Archive for maio \28\UTC 2009|Monthly archive page

Atenção senhores passageiros do vôo…

Acho que nesses últimos doze dias eu ouvi mais essa frase do que meu próprio nome. Agora estou no aeroporto, prestes a – finalmente – embarcar pra casa. O avião está pelo menos cinquenta minutos atrasado, mas isso vai me dar tempo pra checar e-mails, pagar minhas contas pelo internet banking e postar aqui no blog.

As viagens só me renderam serviço. Aqui, agora. E para o futuro. Só o relatório de prestação de contas me deixará umas duas horas com serviço entediante. E bem… quase não pude passear.

De qualquer modo, valeu muito. Só as paisagens que vi são suficientes para valer à pena. Tirei algumas fotos – poucas, é verdade. Mas as memórias valem muito mais do que tudo. Da minha cidade, para o país. E futuramente, quem sabe, para o mundo.

Mas o maior resultado da viagem foi perceber quanto potencial existe dentro de mim. Foi notar que no passado eu tinha que marcar uma fala de quinze minutos com o presidente da empresa, e me sentir “favorecido” por ser atendido. E me portar como um robô, sempre com as mãos debaixo da mesa e com as maiores formalidades. Sentir medo, de falar algo e ser mal interpretado, de ser mandado embora… E hoje, perceber que eu transito entre pessoas importantes, influentes e muito maiores do que o próprio circulo de relacionamento do presidente de minha empresa. Autoridades nacionais. E ando de cabeça erguida, trato com as autoridades de igual pra igual.

E… bem… As notícias já estão se espalhando pelo meu antigo emprego. O pessoal acha que é só vida boa. E bem… não é vida boa, mas o lado mal do meu ser adora que outros sintam inveja – sobretudo pessoas que nunca me valorizaram ou me deram crédito.

Bem… é isso. Bateria no notebook acabando… e vôo sem nem previsão.

Depois passo aki. Abraços a todos.

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Retratos do dia-a-dia

Hoje eu me comovi – pra não dizer que senti pena. Detesto quando vejo alguém passar vergonha. Infelizmente a humanidade não sabe se comportar com alteridade. Até crianças adoram gozar de qualquer coisa. Crianças riem dos colegas que tem o nariz maior, que são altos demais ou baixos demais… cabelos, marcas na pele, etc… tudo é motivo de gozação e exclusão.

Voltando à comoção de hoje. Estou há alguns dias em tour pelo país, fazendo um trabalho de inteligência competitiva. Por isso sumi do mapa (do blog). Desci pra o restaurante do hotel, pra jantar, sentei num canto com melhor visão (como sempre tento fazer). Bem… só pra situar, estou num hotel 4 estrelas – a empresa tá pagando bem, que mal tem. O restaurante era cheio de frescuras, até pra mim, que estou acostumado com formalidades. Havia um buffet de antepastos, frios e talz… 60 reais o quilo. E também haviam as opções à la carte, inclusive com sugestões promocionais. De repente entrou no restaurante um senhor, de calça social, camisa com a gola surrada, chinelos estilo nordestino, também surrado e meio sujo. Parecia bastante com meu pai, versão roceiro. Ele pegou um prato e começou a servir-se no buffet, e fez um prato daqueles “montanhosos”. Quando pesou, a balança mostrou o salgado preço…

O senhor ficou sem saber se deveria desfazer o prato ou seguir em frente… tentou argumentar com o garçom à balança, mas o rapaz nem sequer permitiu que ele esvaziasse o prato. Ao mesmo tempo, cinco ou seis garçons ficaram dando risadas e fazendo comentários inapropriados. Putz… senti raiva. Corri ao encontro do senhor e convidei-o para sentar-se comigo. Conversamos pouco. Ele envergonhado e ocupado com a comida, e eu sem assunto… Então na hora de ir embora, eu propositalmente troquei as comandas (a minha tinha sido um pratinho sugestão do tipo lanchinho)..

Ao passar pelo balcão, eu ralhei com os garçons pela sua indiscrição. Fui formal. Apenas disse algo do tipo: “Vocês não deveriam fazer comentários impróprios deixando clientes desconcertados”. Passei pelo balcão e reclamei com a gerente do hotel.

Ainda estou puto de raiva até agora. Só vim porque precisava mesmo postar isso, antes que resolvesse explodir o restaurante.

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Bem… de resto, estou quase surtando. Dez dias fora de casa estão me matando. Não por saudade ou distância de casa. O foda é que estar sozinho, almoçar sozinho, dormir sozinho… me deprime. E olha que uma das coisas que eu mais gosto é viajar e conhecer lugares novos. Por sorte conheci uma comissária e foi legal. Infelizmente ela me abandonou – e disse que tudo aquilo seria apenas uma aventura de uma só noite. Ingênuo, eu.

No mais, as coisas estão dando certo pra mim. Sinto que estou numa fase de “céu-astral”. E olhe em tese eu deveria estar em inferno astral.

Falei com uma pessoa especial esses dias, que há tempos não falava. Vi que fui citado num blog e fiquei SUPER feliz. E de resto, devo ir pra casa em três ou quatro dias.

Ah…

Adorei os últimos comentários e os novos fãs. Não estou dando conta de responder os comentários, mas tenho lido-os e adorei mesmo.

Bjos e abraços pra todos.

Quebrado por dentro…

Adoro assistir séries. E bem… eu as assisto porque de alguma forma eu me identifico com elas. E serve até como uma forma de terapia: eu assisto, reconheço os personagens, verifico padrões de comportamento com as quais eu me identifico e busco soluções pra os personagens – soluções que na verdade são pra mim. E bem… recentemente a série que tem me causado maior identificação é Grey’s Anatomy, uma série médica.

Me identifico muito com Meredith Grey, uma das personagens principais – e a narradora dos inícios e términos dos episódios. Ela é uma residente de medicina, e filha de um ícone na medicina, Ellis Grey (que ficcionalmente descreveu o Método Grey de Anatomia). No decorrer da série, vemos Meredith conhecendo seu pai, alcóolatra que abandonou o lar, e sua meio-irmã, Lexie. Tem que cuidar de sua mãe, que sofre de Alzhaimer – e que sempre a deixou de lado por causa da medicina, e que por último, cobrou que Meredith fosse “a melhor”. Além disso tem que lidar com “a sombra” da mãe, no hospital; e com o seu chefe, que mais tarde descobre ter sido o motivo da separação de seus pais, o grande amor de sua mãe… e que ele não teve a decência de largar tudo por ela. Conhece um médico mais velho… Derek… e começam a se relacionar, quando percebe que sua vida e seu comportamento são resultado de sua infância: a cobrança de performances, a rejeição da mãe, o abandono do pai, etc…

É uma versão da minha história. Meu pai não era alcóolatra, mas era bruto e não separou de minha mãe, mas vivia mais com a outra família. Minha mãe não era médica, nem criou uma teoria… mas sempre se dedicou mais ao trabalho do que à família (mesmo sob o argumento de sustentar à casa). Eu sempre cresci tendo minhas necessidades emocionais em último plano. E no fim tive que cuidar de minha mãe à despeito de minha própria vida (inclusive desfazendo um noivado). E isso sem contar com a pobreza, os abusos sexuais, a repressão religiosa…

Meredith diz que hoje entende porque seus relacionamentos não costumam dar certo. Porque ela é uma pessoa quebrada por dentro. É como eu cheguei à conclusão que me sinto. Quebrado por dentro. Destruído. Procurando conserto. E talvez nem tudo seja culpa do transtorno bipolar do humor. Nem tudo…

Mas Meredith encontra na terapia e na leitura dos diários de sua mãe uma forma de abstrair essa dor que ela sente. E ajudada por seus amigos e por seu namorado… e até mesmo pelo ex-amante de sua mãe, também seu chefe, ela consegue ir consertando as coisas aos poucos.

E eu… eu vou encontrando cura nos remédios e na terapia. E nos seriados também. Infelizmente não tenho amigos próximos e uma namorada como a personagem de Derek Sheppard pra me acolher. E hoje… hoje eu só queria estar assim, acolhido. Me sentir seguro. Afagado. Importante pra alguém, mas de um jeito tão próximo, tão especial e tão íntimo, que isso fosse suficiente pra suprir tudo. Ok… sei que isso é muito, mas eu tenho o direito de sonhar, non?

Mudando de assunto. Escrevi um rascunho de post, mas como ele ficou meio sem contexto, e como eu queria escrever essa reflexão do “quebrado por dentro”, eu acabei desistindo de reformá-lo. Então vou contar aqui mesmo. Estou mudando de emprego.

Seria uma longa história, mas… eu estava no lugar certo, na hora certa, fazendo o que sei fazer de melhor (e que na ocasião era a coisa certa). E a pessoa certa me viu, e pensou que eu fosse a contratação certa pra se fazer. Em menos de duas semanas o que foi uma coincidência passou a ser um contrato de trabalho. Trabalhar metade do que trabalho hoje (e com horários totalmente flexíveis), pra ganhar o triplo do que ganho (e com possibilidade de ascensão e de fazer trabalhos como freela por fora), numa cidade muito melhor do que a minha (e que fica bem próxima). E fazer exatamente o que gosto e que é aquilo em que sou melhor – coisa que minha empresa anterior não havia enxergado. Vou trabalhar diretamente com o Presidente da nova empresa. Terei uma equipe com pelo menos cinco pessoas… enfim… estou super empolgado. O departamento/cargo é uma espécie de inteligência competitiva, só que em uma área mais especializada.

Mas nessas duas semanas estou cansado prá caralho caramba. É que ainda estou no emprego antigo, mas já comecei a trabalhar para o emprego novo (virtualmente) e ainda alguns projetos do emprego antigo pra finalizar e outros pra repassar à outras pessoas.

E bem… confesso que esse momento de transição me assusta um pouco. Deixar uma zona de conforto, onde apesar d’eu não ser reconhecido financeiramente, eu era considerado o melhor no que fazia…. e ir pra um lugar que pela própria natureza é desafiador por sí só, e aonde você ainda não é conhecido e respeitado como profissional… bem… é de fato um pouco assustador. Mas sei que é um desafio necessário. A única forma de não continuar estagnado.

O mais interessante é que o Vice-Presidente de Administração do meu emprego (o velho) disse que ficou surpreso e chateado com a minha saída. Explico: há meses atrás ele me disse que a empresa estava expandindo um Departamento e que me levaria pra lá, para ser o segundo do departamento. O problema é que já tem muito tempo, e eu não poderia perder essa oportunidade nova. Promessas não pagam minhas contas. E além disso, o atual gestor desse departamento me confessou que ganha menos do que a proposta do novo emprego. Falei na cara do VP de Administração que eu estava aberto à negociar minha saída. Ele mudou de assunto, arrumou um compromisso urgente e foi embora.

Confesso que seria mais confortável pra mim continuar nessa empresa. Até mesmo porque mesmo nesse outro departamento, eu já sou respeitado. Mas… como a empresa não está disposta à me valorizar financeiramente de modo adequado… lamento não poder rescusar uma proposta mais interessante (sim, estou sendo um pouco sarcástico… mas só um pouco, ok?)

Bem… é isso… se eu demorar à postar, não se preocupem, não suicidei. Apenas estou abarrotado de trabalho.

É isso.