Archive for fevereiro \20\UTC 2009|Monthly archive page

Insight’s

Segundo a wikipédia, Insight pode significar, dentre outras coisas:

  • O ato ou resultado de aprender a verdadeira natureza das coisas, enxergar intuitivamente
  • Ter uma grande idéia, uma verdadeira visão de futuro.

– Hoje acordei e percebi que, de fato, tenho múltiplas personalidades. E penso que se meu ciclo profissional conhecesse alguma das outras personalidades, eu provavelmente seria alvo de perseguição ou de muita pena… se não fosse demitido pela minha “incontinência de conduta”. Talvez eu nunca possa integrá-las. Vou finalmente desistir desse fardo e tentar viver (como disse no post passado, não adianta querer ser feliz, por causa do “conceito de felicidade”)…

– Ontem sonhei que muitas vagas iriam surgir num concurso que estou há quase um ano e meio esperando pra ser nomeado. Tenho esperança, mas o sonho de ontem me impressionou (mesmo à despeito d’eu achar que essa nomeação ainda vai demorar).

– Hoje, sonhei com um ex-caso. Uma ex, na verdade. Sonhei que ela estava sofrendo por minha causa e que estava bulímica. E eu que sempre pensava que ela tinha me dado o pé-na-bunda… Não sei se foi uma “visão”, mas ao menos me senti menos mal

– Até semana passada achava que estava sendo injustiçado profundamente nas minhas relações profissionais. Hoje percebi que estava me vitimizando (não que eu não tenha sido injustiçado, mas ao menos percebi que posso levantar a cabeça e seguir em frente).

– Hoje percebi que dizer NÃO pode ser a forma de me valorizar – ao contrário do que vinha fazendo: sempre dizia sim pra demonstrar minha utilidade, minha eficiência, minha competência… Acho que estava meio egocêntrico, e ver minhas falhas (ao tentar fazer milhares de coisas de uma só vez, apenas pra demonstrar eficiência) me deixou frustrado. Mas vou me recuperar.

– Ante-ontem conversei com uma amiga que está na Europa. Percebi que viver “em crise” é um processo de evolução, embora eu tenha que me martirizar um pouco menos por estar em crise.

– Percebi que sinto saudades de quem está longe. E que tento anular sentimentos me afastando das pessoas, mas isso dificilmente funciona.

E pra terminar: hoje eu só queria ser amado incondicionalmente, como acho que nunca fui antes. Não queria ter que trabalhar menos, nem ganhar mais dinheiro. Não queria que meus problemas me dessem uma folga provisória. Nem queria ter uma mulher perfeita, ou sexo animal e arrebatador. Apenas queria ser alvo de um amor que fizesse eu me sentir maior, melhor, importante… Que me amasse assim como sou… sem ajustes, sem “e se’s…”, sem barganhas ou trocas. Assim como Deus faz eu me sentir. Mas um amor humano…

E como eu me vejo humano… humano demais… E o pior: o mundo lá fora parece mais louco que o interior da minha mente, e ainda assim me sinto profundamente extraterrestre.  Provavelmente C. S. Lewis tenha razão, e o parafraseio: se sinto um vazio que nada deste mundo pode preencher, deve ser porque eu não sou daqui… sou um ET. Sou de uma eternidade distante…

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Felicidade

“Não acredito no conceito de felicidade… ele só me trás problemas.”

Essa é uma fala de um personagem bipolar de uma série de TV norte americana, que na minha opinião, retrata muito bem um bipolar – com características bem fortes e distintas de mania, depressão e psicose (lembrem-se, nem todo bipolar é psicótico).

Para mim, a frase é paradoxal, mas sincera. Afinal, eu sempre acreditei no conceito de felicidade. Mas, de fato, essa crença sempre me trouxe problemas. Talvez a (super)idealização do que é a felicidade nos impeça de viver coisas simples, momentos do dia-a-dia. Penso que “o conceito” é que acaba tornando a felicidade algo inatingível.

Por outro lado, penso que é impossível existir sem buscar a felicidade. Penso firmemente que até os seres menos complexos (do ponto de vista biológico) buscam alguma forma de felicidade – seja evolução, seja crescimento, seja satisfação… Plantas buscam sol e água. Insetos buscam açucar. E não creio que seja apenas uma questão de sobrevivência – mas de busca de satisfação também…

Talvez eu pare, a partir de agora, de conceituar felicidade. Vou apenas viver a vida sem expectativas… E quem sabe nisso eu acabe sendo feliz sem definição.

Com certeza a Valentina T. poderá me explicar… afinal ela dá as mãos e resgata-se a si mesma… Leia que você vai entender sobre o que estou falando.

Tempo e Dinheiro

Atualmente, minha maior dificuldade é administrar essas duas coisas. Enquanto eu pensava que meu maior problema era administrar meus humores, meus ânimos, minhas frustrações…

Hoje percebo que a maioria dos meus problemas gira entre tempo e dinheiro – ou ambos. Tá… não vou ser hipócrita de achar que ter tempo e dinheiro é solução pra tudo, nem vou ficar me lamentando por ser pobre, ter que trabalhar para ganhar pouco… isso seria muito piegas. Clichê. Sei que quem tem muito tempo e dinheiro em geral não aproveita as oportunidades…

Mas certamente ainda não aprendi a lidar com esses problemas. É recorrente que eu tenha necessidades que não possa pagar – ou que geralmente eu preciso negligenciar coisas realmente importantes pra satisfazê-la… E acabei percebendo que isso é quem costuma ser um disparador de comportamentos transtornados.

Agora minha fase é tempo. O blog, que é uma terapia ficou de lado. Meus relacionamentos de amizade estão sendo deixados em segundo plano. Tive um problema pessoal (uma desavença que acabou gerando um receio de perseguição) e juntando à minha falta de tempo eu acabei excluindo o meu orkut. Não tenho feito coisas básicas dentro de casa (como pequenos reparos elétricos, costurar botões em roupas, faxinas, etc). Não tenho conversado com o pessoal do MSN, nem os contatos pessoais, nem os contatos do blog. E depois da formatura passei a acordar todos os dias uma hora mais cedo e tenho ido dormir mais ou menos a mesma hora de antes.

No trabalho as coisas se repetem. Pessoas do alto escalão perdem os prazos e eu tenho que compensar pra poder dar conta do serviço. Outras monopolizam as informações até os dois dias finais da tarefa, no último dia pedem socorro – se a coisa dá certo elas ficam com os créditos. Se dá errado, eu fico com a culpa. E nos últimos meses eu tenho sempre feito uma média de doze horas- extras semanais – que vão pra um banco de horas que eu não posso usar quando preciso.

Meu carro está há dias em casa, precisando de ir pra oficina, e hora o tempo, hora o dinheiro, não consigo levá-lo para a manutenção necessária. Preciso ir em três especialistas médicos, e não consigo tempo para ir almoçar mais longe do que 5km daqui. Meu psiquiatra teve que viajar, e dentre as opções de remarcação que serviram, a mais próxima é daqui um mês (ou seja, estou desde novembro sem psiquiatra, e a sorte é que tinha receitas “emergenciais”). Fisioterapias estão sendo feitas do lado do meu serviço, muito embora meu plano de saúde me dê uma cobertura melhor….

Ah… e minhas férias de dezembro foram adiadas pra janeiro. Ainda em dezembro elas foram remarcadas pra fevereiro. Acabei achando que março seria melhor e pedi pra mudar (porque assim aproveitaria o carnaval e ainda por cima teria férias em época de baixa-temporada… já que é pra sair da época tradicional, pelo menos teria uma compensação financeira). Muita gente foi mandada embora, o serviço aumentou. Além disso um projeto urgente e prioritário surgiu – da qual eu sou peça fundamental… e minhas férias novamente foram adiadas – desta vez, sem data marcada. E a promessa é de ter que trabalhar no carnaval.

Desse jeito nem dá pra administrar o tempo. Nem o dinheiro.

Fazer um orçamento que destine uma quantia ou percentual para despesas não previstas só funcionaria se meus rendimentos não fossem menores que minhas despesas (que precisam ser cortadas constantemente pra no final do mês eu não ter um déficit). O mesmo ocorre com o tempo: não adianta eu planejar carnaval, se a todo momento eu estou na iminência de não poder viajar. Foi por isso que desisti de planejar férias pela milésima vez esse ano (e consequentemente terei que me contentar com uma viajem próxima, porque não posso comprar um pacote promocional sem ter a segurança de tirar as férias, e não consigo viajar sem ser em “promocional”).

E não adianta reclamar. Sobretudo agora, época de crise nos empregos. O jeito é ficar calado, fazer as horas-extras compensáveis à longo prazo e dar graças à Deus por estar empregado. Ou torcer pra me mandarem embora – regrar o FGTS e o seguro desemprego e aproveitar o tempo estudando. Particularmente prefiro a falsa segurança. Até agora…

O resumo é: ou eu tenho tempo e não tenho dinheiro. Ou eu não tenho nenhum tempo e tenho dinheiro suficiente pra sobreviver. Sei que isso é apenas um momento de transição. Já consigo observar a nova perspectiva de emprego, a nova cidade… Mas de qualquer modo ainda precisarei aguentar alguns meses.

Enquanto isso vou tentar empurrar as coisas com a barriga no famoso lençol curto. Tapa o corpo e descobre o pé. Tapa o pé e descobre o corpo.

Blog iniciado em 15/02/2009…