Suor frio

Noite de sábado e eu estou aqui. Suando frio. Não é febre ou nenhuma doença. Apenas sentimentos represados há muito tempo. Muito.

Meus dedos tremem sob o teclado, como se fosse um alcoólatra que passou muito tempo em abstinência e agora volta a beber uma dose do doce veneno, que lhe faz uma pessoa incrível e ao mesmo tempo lhe destrói a vida. Assim eu me sinto em voltar a este blog. Aqui é um lugar onde encontro refúgio, e onde posso afogar minhas mágoas, fantasiar sonhos bons e fugir da realidade. Por outro lado, a fuga é sempre um problema. Seja álcool, sexo, música, seriados, sono ou blog… a fuga é apenas um jeito de postergar o inevitável: a vida é dura, difícil e normalmente não é nada justa, mas ela precisa ser vivida e, ocasionalmente, ela tem recompensas. É como dizia o cantor, tristeza não tem fim, felicidade sim.

Em todo o caso, me entorpecimento é resultado, como já disse, de uma represa de sentimentos. Meu tempo na selva está quase acabando. A selva é um lugar de privação, onde você precisa aprender a viver com quase nada. Mas por bem ou por mal, sei que esse tempo está acabando… Parando de divagar e voltando ao ponto, a selva fez com que eu represasse muitos sentimentos. A dificuldade de acessar a internet, o medo de ser descoberto, o desejo de parecer normal… todas essas coisas me afastaram do blog. Usar internet por aqui acaba sendo um teste de paciência, e um risco (já que ninguém sabe se você está sendo ou não rastreado). Mas meu tempo de selva está prestes a acabar.

O frenesi das minhas mãos é o mesmo da minha mente. Como sempre (isso não é novidade aqui nesse blog), minha mente divaga entre diversos assuntos e eu não sei exatamente como me comportar. A ansiedade (que nesses dias está especialmente aflorada) me devora e eu acabo ficando ainda mais disperso. Quero fazer uma tatoo. Quero comprar um carro novo. Quero uma namorada. Quero mudar, definitivamente, todo o meu cotidiano. Essa dispersão me impede de continuar tentando buscar o equilíbrio. Minha vidinha aparentemente normal já está me deixando entediado. E meus objetivos de “sobriedade”, “normalidade” e “equilíbrio” estão começando a não fazer mais nenhum sentido.

Sim, o tédio está em alta, e tudo o que gostaria era de voltar ao passado, momento em que eu simplesmente era um cara normal e isso me satisfazia. Hoje, contudo, eu quero mais! Quero deixar a mediocridade de lado. Quero abandonar o objetivo da minha vida (que aparentemente é apenas um meio de mostrar para os outros que eu sou capaz) e passar a viver outra vibe. Alucinar. Quero regredir, sabendo que o que mais importa não é andar pra frente, mas andar para o lugar certo.

Se você está voltado na direção do precipício, andar em frente quer dizer a sua morte. Por outro lado, desistir de ir em frente e voltar atrás é sua salvação.

Mas quem se importa? Tudo hoje em dia é uma questão de seguir em frente.

Ainda continuo suando frio. É sinal de que ainda tenho muito o que escrever. Mas não sei se vou conseguir agora. Tudo soa tão desconexo. É o tremor, a crise de abstinência. O desejo de mergulhar fundo, mas com a consciência de que algo está errado. Mas algo é mais forte…

A sorte é que tenho duas doses de whisky e um dvd. Acho que isso irá me fazer relaxar e centrar as ideias. E depois, nada será melhor do que minha cama vazia. Então nessa hora eu observo que seria melhor uma cama cheia, um pouco de intimidade… mas ok, as coisas são como são. Não se pode ter tudo na vida. Então ao whisky…

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1 comment so far

  1. Fernanda Puga de Moraes on

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