a fase que eu estava vivendo – e apesar de todos os desconfortos e efeitos colaterais, eu tinha consciência de que o tratamento seria a melhor forma de viver bem. A psicoterapia também parecia importante pra mim, e mesmo eu que sempre fui uma pessoa que lidou de frente com os problemas, achei que seria benéfico…

Entretanto, por dificuldade financeira (e não por fuga, isso tenho consciência total), abandonei a psicoterapia. Mesmo sem ver na minha terapeuta uma pessoa aliada e importante, percebi que fiz vários progressos. Achei que se tivesse continuado, teria feito muitos outros. Mas não foi possível… tentei ao menos manter os progressos e tentar, mesmo sozinho, seguir em frente. Penso que dei conta do recado. Amadureci bastante. Não apenas em relação à doença, mas como um todo.

Já o tratamento farmacológico… bem… eu sempre coloquei ele na lista de prioridade máxima – quase junto com comida… talvez até mais importante. Eu deixava de fazer outras coisas pra poder comprar os remédios. Atrasei pagamento da faculdade, etc… Era comum eu ouvir que outros bipolares atrasavam ou negligenciavam o tratamento e se davam mal. Eu nunca consegui entender como alguém poderia simplesmente deixar de tomar os remédios, sabendo que precisa deles. Mesmo os efeitos colaterais eram incômodos, mas “faziam parte” do pacote de sanidade e higidez mental. Era o que eu achava…

Entretanto, confesso que paguei a língua. Fiquei meses “empacado” na monografia. E bastou eu suspender os remédios por três dias… e tudo melhorou. Comecei a ver as coisas com maior clareza, minha mente começou a trabalhar novamente em seu potencial máximo, e consegui refazer dois capítulos… Só não refiz a monografia totalmente, por falta de tempo. Depois voltei a tomar meus remédios normalmente… foi uma suspensão de cinco dias… Coisa rápida…

Acontece que depois disso, percebi o quanto os efeitos colaterais do remédio realmente são sérios. No início eu penso que não me dei conta da profundidade deles, porque eu percebia pequenas melhorias na minha qualidade de vida. Hoje, que ela parece mais equilibrada, uma semana sem medicação me demonstrou que tudo que abro mão é muito importante. Então… ao me ver prestes a enfrentar um sério concurso processo seletivo, que vai definir meu futuro profissional, não pensei duas vezes: larguei os remédios. Como o concurso é dividido em duas fases, acabei ficando praticamente três meses sem tomar a medicação. E some-se à isso o fato de não ter tido consulta no final do ano (dezembro) em virtude de desencontros (tava agendado, mas perdi o dia, depois o médico precisou viajar, depois não tinha agenda próxima… enfim…) – acabei tomando essa decisão sem qualquer acompanhamento médico.

Advirto os leitores que sei que tal atitude é irresponsável, e tenho em mente o risco em que me coloquei. Não fosse o foco nos estudos, certamente eu teria feito loucuras. Aliás, fiz algumas: bebi demais no dia da primeira fase do concurso, após o fiasco de prova, e fiz merda em cima de merda (e salvo engano já contei aqui no blog)… Acabei comprando um celular novo apenas porque o outro (que nem tinha seis meses) tinha arranhado a frente (quando caí e fraturei o pé). Ganhei dinheiro de presente, e ao invés de usar o dinheiro pra equacionar meus problemas financeiros, torrei o dinheiro todinho (comprei até um playstation) e ainda de carona gastei mais do que o próprio dinheiro…

Ao menos, pelo que percebo, essas coisas são totalmente contornáveis e em pouco tempo terei condições de resolver isso. Claro que, mesmo após tudo isso, percebo que algumas dessas coisas eu merecia, mas o dinheiro não dava pra fazer… e que eu fui inconsequente mas eu até “precisava” disso. Também percebi que estou muito mais consciente hoje, consigo perceber melhor quando estou prestes a mudar de humor, e minha capacidade de discernimento, mesmo em estados de mania, estão mais fortes. O grande problema é se a mania resolve provar pra mim que ela é mais forte que eu. O grande problema é que se eu ficar muito tempo sem esses tais remédios, os problemas irão apenas começar a fazer fila, multiplicar-se… O grande problema, é que cada crise vem mais forte que a anterior.

Sempre que digo “dessa água não beberei” eu pago a língua. Aliás, sempre que “a água que não vou beber” é uma coisa negativa. Se eu falar que “nunca namorarei fulana que é linda, legal, inteligente, etc… só porque ainda por cima ela é rica”, certamente Murphy nunca permitirá que eu pague a tal da língua…

Recomeço a tomar a medicação, sabendo que eu preciso dela… Mas totalmente inconformado, por ter que decidir entre tomar e ser uma pessoa mais “normal” (inclusive no sentido de estar equiparada à maioria da população que vive na mediocridade e nem sequer se dá conta…), ou não tomar e ser uma pessoa “mais capaz”, mas em contra partida ser “sem limites”, ou não ter total discernimento do que faço. Sem controle…

Porque essas decisões difíceis ficam sempre comigo? E, sobretudo, porque as consequências também sempre são minhas? Enquanto vejo tanta gente que não arca com as responsabilidades de sua própria vida (porque tem pai, mãe, irmãos, esposas, maridos… que fazem isso por elas…) eu preciso sempre tomar todas as decisões, arcar com todos os problemas e sempre sem ajuda de ninguém. Eu não posso fazer uma cagada sequer e não ter que arcar com as consequências? Porque raios o “acaso” nunca tem me protegido, nem mesmo se eu não andar tão distraído assim (ou mesmo que eu ande totalmente distraído)…

Tá… tá… Sei que eu não tenho idéia de quantas vezes o acaso me protegeu, porque eu estava tão distraído que sequer perceber o que poderia ter acontecido… Mas tem tanta gente irresponsável que nunca sofre as consequências de sua irresponsabilidade. Os pais assumem e limpam a cagada. O destino (ou acaso) simplesmente faz com que a coisa caia no esquecimento, ou a sorte reverte toda a inconsequência em benefícios… E eu só me fudendo.

Mas… é a vida. E quanto a mim: o melhor a fazer é ficar calado. Antes que eu pague minha língua.