Sem um título adequado, como sempre…

Nos poucos momentos que consigo acessar a internet, tenho me dividido entre responder e-mails, manter vínculos antigos, ler meus blogs preferidos e procurar material de estudo. Aliás… estudar tem sido uma coisa que eu tenho desejado fazer, mas não passo disso.

Tenho trabalhado muito e, contraditoriamente, é o que ultimamente tem me dado maior prazer. Beber com os amigos e ir pra balada já não me faz tão bem. Aliás, tem me feito mal: vejo caras e rostos, sinto-me mal-amado e me mal-amo, deprimo-me e volto pra casa vazio. E depois fico me questionando se algo seria diferente se eu fosse bonito.

O que tenho percebido é que quem é bonito (e sobretudo se for narcisista ou ao menos metrossexual) acaba limitado a ser superficial ou sofrer em busca de algo que nunca é conquistado.

O fato é que eu não tenho tido coragem para ir além de trabalhar. Estudar e me exercitar fisicamente tem sempre ficado em último plano. E mesmo o sono tem sido substituido, moderadamente, por trabalho. Sinto-me reconhecido e valorizado, muito embora o aspecto social do trabalho tenha me angustiado: meu sarcasmo e acidez tem se revelado cada vez mais fortes, violentos, exagerados e inapropriados. Sei que as pessoas gostam, mas isso acaba me isolando e criando uma imagem estranha de mim – e junte-se à isso o ciumes do “recém-chegado”, que no meu caso, estou demonstrando que nem sempre os “velhos de casa” são os merecedores dos elogios.

O que me assusta é a minha conclusão de que eu realmente necessito de alguém com quem conversar. Tirando uns pouquíssimos amigos virtuais, eu estou totalmente isolado. E pareço me acostumar com isso de uma forma tão trágica e auto-sabotadora, que acabo cumprindo uma auto-profecia: o destino de terminar só. Mas esses amigos virtuais ainda são insuficientes… aqueles que sabem do meu TBH são mulheres… os que são homens não sabem de nada… e bem… o único TBH homem que tenho em meu msn (e que acompanho o blog) sequer me dá moral, muito embora ele sempre deixe um ou outro comentário aqui só pra ser educado…

Pessoas mentem. Fato. Eu sou pessoa. Segundo fato. Eu minto. Conclusão lógica. Mas boa parte das minhas mentiras, em geral sempre omissões e não exatamente distorções, são uma busca desenfreada por sobrevivência. Meu desejo que não ser descriminado só por ser diferente. Aliás…mesmo os aparentemente tolerantes (e que aceitam minhas diferenças) acabam hora ou outra me olhando com pré-conceito e me excluindo de certas coisas.

Tudo o que eu queria era ser verdadeiro, sem que as verdades existenciais me fossem imputadas como maldição, pecado, desvio de caráter… É esse o amigo que eu preciso. Alguém que possa me conhecer, me entender e não me julgar. E diga-se de passagem, sou julgado por verdades que eu não escolhi, e que eu não posso mudar, como por exemplo o fato de ser bipolar. E olha que tudo o que esteve ao meu alcance foi feito, e acho que amenizei o máximo possível, e sempre sublimo minhas “verdades” para não encomodar ninguém.

Foda.

Notebook na cozinha, calor dos infernos. Sono latente. E uma baita inquietude dentro de mim. E mesmo que eu ainda consiga discernir as coisas (ou pelo menos acho isso), eu não sei exatamente se devo me procupar. E tudo que eu queria agora era ter uma internet rápida, que me permitisse usar o msn… baixar filmes e músicas seria luxo… Nem paz eu peço mais, porque sei que isso é um conceito extremamente abstrato e chega quase a ser paradoxal…

É isso. Foda ao quadrado.

E prossigo no celibato. Sinto desejo, mas até a masturbação me desanima (muito embora ontem eu tenha tido um motivo especial, e nesse caso foi uma excessão). Hoje em dia temo por minha inexperiência. E pelo receio de não satisfazer. Aliás… nem sei se vejo mais graça no prazer, tamanhas neuras eu tenho desenvolvido hoje. Medo. Sobretudo de ser usado novamente, ou no mínimo, de fazer sofrer…

Não que eu tenha sido usado. E nem que eu tenha medo de ser esse o caso futuro (recadinho de entrelinhas: minha cara Firmina, Lorenzo não está falando de você, ok?). Mas todas as vezes eu sempre me vitimizei, me fiz de objeto pra disfarçar a inabilidade, ou a ausência de laços afetivos… preferi me enganar e pensar que fui usado como objeto, à acreditar que eu não fui capaz de gerar sentimentos ou de ser hábil o suficiente para laçar alguém pra mim.

Bem… estou achando que viverei cem anos de solidão.

E pra encerrar… estou lendo em espanhol o livro “Memórias de mis putas tristes”… e acho que quem tá triste não são as putas…

Beijos e abraços aos leitores. Obrigado pelas visitas e comentários. Desculpem não responder, mas como disse… a internet tá precária (escrevi o post no bloco de notas para só então tentar postar).

Fui

2 comentários até agora

  1. Ella on

    A sensação de solidão parece ser eterna. Mas acho impossível uma pessoa como você ficar sozinha por muito tempo. Talvez pq vc priorizou objetivos na sua vida (e está colhendo os frutos por isso). Preciso me lembrar do quanto vc é jovem apesar de ser muito mais adulto que muito homem adulto e que ainda vão acontecer muitas coisas legais na sua vida porque vc é corajoso, destemido, inteligente, tems enso crítico e não canso de me dizer que a pessoa que puder ser amada por vc precisará de muita sorte. Apesar de nós, seres carentes nos apaixonamos o tempo todo e nunca nos sentimos amados o suficiente. Ah, como eu gosto de você. Fique feliz! 1000 beijos!

  2. fenix on

    Faz um mês que me senti fragmentada.
    E encontrei nas tuas palavras versejadas de vida
    O olhar além.


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