Novo emprego

Tenho gostado bastante do novo emprego, exceto nos raros momentos de tensão – onde toda a equipe quer confrontar o chefe, mas ninguém tem coragem: todos me estimulam, dizem que vão me apoiar, e quando eu começo, todos caem fora. De qualquer forma, estou gostando bastante.

Por outro lado, tenho tido cada vez menos tempo para a internet. Em parte isso é bom, porque a internet já não era mais a mesma coisa. Mas sinto falta de algumas pessoas, que de tão próximas, emocionalmente falando, se tornaram especiais, mesmo estando distantes fisicamente.

Nos últimos dias eu estive em Brasília. E como meu irmão aproveitou pra vir passar férias em minha casa exatamente nesse período de transição para um novo emprego… ele tem me acompanhado em minhas viagens de trabalho. Felizmente ele é super tranquilo, e não estressa com isso.

Bem… eu nem poderia estar aqui, agora. Tenho coisas à fazer. Mas tinha que passar pra dizer que estou com saudades de muitas pessoas, que mesmo sem postar tenho lido os comentários e que não pretendo abandonar o blog.

É isso. Sobre minha saúde mental… depois posto uma notinha.

Fui.

Atenção senhores passageiros do vôo…

Acho que nesses últimos doze dias eu ouvi mais essa frase do que meu próprio nome. Agora estou no aeroporto, prestes a – finalmente – embarcar pra casa. O avião está pelo menos cinquenta minutos atrasado, mas isso vai me dar tempo pra checar e-mails, pagar minhas contas pelo internet banking e postar aqui no blog.

As viagens só me renderam serviço. Aqui, agora. E para o futuro. Só o relatório de prestação de contas me deixará umas duas horas com serviço entediante. E bem… quase não pude passear.

De qualquer modo, valeu muito. Só as paisagens que vi são suficientes para valer à pena. Tirei algumas fotos – poucas, é verdade. Mas as memórias valem muito mais do que tudo. Da minha cidade, para o país. E futuramente, quem sabe, para o mundo.

Mas o maior resultado da viagem foi perceber quanto potencial existe dentro de mim. Foi notar que no passado eu tinha que marcar uma fala de quinze minutos com o presidente da empresa, e me sentir “favorecido” por ser atendido. E me portar como um robô, sempre com as mãos debaixo da mesa e com as maiores formalidades. Sentir medo, de falar algo e ser mal interpretado, de ser mandado embora… E hoje, perceber que eu transito entre pessoas importantes, influentes e muito maiores do que o próprio circulo de relacionamento do presidente de minha empresa. Autoridades nacionais. E ando de cabeça erguida, trato com as autoridades de igual pra igual.

E… bem… As notícias já estão se espalhando pelo meu antigo emprego. O pessoal acha que é só vida boa. E bem… não é vida boa, mas o lado mal do meu ser adora que outros sintam inveja – sobretudo pessoas que nunca me valorizaram ou me deram crédito.

Bem… é isso. Bateria no notebook acabando… e vôo sem nem previsão.

Depois passo aki. Abraços a todos.

Retratos do dia-a-dia

Hoje eu me comovi – pra não dizer que senti pena. Detesto quando vejo alguém passar vergonha. Infelizmente a humanidade não sabe se comportar com alteridade. Até crianças adoram gozar de qualquer coisa. Crianças riem dos colegas que tem o nariz maior, que são altos demais ou baixos demais… cabelos, marcas na pele, etc… tudo é motivo de gozação e exclusão.

Voltando à comoção de hoje. Estou há alguns dias em tour pelo país, fazendo um trabalho de inteligência competitiva. Por isso sumi do mapa (do blog). Desci pra o restaurante do hotel, pra jantar, sentei num canto com melhor visão (como sempre tento fazer). Bem… só pra situar, estou num hotel 4 estrelas – a empresa tá pagando bem, que mal tem. O restaurante era cheio de frescuras, até pra mim, que estou acostumado com formalidades. Havia um buffet de antepastos, frios e talz… 60 reais o quilo. E também haviam as opções à la carte, inclusive com sugestões promocionais. De repente entrou no restaurante um senhor, de calça social, camisa com a gola surrada, chinelos estilo nordestino, também surrado e meio sujo. Parecia bastante com meu pai, versão roceiro. Ele pegou um prato e começou a servir-se no buffet, e fez um prato daqueles “montanhosos”. Quando pesou, a balança mostrou o salgado preço…

O senhor ficou sem saber se deveria desfazer o prato ou seguir em frente… tentou argumentar com o garçom à balança, mas o rapaz nem sequer permitiu que ele esvaziasse o prato. Ao mesmo tempo, cinco ou seis garçons ficaram dando risadas e fazendo comentários inapropriados. Putz… senti raiva. Corri ao encontro do senhor e convidei-o para sentar-se comigo. Conversamos pouco. Ele envergonhado e ocupado com a comida, e eu sem assunto… Então na hora de ir embora, eu propositalmente troquei as comandas (a minha tinha sido um pratinho sugestão do tipo lanchinho)..

Ao passar pelo balcão, eu ralhei com os garçons pela sua indiscrição. Fui formal. Apenas disse algo do tipo: “Vocês não deveriam fazer comentários impróprios deixando clientes desconcertados”. Passei pelo balcão e reclamei com a gerente do hotel.

Ainda estou puto de raiva até agora. Só vim porque precisava mesmo postar isso, antes que resolvesse explodir o restaurante.

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Bem… de resto, estou quase surtando. Dez dias fora de casa estão me matando. Não por saudade ou distância de casa. O foda é que estar sozinho, almoçar sozinho, dormir sozinho… me deprime. E olha que uma das coisas que eu mais gosto é viajar e conhecer lugares novos. Por sorte conheci uma comissária e foi legal. Infelizmente ela me abandonou – e disse que tudo aquilo seria apenas uma aventura de uma só noite. Ingênuo, eu.

No mais, as coisas estão dando certo pra mim. Sinto que estou numa fase de “céu-astral”. E olhe em tese eu deveria estar em inferno astral.

Falei com uma pessoa especial esses dias, que há tempos não falava. Vi que fui citado num blog e fiquei SUPER feliz. E de resto, devo ir pra casa em três ou quatro dias.

Ah…

Adorei os últimos comentários e os novos fãs. Não estou dando conta de responder os comentários, mas tenho lido-os e adorei mesmo.

Bjos e abraços pra todos.

Quebrado por dentro…

Adoro assistir séries. E bem… eu as assisto porque de alguma forma eu me identifico com elas. E serve até como uma forma de terapia: eu assisto, reconheço os personagens, verifico padrões de comportamento com as quais eu me identifico e busco soluções pra os personagens – soluções que na verdade são pra mim. E bem… recentemente a série que tem me causado maior identificação é Grey’s Anatomy, uma série médica.

Me identifico muito com Meredith Grey, uma das personagens principais – e a narradora dos inícios e términos dos episódios. Ela é uma residente de medicina, e filha de um ícone na medicina, Ellis Grey (que ficcionalmente descreveu o Método Grey de Anatomia). No decorrer da série, vemos Meredith conhecendo seu pai, alcóolatra que abandonou o lar, e sua meio-irmã, Lexie. Tem que cuidar de sua mãe, que sofre de Alzhaimer – e que sempre a deixou de lado por causa da medicina, e que por último, cobrou que Meredith fosse “a melhor”. Além disso tem que lidar com “a sombra” da mãe, no hospital; e com o seu chefe, que mais tarde descobre ter sido o motivo da separação de seus pais, o grande amor de sua mãe… e que ele não teve a decência de largar tudo por ela. Conhece um médico mais velho… Derek… e começam a se relacionar, quando percebe que sua vida e seu comportamento são resultado de sua infância: a cobrança de performances, a rejeição da mãe, o abandono do pai, etc…

É uma versão da minha história. Meu pai não era alcóolatra, mas era bruto e não separou de minha mãe, mas vivia mais com a outra família. Minha mãe não era médica, nem criou uma teoria… mas sempre se dedicou mais ao trabalho do que à família (mesmo sob o argumento de sustentar à casa). Eu sempre cresci tendo minhas necessidades emocionais em último plano. E no fim tive que cuidar de minha mãe à despeito de minha própria vida (inclusive desfazendo um noivado). E isso sem contar com a pobreza, os abusos sexuais, a repressão religiosa…

Meredith diz que hoje entende porque seus relacionamentos não costumam dar certo. Porque ela é uma pessoa quebrada por dentro. É como eu cheguei à conclusão que me sinto. Quebrado por dentro. Destruído. Procurando conserto. E talvez nem tudo seja culpa do transtorno bipolar do humor. Nem tudo…

Mas Meredith encontra na terapia e na leitura dos diários de sua mãe uma forma de abstrair essa dor que ela sente. E ajudada por seus amigos e por seu namorado… e até mesmo pelo ex-amante de sua mãe, também seu chefe, ela consegue ir consertando as coisas aos poucos.

E eu… eu vou encontrando cura nos remédios e na terapia. E nos seriados também. Infelizmente não tenho amigos próximos e uma namorada como a personagem de Derek Sheppard pra me acolher. E hoje… hoje eu só queria estar assim, acolhido. Me sentir seguro. Afagado. Importante pra alguém, mas de um jeito tão próximo, tão especial e tão íntimo, que isso fosse suficiente pra suprir tudo. Ok… sei que isso é muito, mas eu tenho o direito de sonhar, non?

Mudando de assunto. Escrevi um rascunho de post, mas como ele ficou meio sem contexto, e como eu queria escrever essa reflexão do “quebrado por dentro”, eu acabei desistindo de reformá-lo. Então vou contar aqui mesmo. Estou mudando de emprego.

Seria uma longa história, mas… eu estava no lugar certo, na hora certa, fazendo o que sei fazer de melhor (e que na ocasião era a coisa certa). E a pessoa certa me viu, e pensou que eu fosse a contratação certa pra se fazer. Em menos de duas semanas o que foi uma coincidência passou a ser um contrato de trabalho. Trabalhar metade do que trabalho hoje (e com horários totalmente flexíveis), pra ganhar o triplo do que ganho (e com possibilidade de ascensão e de fazer trabalhos como freela por fora), numa cidade muito melhor do que a minha (e que fica bem próxima). E fazer exatamente o que gosto e que é aquilo em que sou melhor – coisa que minha empresa anterior não havia enxergado. Vou trabalhar diretamente com o Presidente da nova empresa. Terei uma equipe com pelo menos cinco pessoas… enfim… estou super empolgado. O departamento/cargo é uma espécie de inteligência competitiva, só que em uma área mais especializada.

Mas nessas duas semanas estou cansado prá caralho caramba. É que ainda estou no emprego antigo, mas já comecei a trabalhar para o emprego novo (virtualmente) e ainda alguns projetos do emprego antigo pra finalizar e outros pra repassar à outras pessoas.

E bem… confesso que esse momento de transição me assusta um pouco. Deixar uma zona de conforto, onde apesar d’eu não ser reconhecido financeiramente, eu era considerado o melhor no que fazia…. e ir pra um lugar que pela própria natureza é desafiador por sí só, e aonde você ainda não é conhecido e respeitado como profissional… bem… é de fato um pouco assustador. Mas sei que é um desafio necessário. A única forma de não continuar estagnado.

O mais interessante é que o Vice-Presidente de Administração do meu emprego (o velho) disse que ficou surpreso e chateado com a minha saída. Explico: há meses atrás ele me disse que a empresa estava expandindo um Departamento e que me levaria pra lá, para ser o segundo do departamento. O problema é que já tem muito tempo, e eu não poderia perder essa oportunidade nova. Promessas não pagam minhas contas. E além disso, o atual gestor desse departamento me confessou que ganha menos do que a proposta do novo emprego. Falei na cara do VP de Administração que eu estava aberto à negociar minha saída. Ele mudou de assunto, arrumou um compromisso urgente e foi embora.

Confesso que seria mais confortável pra mim continuar nessa empresa. Até mesmo porque mesmo nesse outro departamento, eu já sou respeitado. Mas… como a empresa não está disposta à me valorizar financeiramente de modo adequado… lamento não poder rescusar uma proposta mais interessante (sim, estou sendo um pouco sarcástico… mas só um pouco, ok?)

Bem… é isso… se eu demorar à postar, não se preocupem, não suicidei. Apenas estou abarrotado de trabalho.

É isso.

Insônia

Já passou de duas da manhã, e como diria Ed Motta, “não fiz nada até agora, vô sair fora… mais um dia se passou e eu não posso parar, essa é a hora”.  E vou ter que “acordar” às 4h, e matar serviço. É que tenho que ir pra uma cidade X, pra de lá ir pra uma cidade Y (bem ao estilo “do contra”). É como querer ir pro Rio (saindo de São Paulo) e ter que passar em Sorocaba ou Campinas…

Bem… mas eu vim mesmo foi postar sobre a insônia. Maldita insônia de um bipolar em tratamento. Antes, quando eu não tomava os veneninhos, minhas insônias podiam durar dias, mas eu sempre tinha excelentes coisas pra fazer. Naquela época eu conseguia fantasiar coisas sinistras, eu conseguia estudar horas à fio, conseguia ficar assistindo seriado de madrugada, e navegar na net era sempre muito interessante.

Não sei se isso é problema dos remédios ou meu, mas o fato é que até mesmo o sono parece chato. Quer dizer, antes o sono era pouco e escasso, mas eu conseguia sonhar (e ocasionalmente até manipular o tema dos sonhos, retomar sonhos anteriores e continuar, essas coisas). E mesmo que eu não sonhasse, o sono naquela época parecia importante: artigo de luxo, mas que quando eu conseguia dormir, ele era realmente revigorante. Até como fuga ele era muito bom. Eu dormia e esquecia dos problemas. Hoje dormir é apenas mais uma burocracia fisiológica, e sobretudo psicológica (porque se eu não dormir, acabo surtando). O sono não é mais revigorante. E se eu dormir uma hora a mais, depois eu não consigo dormir direito, no outro dia.

Aliás, até a insônia hoje é uma bosta. Eu não consigo estudar, porque me falta capacidade de concentração. Também não consigo ler um livro numa sentada ou assistir seriados, porque fico preocupado que o sono pode me fazer falta. E não só isso, mas eu não consigo me concentrar, minha mente perde o foco. A net… bem, a internet deixou de ser o que era há muito tempo. E meu quarto, que sempre foi minha Nárnia particular (ou seria minha Hogwart’s… ou a cidade dos Elfos, as Terras Médias… sei lá, pode escolher…) agora me parece apenas um cubículo apertado, desorganizado e com as paredes precisando renovar a pintura.

E quando eu penso nisso, é inevitável questionar: Que estabilidade é essa? Será se Erasmo de Rotterdam estaria certo em elogiar a loucura, já que possivelmente ela [a loucura] é que dá aos homens toda alegria e gozo que se pode imaginar?

Digo isso, porque a vida hoje se resume à duas alternativas básicas: fazer um tratamento, que será para o resto da vida, complexo, caro, cheio de efeitos colaterais – e viver uma vida “equilibrada”, que por um lado pode ser menos desastrosa e traumática do que seria sem o tratamento, mas que também certamente será menos alegre, intensa e potencialmente grande; OU largar o tratamento de lado e viver uma vida totalmente desequilibrada, onde você pode ser um gênio, ter super habilidades (algumas delas reais, inclusive, como a capacidade de persuadir, mobilizar, resolver situações complexas como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, etc) – e por outro lado submeter-se à sua própria falta de discernimento, de limites, de auto-crítica, de senso do ridículo (vulgo semancol) e viver sempre em altos e baixos… alguns altos tão altos – mas também alguns baixos tão profundos…

… que no final não sei bem o que escolher. De qualquer modo, serei honesto, visceralmente, talvez. E certamente serei politicamente incorreto, não tenho dúvidas. Hoje vivo entre as duas opções – que parecem totalmente contraditórias e inconciliáveis. Mas eu tento conciliá-las. O equilibrio é sempre o melhor caminho, até mesmo quando uma das opções é o próprio equilíbrio – portanto, não seja sempre equilibrado… hehehehhehe…. (se meu professor de lógica visse isso, estaria surtando).

O fato é que, embora meu psiquiatra recomende a continuidade do tratamento;  que meus amigos me questinonem sobre a manutenção da minha medicação (e eu sempre minta, dizendo estar com a medicação “em dias”), que eu mesmo saiba que deixar de tomar a medicação é perigoso e potencialmente danoso (dano de cujo maior afetado serei eu mesmo)… embora eu saiba de tudo isso, não consigo evitar de tomar a medidação. Só pra contextualizar, voltei a tomar a medicação segunda-feira, ok?

O fato é que, inevitavelmente minhas conclusões me impedem de manter esse tratamento sempre. Não conseguiria ter terminado a monografia tomando topiramato e carbolitium. Não conseguiria ser aprovado no exame e no concurso. Não conseguiria dar conta do trabalho, na época da auditoria. Não conseguiria quebrar meus jejuns de sexo. De alguma forma, todas essas coisas são graças à mania. A mania é parte de mim, e eu sou dependente dela. Mesmo que eu tenha “reaprendido” depois da medicação me “emburrecer” (reaprendido à ler, à pensar, à me concentar, à me focar), esse processo bateu num limite. Com a medicação eu só consigo ler até um ponto. Eu só consigo pensar uma coisa de cada vez. E isso pode ser bom até certo ponto. Mas nem sempre.

O foda é que a sociedade acaba cobrando sempre mais. Você precisa produzir mais. Você precisa estudar mais. Você precisa mais…. Agora quando a gente surta e “gasta mais”, eles não estão nem aí pro fato de você ser um bipolar, uma pessoa sem auto-controle, sem capacidades pra administrar suas finanças, etc… Agora se você não puder produzir e trabalhar como um bipolar (em mania), você é demitido. Se você não conseguir cantar mulheres como um bipolar (em mania), você acaba a noite sozinho, num balcão, tomando uma bebida qualquer e se lamentando por não ter ficado em casa. Se você não consegue transar como um bipolar em mania, você provavelmente será trocado por um cara “melhor de cama do que você”, mesmo que seja um bom homem, com boas perspectivas de futuro, fiel, carinhoso e blá blá blá.

E sem contar que meus remédios reduzem as crises de mania, mas não reduzem minha depressão (contextual) e sobretudo não reduzem minhas crises de humor misto (e meu desejo latente de morte). Minha sorte é a covardia…

E meu dilema continua… E pra ser um pouco politicamente correto, eu conheço alguns bipolares que ligaram o foda-se e estão SE fodendo MESMO. E conheço uns poucos que cumprem o tratamento de modo religioso e vivem uma vidinha medíocre, mas pacata, pacífica, traquila e tá-tudo-bem…

E eu?

Eu vou “dormir”, que ainda “tenho uma hora” antes de “ter que acordar”.

Empatia

A empatia é, segundo Hoffman (1981), a resposta afetiva vicária a outras pessoas, ou seja, uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa, e não à própria situação.

O termo foi usado pela primeira vez no início do século XX, pelo filósofo alemão Theodor Lipps (1851-1914), “para indicar a relação entre o artista e o espectador que projeta a si mesmo na obra de arte.” Fonte: Wikipédia

Nunca me canso de experimentar empatia dos leitores desse blog. Aliás, por meio desse blog eu já me meti em confusao, eu já fiquei com um uma garota bipolar (por quem eu me apaixonei e não fui correspondido), eu já conheci pessoas de longe (e outras nem tão longe assim), eu fiz amizades importantes… Me apaixonei algumas vezes (não sou volúvel, sou carente) e aprendi a tentar não me deixar levar pelas carências – fazer amizade sem achar que fulana é a minha alma gêmea… Até contatos profissionais eu fiz no blog – amigos com quem eu posso discutir sobre meu trabalho e até mesmo achar boas soluções – e num movimento de mão-e-contra-mão, dar sugestões…

E nesse final de semana, numa das poucas ocasiões em que eu entrei no msn do blog, conheci uma pessoa muito especial. E ela me disse que nutria um grande carinho por mim. Sei que isso é resultado da empatia. Aliás, eu sempre me surpreendo, porque boa parte dos meus leitores assíduos são muito empáticos comigo. Uns porque são bipolares e sabem exatamente o que eu estou sentindo. Outros, porque mesmo não sendo bipolares, conhecem ou conheceram algum bipolar e podem ver o quão complicado é ser um bipolar. De qualquer modo, eu me espanto mesmo. Me espanto, porque enquanto eu acho que este blog é apenas uma verborragia, uma coisa qualquer, que faz menos sentido do que eu imagine, uma forma terapeutica de falar tudo e não surtar com as pressões… percebo gente que dá valor no que eu falo, que encontra aqui coisas úteis, e até mesmo gente que me admira.

Faz bem pro Ego, não nego (rimou, hein!!!). Mas o que mais me deixa feliz é saber que tem gente (e não poucos) que se importa. Que o mundo não se tornou um lugar propriamente frio e as pessoas não se tornaram totalmente distantes.

Bem… é isso. Tirando isso, não sobra muito. Fim de semana eu tentei estudar (mas não sai da 6º página do livro). Eu cozinhei feijão (Que eu tava com saudade de comer do meu jeito). Eu visitei amigos, eu trabalhei três horas e meia. Eu dormi. E também assisti séries e filmes. Eu fiquei puto de raiva porque algumas das séries que assisto tiveram fim de temporada, outras acabaram definitivamente, e algumas estão em “recesso”. Eu planejei um limpa (faxinão) nas férias, e estou querendo começar a vender minhas coisas (eu ainda não falei aqui no blog, mas estou planejando ir embora, digo, mudar de cidade, de Estado e oxalá de país)…

Sobre esse lance de ir embora… estou apenas esperando o momento certo, que deve chegar até o final do ano. Mas estou tentado ser discreto: quero organizar tudo e só comunicar as pessoas “na hora”. Bem… é que as pessoas com quem convivo certamente tentarão me dissuadir de ir. Mas se eu ficar, elas nunca estarão perto pra me dar apoio. É mais ou menos como gente invejosa – coloca areia nos seus planos, mas não te ajuda a ir pra frente nunca. De qualquer modo, já avisei todo mundo que precisava saber… muito embora as pessoas não acreditem que eu tenha mesmo coragem pra fazer isso. Mas eu farei. E bem… eu sempre gostei de ficar “avisando”, tipo gente que fica dizendo que vai se matar só pra chamar atenção. Mas agora eu não quero atenção…

Bem… é isso. Agora é tudo.

Outro documentário sobre o Transtorno Bipolar do Humor

Vejam outro documentário sobre o Transtorno Bipolar do Humor:

O diferente é ser normal

Tenho um amigo que é juiz criminal. Há uns tempos atrás ele andou fazendo uns cursos de psicologia e psiquiatria forense, já que é natural ele ter que recorrer à psiquiatras para traçar perfis e laudos psiquiátricos de muitos réus. Ele fez o curso apenas para compreender melhor os termos técnicos utilizados na psiquiatria forense… Mas, um dia a gente estava conversando, e ele disse que havia ouvido de um psiquiatra (renomado no Estado), que não existe ninguém que conseguiria ser 100% aprovado num teste psiquiátrico. É mais ou menos o que os médicos dizem sobre a saúde: não existe ninguém 100% saudável, existem pessoas que não foram suficientemente examinadas.

O fato é que grande parte das pessoas, de algum modo, possuem alguma patologia psiquiátrica. A grande diferença é que existem níveis diferentes da patologia, sendo que aqueles que possuem níveis socialmente admitidos são considerados “normais”. Dizem até que a mudança do termo “Psicose Maníaco-Depressiva” foi modificado para “Transtorno Afetivo Bipolar” e mais recentemente para “Transtorno Bipolar do Humor”, não apenas pelo estigma que o nome anterior causava (aquela coisa do politicamente incorreto), mas também porque a difença entre os “normais” e os “doentes” não é a oscilação do humor (bipolaridade) em si mesmo, mas o “transtorno”  causador (ou causado) por essa flutuação.

É comum receber novos visitantes aqui no blog que dizem não saber como vieram parar aqui, e que de alguma forma se identificam com o blog e até pensam se não são bipolares. Acho que é por isso que estou escrevendo esse post. É comum termos momentos de alegria excessiva (mania) e outros de momentânea tristeza (depressão), sobretudo se esses comportamentos (ou variações do humor) estão adequadamente ajustadas às situações contextuais da vida cotidiana. Hein? Falei difícil, né? Em outras palavras: é normal ficar super alegre e eufórico quando se passa no vestibular, se ganha um carro e começa a namorar com uma menina muito gata, tudo ao mesmo tempo; asssim como é totalmente normal ficar “pra baixo” quando se perde um familiar, um amigo se muda pra outro Estado ou se é assaltado (e nem precisa juntar tudo ao mesmo tempo).

Estranho é fingir tristeza (e não se sentir exatamente triste) quando alguém muito próximo à você falece; sentir euforia durante quinze dias seguidos, e ficar sem dormir por causa disso; se isolar do mundo, deixar de comer, de sair e de fazer coisas legais exatamente quando você é promovido, ganha um aumento, tem roupas novas no armário, é aceito num grupo legal de pessoas, recebe convites pra estar em todas…

Além dos transtornos, claro. Não ter controle com dinheiro pode ser falta de educação financeira; mas quando você não consegue definitivamente se segurar, mesmo que você seja uma pessoa metódica e controladora (e ainda por cima compra coisas totalmente inúteis só pelo prazer de “comprar”)… bem… isso sim já é um problema (que não precisa ser necessariamente transtorno bipolar do humor, mas pode ser uma compulsão por consumo). Ter medo de dormir numa casa num bairro perigoso, sozinho, é uma coisa normal (e não apenas para mulheres), mas ter medo quando se mora num condomínio super seguro, se está com cinco ou seis pessoas em casa… etc… já beira a paranóia (ou a síndrome do pânico, por exemplo).

Além disso, o blog não é exatamente sobre Transtorno Bipolar do Humor, mas sobre a vida de um bipolar que tenta andar em cima da corda bamba. Aliás, tenho vários post’s onde eu menciono que beber remédio à ponto de não ter oscilações (normais) de humor seria até desequilibrado, já que a vida é feita de altos e baixos, e que o crescimento em geral é resultado da evolução em relação à uma condição de limitação.

Ainda tem a dificuldade de diagnóstico do TBH, porque esse distúrbio químico não pode ser quantificado em exames acessíveis (existem exames que permitem elaborar uma hipótese clínica), e porque boa parte dos sintomas pode ser confundido com outros distúrbios (depressão unipolar, hiperatividade, distúrbio déficit de atenção, transtorno de personalidade limítrofe, também conhecido como borderline, dentre outros).

O fato é que rotulamos pessoas. Se um cara mata alguém de maneira cruel, é psicopata. Se é uma pessoa malcriada (acho que é junto, na nova regra ortográfica) e cheia de “vontades” totalmente loucas (ou se é uma pessoa indecisa, ou ainda tem múltiplas personalidades ou é mal caráter assumida) é bipolar. Se a pessoa se estressa, é síndrome de ansiedade. Se ela sente palpitações e o exame médico não demonstra nada anormal no coração, é pânico.

O outro fato é que todo mundo tem problemas psiquiátricos – uns em uma intensidade tão pequena (ou que culturalmente são tão aceitos socialmente) e outros de uma forma que afeta não somente a própria vida, como a vida dos outros.

Também é fato que existem pessoas que tem os transtornos psiquiátricos e adotam-no como desculpa, fuga das responsabilidades (assim como eu faço, ocasionalmente) e algumas que querem tê-los não apenas por identificação (com outras pessoas), mas por ser o hit da moda.

Bem… com isso não quero desestimular que os leitores apareçam por aqui, bipolares ou não. Quero apenas demonstrar a importância de buscar um diagnóstico equilibrado e, sobretudo, de não identificarem meus comportamentos pessoais com o Transtorno Bipolar do Humor, doença de que sou portador. Assim, espero sinceramente que as pessoas que se identifiquem comigo continuem visitando o blog, mas que não se acreditem bipolar, a menos que se enquadrem em critérios clínicos da doença e, nesse caso, busquem um especialista para diagnóstico. Aos que não chegarem a tal situação, mas que se identificarem com meus dilemas e comportamentos pessoais (com o transtorno bipolar, sem o transtorno ou apesar do transtorno) também serão sempre bem vindos aqui, assim como amigos, parentes e gente que lida com outros bipolares.

E sempre que quiserem interagir, sintam-se à vontade, inclusive pra sugerir post’s, fazer perguntas… E isso vale pra quem não gosta de deixar comentário (por medo de se expor ou por preguiça), mas que fala comigo pelo e-mail desbipolarizando@hotmail.com ou pelo MSN. Só lembrando que deixar o e-mail ao comentar é obrigatório por regras do servidor do blog, mas o e-mail fica visível apenas para mim (e portanto, você pode comentar sob um pseudônimo, e o e-mail é usado apenas se eu quiser responder o comentário via e-mail).

Aos amigos blogueiros, desculpem por não comentar ultimamente, mas tenho os lido sempre.

Bem… é isso.

Mil quilômetros por segundo…

Minha mente anda, ultimamente, à mil quilômetros por hora segundo. Durante o final de semana eu fiquei muito depressivo – foi o cume da depressão que se iniciou na segunda, mas foi crescendo aos poucos. Abusei do “trinômio do fundo-do-poço”: comer, dormir e ver séries/filmes. Isso e fobia social – isolamento total do mundo, um pijama durante três seguidos dias, persianas fechadas, luzes apagadas, telefones e interfones desligados. Esse é de fato um trinômio que demonstra totalmente a minha depressão. E as outras coisas são acessórias. Umas vezes durmo mais, outras como exageradamente, mas é sempre essas três coisas, em particular, que demonstram que eu estou precisando de mais lítio. Ou de voltar ao psiquiatra pra tomar topiramato e de uma sessão de terapia urgente.

Dormir é uma tentativa desesperada de fuga: ou eu torço pra ter bons sonhos (o que geralmente nunca acontece), ou pelo menos eu peço pra o tempo passar mais rápido. Ver séries e filmes é outra tentativa desesperada de abstração do mundo: eu tento me inserir nas vidas fantasioas dos personagens bem sucedidos e esquecer a minha vida; ou tento me identificar com os problemáticos e achar nas soluções deles algum consolo – suficiente apenas para anestesiar minhas crises pelo momento de 45 minutos. E a comida é uma tentativa de resgate de três coisas: os momentos felizes da infância – que sempre aconteciam ao redor da mesa,  e as memórias da época em que eu comprava convidava os interesseiros dos meus “amigos” pagando-lhes pra comer boa comida, em troca de instantes de interação social; e  os bons momentos de prazer, mesmo solitários, que a comida me proporcionou, seja pelo hobbie do preparo ou seja pela própria degustação, sobretudo de doces e comidas exóticas.

Felizmente descobri que toda a depressão da semana foi resultado das frustrações que já contei aqui no blog – sobretudo por uma expectativa (que foi totalmente inconsciente) que foi frustrada. Mas só o fato de enxergar e reconhecer isso é uma boa coisa.

Entretanto, depois disso, acredito que tive uma virada maníaca “semi-controlada”. Digo “semi-controlada” porque a medicação de alguma forma me impede de fazer loucuras, e a consciência da situação (terapia, ah… a terapia – como ela tem aberto meus olhos) me deixa perceber o que esta acontecendo, ao menos para tentar evitar situações de risco (como sair com cartões de crédito, talões de cheque, ir à docerias, shoppings, festas, bares e tudo o que pode ser abusivo). Pra ser honesto, eu acho que durante a depressão o organismo tenta produzir neurotransmissores sem conseguir (e mesmo o efeito dos remédios inibindo a recaptação deles se torna insuficiente), e como a depressão teve, de alguma forma, um fator mais psicológico do que biológico, acredito que ao final, os neurotransmissores explodem (de forma semi-controlada) e os remédios não consegue suprir totalmente – e isso me deixa acelerado, mas sem sintomas típicos de mania.

Pra ter idéia… de manhã eu pensei em oito coisas pra escrever no blog e não consigo lembrar de nenhuma delas agora. Em compensação, consegui resolver um problema que há dias vários experts aqui do serviço levaram dias e não conseguiram resolver – e isso em meio à um momento do “café-com-fofoca”.

Hoje eu consegui pensar em milhares de coisas, mas não consegui sintetizar nada. Anotei palavras chave, porque imaginei que depois não conseguiria me lembrar, mas até agora, momento em que os pensamentos ainda são recentes, e não consigo lembrar de tudo. Quando isso passar, vou tentar reconstruir tudo aos poucos (com base nas palavras chave). Essa é uma das vantagens da terapia – se conhecer melhor, prever que certas coisas vão dar merda (que você vai esquecer os pensamentos) e encontrar soluções (anotar palavras chave) para pelo menos minimizar o problema. E com o passar do tempo, parece que vai ficando mais fácil. Antes, eu lia uma palavra-chave no dia posterior, e ficava pelo menos umas duas horas tentando entender o que eu tinha pensado (e esquecido). Agora, eu já até escrevo palavras chaves “melhores” e consigo me lembrar com mais facilidade.

Ah… também viajei no orkut. Naveguei desde comunidades de concursos públicos, passando por comunidades de videogames, enquanto lia um tutorial e realizava a atualização do celular (numa comunidade do celular). Depois mudei totalmente o rumo, e acabei passando em comunidades de “não gosto de homem de pau grande” (que vi num perfil de uma menina estranha da comunidade do celular) – o que acabou me levando à “homens de pau pequeno”. Grandes ou pequenos, percebi que existe gosto pra tudo. E que tem gente que tem o pau grande e é complexado. E outros tem o negócio pequeno e vive feliz (e é bem realizado sexualmente).  E isso acabou me levando à comunidades diferentes como “tenho trauma de ser magro”, ou “ser alto é ruim”… esses estilos – coisa que no senso comum é sempre “benéfico” (já que em geral o ruim é ser gordo ou baixo). E isso apenas de manhã.

Pensei em mudar o tema do post agora, e já pensei em pelo menos cinco temas diferentes (inclusive desenvolver a história do pau-grande, pau-pequeno). Também pensei em falar sobre uma amizade complicada que eu tenho, daquelas que eu tenho sempre que me questionar sobre o porquê de ser amigo (é que o tal amigo me chamou sexta para ir ao cinema, e há muito eu vinha sendo convidado e não podia ir, por causa de trabalho e estudo, mas que… bem… isso fica pra outro post).

Mas o que lembrei de falar (e que vou realmente desenvolver, já que minha mente está à mil por segundo) é que uma amiga (que não sabe que eu sou bipolar) veio constatar uma coisa que eu já desconfiava, mas que nunca tive como provar. Explico. Quando eu estou em mania (percebendo ou não a tal mania), parece que as mulheres dão mais em cima de mim do que quando estou estabilizado (ou depressivo). Até então eu achava que era a síndrome do Richard Gere (no filme que ele faz como um personagem bipolar, que agora eu não lembro o nome). Achava que era sonho meu.

No início das terapias, eu percebi que eu costumava agir de modo diferente quando estava em mania… Era mais agressivo na abordagem (olhares, comentários, sorrisos, etc…). Sempre pensei que fosse esse o motivo. Mas hoje, tento ser muito mais contido (sobretudo pra evitar um processo de assédio sexual, seja de funcionárias ou de clientes da empresa). Aliás, mesmo estando em mania, eu não faço mais comentários, não mando mais risos – a menos que eu realmente esteja interessado de forma específica (é que antes eu fazia pra cada mulher bonita, mesmo para as “médias”).

Só que, mesmo eu me contendo, percebo que durante as crises de mania as mulheres olham pra mim com mais frequência. Muitas delas me cumprimentam (gente que eu sempre passei e fiz acenos de cabeça apenas por educação corporativa) e puxam assunto. E tudo isso sem minhas provocações.

E essa amiga veio me dizer isso (já que ela anda muito comigo e sempre observa)… que eu não tava mais provocando as mulheres, mas tinha períodos (que coincidem com os momentos que eu percebi estar em mania) que as mulheres só faltavam pular em cima de mim. Ela perguntou se eu tava usando feromônio… hauhuauhauhuhauha

Bem…. pelo menos eu tirei uma nóia da cabeça, a de achar que isso era imaginação minha, que a terapia e a medicação me curaram em uns aspectos, mas que a síndrome do gostosão (do Richard Gere) ainda acontecia. Não… ela não acontece. É verdade mesmo – eu me contenho, mas mesmo assim as mulheres se abrem pra mim. Será se estou exalando mais feromônios que o normal, apenas por ter mais neurotransmissores??? Hehehehehhee.

Isso seria um problema – eu certamente ficaria tentado a me colocar em situações disparadoras de mania (por exemplo deixar de tomar remédio) para poder conquistar as mulheres em tempo de seca. Ainda bem que não fiz isso, ainda.

Por falar em seca – dois meses de seca.

E bem… chega… enjoei de postar. Minha mente à mil agora quer fazer outras coisas…

Abraços aos leitores antigos e minhas melhores BOAS VINDAS aos novos.

Depois eu falo do amigo (o do cinema).

Fui.

Gente mal amada II

Adoro me rir de gente mal comida amada que acha que me conhece. A-DO-RO.

Se não gosta de mim, de como eu vivo e do que eu escrevo, foda-se, já que ninguém te fode não leia o blog !!! OK. Aqui eu falo o que quero, mas só lê quem quer. Não obrigo ninguém à ouvir/ler o que eu digo. Ninguém. E bem… só escuto o que eu quero.

Aliás, o blog representa apenas uma fração muito pequena (10% ou menos) da minha vida. E quem acompanha o blog desde o início (sobretudo quem não comenta mas manda e-mail, fala comigo pelo msn, etc…) sabe que isso aqui é um diário terapêutico. Em bom português, isso aqui não é um site motivacional, nem de auto-ajuda. Existem diversos grupos (inclusive online) para isso. Portanto, escrevo aqui o que EU QUERO.

E o que EU QUERO escrever geralmente faz com que muitos se identifiquem comigo, apesar de não serem coisas tão positivas assim. E mesmo que alguém ache que esse blog é pessimista e que eu só vejo as coisas ruins do mundo, isso não é verdade. Mas o que eu mais escrevo são as coisas que preciso exorcizar. Quem REALMENTE me conhece, sabe que eu não sou pessimista, que eu não costumo me vitimizar (ok, talvez um pouco, mas ninguém é de ferro, non?) e que eu sou uma pessoa que na maior parte do tempo é alegre, extrovertida e sempre busca ver as coisas pelas perspectivas mais otimistas.

Que apesar de não gostar das ações e atitudes do meu pai (sobretudo porque vejo muito de mim nele), eu o admiro enquanto pessoa, reconheço a importância dele na minha vida e o respeito – apesar de ocasionalmente ele fazer coisas que não me deixem nem um pouco satisfeito.

Que eu não sou “super-seletivo” com namoradas e amizades. Aliás, transito em vários grupos tão diversos entre si que eles não costumam se bater muito bem uns com os outros (e eu fico administrando conflito entre eles). Que é comum alguém dizer que eu sou bonito demais pra namorar com “Fulana” – e isso, porque eu não me prendo à rótulos: já namorei gente muito acima do peso, gente baixinha, gente com a cara cheia de espinhas, gente desarrumada, afrodescendentes… e aliás, foram sempre melhores namoradas do que as “bonitinhas-na-moda”. Ah… e já namorei o fiquei com mulheres que não tem a mesma crença religiosa que eu, mulheres que não tem pretensões acadêmicas como as minhas, mulheres de idade bem superior e bem inferior, gente bem mais rica, gente bem mais pobre… Não sou exigente demais, não. Aliás, sou extremamente tolerante.

Sou tolerante com lugares também: vou desde os lugares onde a “alta-sociedade” se reune, até aos butecões de esquina, da vida… Shopping, cinema, teatro, feirinha hippie, igreja… não tenho problemas em ir.

E bem… ao contrário de muitos bipolares, consegui terminar uma faculdade, estou há seis anos na mesma empresa (e já subi quatro cargos), durante esse tempo consegui pagar minha faculdade, comprar um carro… e tudo isso sem papai ou mamãe pra ajudar.

Enfim… eu só reclamo, reclamo, reclamo AQUI, porque eu reclamo muito pouco no mundo real. E bem… eu sei que já cresci bastante. Sei que hoje eu me relaciono de uma forma muito melhor do que antes. Sei que estou fazendo progressos como ser humano.

E mais… no blog eu posso até reclamar muito, mas eu sempre lido com as minhas próprias vulnerabilidades. Eu assumo que sou mal amado (e que isso é um problema MEU, porque EU preciso aprender a me amar melhor). Eu assumo que faço coisas loucas e que ocasionalmente quero botar a culpa na doença e nos remédios… Eu assumo que preciso aprender a lidar melhor com meus relacionamentos e ser mais assertivo nas minhas relações profissionais.

OK, esse é um post anônimo, você pode dizer. Mas não é fácil a pessoa ter a coragem de se olhar no espelho pra poder ESCREVER isso, ainda mais num lugar público. Qualquer dia desses alguém pode cair aqui de paraquedas e reconhecer o que eu digo – e descobrir minha identidade. Aliás, eu já mostrei minha identidade pra alguns leitores (e leitoras) do blog. Se um dia alguém descobrir, estou pronto pra suportar as consequências (eu acho… e se não estiver pronto, as suportarei de qualquer modo).

Agora chega essa história de auto-ajuda, de papinhos motivacionais… Num quer ler, ok… eu não estou nem um pouco interessado em audiência. Aliás, acho que é por isso que eu não fico linkando blog, pedindo pra me add na relação de links de outros blogs, etc. Eu adiciono quem eu gosto (ou quem eu leio). E não peço pra add em troca (aliás, eu desafio alguém a encontrar um pedido meu pra add). O povo adiciona por reciprocidade ou porque gosta do blog mesmo.

Enton… Pra quem gosta do blog eu digo: é um prazer ter você aqui, fico feliz que de alguma forma você se identifique comigo. Pra quem não gosta, só posso falar: fique à vontade para não vir aqui nunca mais… Meu blog definitivamente não é motivado por estatísticas.

E pra quem é mal amado eu digo: vá transar procurar o que fazer, e deixe de perder tempo lendo meu blog e outras porcarias na internet… huauhahuhuauhauhauhuhah

E quanto a mim, continuo mal amado, mal empregado, mal cuidado e sobretudo malcriado. :P

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