Archive for julho \27\UTC 2009|Monthly archive page

Fronteira

Agora que estou morando na fronteira, consigo perceber claramente o quanto as realidades podem se desfocar e o surreal conviver lado-a-lado com gente normal.

Do lado de cá pobreza, miséria, falta de “estudo”, mas bastante humildade, generosidade, solidariedade e vontade de viver e de ser feliz. Não existe saneamento, medicina básica, educação de qualidade, asfalto… Do lado de lá, por outro lado, a sensação é de que se está num filme. Mesmo o país sendo ainda mais pobre do que o nosso, as pessoas lá parecem ter condições muito melhores de inserção social. E agem como se fossem superiores…

Estranho… ontem fui em uma danceteria do lado de lá, e a sensação foi de estar em um filme policial, entrando numa danceteria caribenha para investigar alguma coisa… a sensação de que eu iria conhecer uma mulher e me apaixonar era iminente. Mas foi apenas sensação mesmo…

E bem… hoje eu apenas dormi e divaguei. Desejei ter tido alguém que sequer conheço pessoalmente. Desejei dançar valsa num enorme gramado cheio de lírios. Desejei entrar num avião e ir pra europa. Desejei não ter divulgado meu novo número telefônico pra algumas pessoas. Desejei poder morar do lado de lá, mesmo que isso me pareça egoísta demais. Desejei não precisar tomar remédios e conviver com a bipolaridade. Desejei contar pra todos, e não ter que viver escondendo essa condição médica (e colocando os remédios pro TBH dentro de um vidro de “protetor gástrico” para justificar a medicação em horários controlados). Desejei não ter que dividir alojamento com outra pessoa. Desejei que alguém fosse embora… Desejei uma internet mais rápida e estável. Desejei emagrecer sem fazer forças…

E bem… agora eu só desejo dormir bem.

Häagen Dasz

Hoje fui comer peixe, na cidade, agora de noite. Aproveitar pra matar a vontade. E acabei enxendo a cara (porque bebi duas cervejas rápido e não tinha comido absolutamente nada durante todo o dia). Fiquei tonto… nada mais.

Quando cheguei… lembrei que esqueci um pote fechado de Häagen Dasz no freezer do meu apartamento, que foi alugado mobiliado. Depois pensei bem, e achei que não faz muita diferença. Comer Häagen Dasz sozinho é deprimente demais: só iria sentir tristeza se eu tivesse uma boa compania para comê-lo e ele estivesse longe.

Aliás… pensei de novo em soltar pipa. Amarelo com Roxo… ou Vermelho com Roxo… Ok. Pra mim poderia ser verde escuro com verde claro, ou azul com amarelo… ou azul com roxo. Acho que faria um bom par… E bem… linha sem cerol, ok? E depois dividir o Häagen Dazs com uma só colher… ai ai ai… como estou emotivo e carente.

Bem… beijos ou abraços pra que lê.

Distância

Naquele dia eu quis ir longe, muito longe. Mas naquela situação, ir para longe era impossível. Foi o penúltimo dia antes da minha ida embora. O dia final para conseguir arrumar a mudança – coisa que eu sequer havia começado a fazer. E meu desejo era pegar o carro e dirigir em direção ao nada… e só parar quando o combustível acabasse. Fuga. Fuga da responsabilidade de selecionar o que ficaria no passado e o que entraria na minha nova vida.

Ao contrário do que todos previram (até eu mesmo), eu não senti tristeza, ansiedade, medo… nenhum sentimento assim. Apenas indiferença e fuga das responsabilidades. E eu não estava adiando o impossível, pelo contrário, eu queria muito que tudo aquilo acabasse logo, e finalmente eu começasse a viver a nova vida logo. Seria simples se eu pudesse deixar tudo para trás. Mas isso eu também não podia fazer.

E bem… fiz o que era necessário e fui. Ou melhor, vim. É que hoje estou chegando na capital do novo estado… fiz a perícia médica e voltei para o hotel, que foi selecionado num bairro afastado de forma proposital: além de gastar consideravelmente menos – já que além de ter que pagar do meu bolso, tomei um calote de três mil reais e fiz muitos gastos com a mudança… e só receberei salário no próximo mês (muito embora minhas economias me possibilitassem ficar num hotel melhor). Só a mudança vai ficar em uns três mil reais… os exatos três mil que eu tomei calote…

E bem… antes que eu esqueça… o outro motivo para ficar num hotel de bairro afastado foi resistir ao desejo de bater perna pela cidade e fazer gastos desnecessários… coisa que ainda teria despesas pra levar pra nova cidade, que fica longe daqui, e sem acesso rodo-ferroviário.

Segunda-feira estarei na nova cidade e no novo emprego.  Simples e sem ansiedade. E espero me adaptar bem. E ficar pelo menos uns cinco anos. Só.

E meu desejo de ir tão longe arrefeceu. Mais longe que eu estou… agora só pode ser depois que eu chegar na nova cidade. E nem estou com receio ou medo de ir. Apenas… é como se estivesse mudando de rua. Também não sinto desejo de voltar. Aliás… essa idéia sim, me assusta. Muito.

E vamos em frente.

Aos amigos virtuais, aos leitores aviso: pretendo continuar postando, se a internet me permitir. Não deixem de visitar. Também continuo visitando os blogs amigos, mesmo sem deixar comentários. Destaque especial (e forte abraço) pra Ella, pro Bipo, pra Alina, pra K., e pra Tetê.

Aliás… a primeira coisa que pensei quando cheguei na cidade foi em soltar pipa. E talvez eu compre o material pra levar pra outra cidade. Beijos, Tetê.

Beijos aos demais…

Aleatoricidades

Duas coisas que adoro são neologismos e eufemismos. Eufemismos pela genialidade que é amenizar o sentido de coisas, sobretudo aquelas “inamenizáveis”. Neologismos porque minha mente, na maioria das vezes é tão doida ao ponto de não saber como descrever o que penso sem que pra isso seja necessário inventar uma palavra nova – mesmo que ela seja derivada (lembro-me, de modo inútil das aulas de português: derivação por regressão) de outra palavra existente. É o meu fantástico mundo de bob particular.

Aliás, por falar em lembranças de coisas inúteis, eu já mencionei que desenhava a tabela periódica em plena aula de Direito Constitucional  – e que na época que eu precisei desenhar a tal tabela, eu tirei nota mínima pra aprovação (e olha que consegui pontos extras de um trabalho). Sim, eu detestava química… e lembro até hoje de distribuição eletrônica de linnus paulling e outras merdas que na época que eu precisava eu não consegui aprender.

Sim… hoje minha mente está dispersa. Mas, ou eu vinha escrever as tais aleatoricidades, ou não iria postar por mais uns bons dias. Talvez meses. É que todas as últimas vezes que pensei em postar (e que tive tempo pra isso), quando eu cheguei ao teclado eu travei. E bem… talvez eu fique sem internet por uns bons dias (como já disse, talvez meses). É que arrumei um emprego pra ir pra ffronteira da Venezuela. Serei Funcionário Público… desses administrativos que atendem balcão e dão carimbaço em papéis… mas a grana é até boa. E melhor é a vontade de me livrar do meu mundo atual.

Sobre meu aniversário – que foi há alguns dias atrás, a comemoração, apesar de ter sido “padrão”, me deixou bastante feliz. Saí com a família, dias antes,  e fomos comer… Nada demais… no dia eu trabalhei e nada demais. Senti falta de pessoas que estão longe. Mas isso é assim em qualquer data “especial”.

Sobre meu emprego anterior… bem… fiz, em dois meses, o serviço que oito pessoas levaram quatro anos para não conseguir fazer. E o mérito acabou sendo pra quem “supostamente” construiu o caminho. E mesmo gente que estava se opondo à realização (porque imaginava ser desperdício de recursos, afinal, o trabalho parecia impossível) acabou saindo na foto da primeira capa, enquanto eu recebi apenas um agradecimento formal. E ao que tudo indica, nem meu pagamento desse mês eu irei receber (já que estou indo embora). de qualquer modo, isso reforçou um sentimento de “eu posso ir aonde eu quiser”. E isso foi impagável.

E bem… nesses dias eu estou à ponto de surtar. A nomeação para o tal serviço público me pegou de surpresa. Preparar em quinze dias uma mudança internacional é bem complicado pra qualquer um. E ainda tenho que fazer duas páginas de exames… Detalhe: precisava de um laudo psiquiátrico dizendo que eu sou mentalmente são para poder tomar posse. Mas como moro em cidade pequena, de interior, existem apenas três ou quatro psiquiatras. Dois deles já me conhecem e os outros dois só atendem particular (e estão com as agendas lotadas até o próximo mês). Resultado – tive que ir pra outra cidade fazer o exame psiquiátrico. No final o psiquiatra disse que o exame deu normal…

Ao sair do psiquiatra eu simplesmente acabo entrando numa sexshop e comprando um vibrador – mas como algo totalmente sem premeditação e com a maior naturalidade do mundo. Como quem compra pão de queijo na padaria. Deve ter sido o massageador… E de lá acabei passando num desses cinemas pornôs (que eu nunca tinha tido coragem de entrar – o máximo que eu fazia era ir nas cabines individuais de filme). Entrei e fiquei mais prestando atenção nos caras que entravam e saiam, do que no filme em si. Eu até ria da situação… era mais a curiosidade de ver como as pessoas supostamente hétero se comportam em locais assim…

E me supreendi. Fiquei pouco mais que uma hora. Entrou um casal, que mais parecia um cara e uma dessas prostitutas de “dé-rreau-a-chupadinha” e eles ficaram no maior amasso, mas nada demais. Depois mudei de lugar e vi um cara solitário. Ele parecia assistir a um filme tedioso. Nem sequer passava a mão na calça… Mas de repente chegou um garoto, de uns 18 anos, acho, bem bombadão, e sentou ao lado dele… e de repente ele ajoelhou-se e bem… já sabe…

Quando tava quase saindo, sem nada fazer, vi dois caras se pegando numa sala anexa – uma espécie de dark-room. Minha cara de pau foi tamanha que eu simplesmente sentei perto deles e de repente o cara “ativo” veio pra cima de mim. Descobri que na verdade ele queria um outro ativo para traçá-lo (e que ele só estava comendo o outro por falta de opção). Eu de imediato falei que só curtia vouyerismo e ele foi embora (enqanto o outro ficou se masturbando próximo a mim). Quando eu ia me retirando, o cara chega com dois outros e o negócio virou uma suruba infernal… Como ninguém é de ferro (e eu nunca tinha visto uma coisa assim ao vivo), aproveitei pra fazer amor comigo mesmo (lembra do eufemismo, hein?).

Daê hoje passei o dia todo ensaiando ir pra casa. Preciso arrumar minha mala de mudança mas estou até meio deprimido pra voltar pra casa. Ainda estou em outra cidade, na casa de parentes. Terei que voltar, não apenas pra pegar meu passaporte, como pra embarcar no vôo com destino a nova vida. E talvez agora eu resista em voltar pra casa, por medo de ter que deixá-la pela última vez. Durante todo o sofrimendo dos últimos anos, mesmo que aquela cidade tenha sido o inferno, minha casa sempre foi o meu refúgio. Coisa de Canceriano/Geminiano. E então passo o dia dormindo e assistindo House, MD.

Acho que isso é um rebote de transtorno bipolar. Isso tudo. Desde o cine porno até a deprê que me leva para o abuso de séries e camas… Tive que suspender o uso da medicação – porque fatalmente apareceriam no exame de sangue e de urina –  e seriam uma celeuma para a minha posse no novo emprego… E sem contar com todo o estresse dos últimos dias – finalização do trabalho no emprego anterior, a demissão, o aniversário (e as lembranças que ele evoca), o golpe no pagamento do meu salário do mês anterior, as providências sobre aluguel da casa, a mudança, os exames, a família…

Bem… hoje aproveitei (os vários dias sem, internet) pra botar a leitura de blogs em dia. Estou devendo atualizar a lista de link’s (e inserir alguns blogs que eu já comecei a ler e retirar outros que desapareceram), mas hoje além de lutar com o pensamento acelerado e doentio, tenho que lutar contra um computador feladaputa que insiste em congelar a digitação de três em três minutos. Já não basta eu não conseguir externalizar com velocidade suficiente o que minha mente pensa… ainda tenho um computador que me atrasa mais ainda…

Bem… é isso. Volto quando puder – se lá na Venezuela tiver internet decente, o que eu acho complicado.

De qualquer forma tento manter contato, mesmo que mensal. Continuem comentando e mandando e-mails.

Bjos e abraços aos leitores (as).